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Violência e política

Matéria publicada em 17 de setembro de 2018, 21:56 horas

 


“O poder corresponde à habilidade humana de não apenas agir, mas de agir em comum acordo. Este jamais é propriedade de um indivíduo, pertence a um grupo e existe apenas enquanto o grupo se mantiver unido. Quando dizemos que alguém está ‘no poder’ estamos na realidade nos referindo ao fato de encontrar-se esta pessoa investida de poder, por certo número de pessoas, para atuar em seu nome. No momento em que o grupo – de onde se originara o poder – desaparece, desaparece também o seu poder” (Hannah Arendt).

A violência é o outro extremo da política. Onde há violência, no seu estado bruto, avassalador, há silêncio – e onde há silêncio, não há política. Aristóteles define o ser humano como um “animal político” e como “um ser dotado de linguagem”. Isto é: usamos nossa condição de humanos para exercer nossa liberdade pública, por meio da nossa fala e das nossas ações. A violência é o campo da imposição e da opressão; a política, o campo do convencimento e do consenso. Para uma, as armas são a intimidação, o terror; para outra, a palavra e os bons argumentos. A vitória da violência é o silêncio do outro; a vitória da política é a isegoria, o direito de todos falarem.

Nada é mais perigoso para a política do que seu envolvimento com a violência. Isso porque a violência é um recurso que não encontra reação fora dela mesma – daí o risco altíssimo de seu uso gerar uma espiral de “respostas” tão ou mais violentas que o seu início.

A violência nunca é um fim em si mesma. É instrumental, serve a propósitos que estão além dela. A violência não é a essência de nada. O problema reside aí: quando enxergamos na violência a forma mais adequada para alcançar algo, mas não conseguimos delinear com clareza esse algo e, principalmente, o tempo para alcançar esse objetivo, a violência acaba tornando-se a única coisa concreta do projeto político.

A violência paralisa e, por isso, limita a ação. A democracia é a prática da ação que contrapõe ideias e projetos e, por meio do debate, da fala, constroem-se os consensos. Os consensos são sempre provisórios, pois que a liberdade que é inerente ao espaço público democrático – a polis – renova sempre a oportunidade de mudanças desses mesmos consensos. Aos que não se juntam à maioria, resta sempre a oportunidade de reverter suas derrotas e construir novos projetos. Essa é a ideia que os gregos nos legaram, essa invenção maravilhosa. No entanto, à espreita, há a violência que quer calar, que quer imobilizar, que quer apagar as diferenças, que quer impedir o debate, que quer sufocar a novidade das expressões de vida no mundo, que quer uniformizar os comportamentos, essa violência é anti-democrática por excelência. E ela precisa ser combatida pela palavra, pela ação – e nunca pela própria violência.

Se a violência tivesse consciência, como um maléfico monstro mítico, riria de nossas raivas e de nossas reações brutas. O antídoto para esse monstro é a voz, a palavra, os projetos coletivos, o respeito pelo consenso, o repúdio por toda forma de discriminação e silenciamento. A palavra “democracia” tem efeito paralisante sobre o monstro desumanizador. É possível vencê-lo. Mas, para isso, é preciso nos valermos da coragem da calma e da prudência. Em um ambiente de paz, é fácil identificar o inimigo: ele é exatamente aquele que quer acabar com o ambiente de paz.

 

Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica pela UFPR, consultor de conteúdos na área das Humanidades e professor no Curso Positivo.


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2 comentários

  1. Isto é que é violência. Tirando o que é dos IDOSOS para servir quem não trabalha.porque se trabalhasse teria 80 reais para pagar uma prestação dessas da minha casa minha vida em VOLTA Redonda

  2. FALANDO VIOLÊNCIA POLÍTICA RESPEITO DEMOCRACIAS. VIOLÊNCIA ESTÁ COM OS IDOSOS QUE ESPERAM PELA REVITALIZAÇÃO DA OBRA DA VILA DOS IDOSOS NO BELMONTE EM VOLTA REDONDA. UMA OBRA POLÍTICA QUE TIRARAM DOS IDOSOS O QUE O GOVERNO COMEÇOU PARA FAZEREM MÉDIA. ISTO E VIOLÊNCIA É POLÍTICA COM OS IDOSOS. QUEM E O RESPONSÁVEL POR ESTA INVASÃO DA VILA DOS IDOSOS NO BELMONTE SERA POLÍTICOS OU ALGUÉM QUE TEM ALGO CONTRA OS IDOSOS

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