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Autoescolas aprovam fim do simulador, mas discordam das horas de aulas

Matéria publicada em 22 de setembro de 2019, 08:03 horas

 


 

Simuladores aumentavam o custo e professores ainda contestavam eficácia – Foto: Júlio Amaral

Volta Redonda- Autoescolas que operam em Volta Redonda viram com bons olhos algumas mudanças para que o cidadão tire a Carteira Nacional de habilitação, determinadas pelo governo federal. Os empresários alegam que haverá baixa nos custos do processo, principalmente com o fim do uso do simulador. Por outro lado, se queixaram sobre a redução das horas/aulas que o aluno deve cumprir para fazer a prova final antes de garantir a habilitação.

As mudanças foram validadas na semana passada, adequando o Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Entre as principais mudanças, está uma que torna facultativo uso de simulador para a expedição da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Além disso, há a redução de 25 para 20 horas no número de aulas práticas para a habilitação da categoria B, assim como a redução de aulas noturnas para 1 hora/aula na categoria A (moto) e na categoria B (carro). Outra: a validade da CNH passa para dez anos.

Instrutores e proprietários de autoescolas em Volta Redonda aprovaram as alterações do Contran, em especial a não obrigatoriedade do uso do simulador.

Por outro lado eles discordaram da redução do número de aulas práticas. Na opinião do diretor geral de ensino e instrutor de autoescola, Clóvis de Prado Ramos, a não obrigatoriedade do uso do simulador vai ajudar a diminuir os custos, tanto para a autoescola quanto para os alunos. “Antes da resolução do Contran, tirar uma CNH incluindo tudo, como taxa do Detran e autoescola girava em torno de R$ 1.902. Hoje, o custo para o aluno fica em R$ 1.502”, disse.

O principal “vilão”, diz ele, era realmente o uso do simulador.

– O custo de um simulador é muito alto, com aluguel, manutenção do software, despesas com energia e instrutor. Acredito que o simulador nunca foi prático e acho que as cinco horas do simulador deveriam passar para a aula prática do carro, totalizando 25 horas/aula e não 20 horas como ficou definido. O aluno não aprende a dirigir no simulador, apenas tem algumas noções básicas sobre o carro, o que poderia ser feito nas aulas práticas – disse.

O instrutor também é da opinião que as aulas noturnas deveriam acabar e não reduzir para uma hora.

– Não vejo necessidade de aula noturna. Em relação ao aumento da CNH para 10 anos, a grande vantagem é que vai reduzir bastante o custo de quem já é habilitado. Penso que o que tem que mudar é o sistema de avaliação do Detran, que é muito técnico. Por isso, acredito que quanto mais aulas práticas melhor para o aluno – opina.

A instrutora teórica e prática de outra Autoescola, Ana Thersia Landin, concorda com o colega. Ela acredita que as horas gastas no simulador deveriam ser revertidas em aulas. “Para quem nunca dirigiu e não tem prática, 20 horas/aula é pouco e o simulador não acrescenta nada para este aluno”, disse. Segundo Ana, até para a empresa o uso do simulador gera um custo muito alto, mesmo quando alugado. Para quem comprou o aparelho, o prejuízo será maior ainda. “O custo de um simulador é mais alto que manter um carro. E em minha opinião os alunos não aprendem nada com o simulador e eles também não gostam”, diz.

A instrutora Ana se diz um pouco receosa em relação ao aumento do prazo para renovar a CNH. “Acho 10 anos muita coisa, principalmente para as pessoas mais velhas. Acredito que deveria manter o prazo atual e diminuir o valor. Já sobre as aulas noturnas, uma aula é mais que suficiente”, opinou.

Em relação às mudanças do Contran, o comandante da Guarda Municipal de Volta Redonda, Dalessandro de Assis, aponta que o importante é a qualidade das aulas e não a quantidade.

“Hoje vemos a pessoa ser instruída para fazer prova e não para encarar a realidade do trânsito. Também não apresentaram estudos sobre os ganhos ou perdas de qualidade do aluno condutor usando ou não o simulador”, disse ele. Segundo o comandante, os problemas do trânsito podem ser amenizados quando o cidadão entender que ele também pode ajudar a reduzir os acidentes. “No trânsito como em todos os setores da nossa vida, devemos ser cidadãos conscientes tanto no momento de cobrar nossos diretos quanto no momento de cumprir nossos deveres”, ressaltou.


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