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Educação é a melhor resistência ao avanço de ideais neonazistas

Matéria publicada em 2 de fevereiro de 2020, 08:11 horas

 


Professora de Paraty foi selecionada para participar de seminário no Museu do Holocausto de Yad Vashem, em Israel

Elisabeth de Oliveira Nunes ensina os horrores do Holocausto e evita que história se repita
(Foto: Divulgação)

Paraty- A descoberta do campo de concentração de Auschwitz fez 75 anos na última semana, no dia 27, quando as Organizações das Nações Unidas celebrou o Dia Internacional em Homenagem às Vítimas do Holocausto. Ao mesmo tempo, autoridades de todo o mundo – inclusive brasileiras – alertam para um avanço irracional de ideais neonazistas em maior ou menor escala dentro da sociedade. Diante disso tudo, está a professora de história e sociologia Elisabeth de Oliveira Nunes, que se tornou uma referência no ensino sobre o massacre de judeus e outros povos pelos nazistas antes e durante a Segunda Guerra mundial.

A professora foi a única profissional do estado do Rio de Janeiro selecionada para participar do seminário voltado para educadores da América Latina no Museu do Holocausto Yad Vashem, em Israel. O seminário começou no último domingo, dia 19, e o encerramento ocorreu nesta quinta-feira, dia 29. Elisabeth, que atua na Escola Estadual Almirante Álvaro Alberto, em Paraty, regressou ao Brasil nesta sexta-feira, dia 30, trazendo na bagagem mais conhecimento e aprofundamento do tema: Holocausto, assunto este que a acompanha desde a sua graduação.

Além das novas amizades que fez durante o seminário, a professora vem com a proposta reforçada de combater qualquer tipo de preconceito, incluindo a xenofobia que deu origem ao Holocausto (genocídio ou assassinato em massa de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial). O que levou a professora até o congresso em Yad Vashem foi o trabalho que vem desenvolvendo em sala de aula com as turmas 1002 e 1006 abordando o Holocausto e o genocídio cigano.

A professora participou em agosto do ano passado da 14ª Jornada Interdisciplinar Holocausto e Direitos Humanos, no Rio, quando soube da possibilidade de participar do seminário em Israel. “Como a minha linha de pesquisa e a minha monografia foram sobre cristãos novos, judaísmo e Holocausto, eu resolvi me inscrever”, disse ela, que apresentou tese e foi selecionada.

Ela apresentou no seminário o trabalho alusivo ao Holocausto que debateu com os alunos em 2019 através do projeto “Para Nunca Esquecer: Pela valorização da vida, em memória do Holocausto”, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação (Seeduc).

– Eu trabalho o tema Holocausto com meus alunos para mostrar para eles o que o preconceito é capaz de fazer. As pessoas com visão equivocada do outro, por ser diferente, é capaz inclusive de coisas horrendas como destruir outra cultura, baseado numa premissa errônea de que o diferente é inimigo, pode causar dano. Procurei trabalhar isso com meus alunos em sala de aula e não tive dificuldade. Eu procuro dar uma ênfase maior porque nos livros o Holocausto é pouco falado, esse é um tema que é para realmente não se esquecer, não se esquecer das pessoas que morreram que foram perseguidas e também para que isso não volte a acontecer – disse.

Elisabeth Nunes avaliou a experiência de ter participado do seminário como positiva e destacou a receptividade local. Para a professora foi um ganho cultural e humano.

– Foi uma experiência maravilhosa fui muito bem recebida. Sempre quis conhecer Israel e ao chegar aqui o que gente vê é um país pluralista. Você encontra todas as pessoas de todo o mundo. A possibilidade de interagir com todas as culturas é muito enriquecedora. Eu até fiz uma apresentação em espanhol, estou levando na bagagem as amizades que fiz. Durante o seminário ouvi algo importantíssimo de uma professora israelita que disse para usarmos a poesia de Israel em sala de aula. Ela disse o seguinte: ‘que nós que estávamos estudando nesse seminário de seremos embaixadores para falar do Holocausto nos nossos países e nessa posição que eu me ponho para poder ensinar na sala de aula e combater qualquer tipo de racismo, intolerância e preconceito. As pessoas podem conviver muito bem com as diferenças. Acredito que a única forma de combater o preconceito é com a educação estudando a fundo o Holocausto, quais foram às razões, o que deu a origem, porque a perseguição de um determinado grupo ético e religioso, não só em relação aos judeus – comentou.

Paixão em contar a história

A professora é apaixonada pela temática da história mundial e através do projeto “Para Nunca Esquecer: Pela valorização da vida, em memória do Holocausto”, ela inscreveu 26 redações feitas pelos alunos que tiveram a questão da conscientização abordada no tema.

– O Holocausto foi um evento único, singular, às vezes ocorre de ter comparações na sala de aula quando os alunos falam do preconceito em relação aos negros da quantidade de pessoas negras mortas por bala perdidas e ai nós discutimos a questão do preconceito. Relativismo cultural também e ele ficaram muito animados em fazer as redações, pesquisas, eu procuro ensinar meus alunos uma sociologia crítica. Não dou aula positivista, eu ensino meus alunos a pensar, a gente faz debates. Ensino meus alunos a fazer trabalho acadêmico, a usar as normas básicas da Abnt (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Eu preparo meus alunos para a vida – disse, acrescentando que se sente muito honrada por ter seu trabalho reconhecido no seminário.

– Me sinto muito feliz pelo fato de ver que o trabalho feito em sala de aula ter o reconhecimento. Essa iniciativa me possibilitou estar em Israel aprendendo ainda mais para fazer esse seminário e apresentar esse projeto, juntamente é claro com a Secretaria Estadual de Educação – declarou.

Elisabeth de Oliveira Nunes é professora de história e sociologia, formada pelo Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande, zona oeste do Rio. Natural da Baixada Fluminense atualmente trabalha em Paraty na Costa Verde.

Por Franciele Bueno


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2 comentários

  1. Não só nazismo mas qualquer ideologia totalitária, pode não parecer mas ainda cativa muitos admiradores. Vide a recente homenagem a Stalin feita por uma deputada federal que é professora. E a homenagem recente feita ao ditador Kim Jong Un por um outro deputado de mesmo partido ao dessa professora? Elogios e simpatia a Cuba e Venezuela eu nem preciso citar, né?
    E mais um adendo, o ódio aos judeus era geral, era considerado um povo sem pátria, que explorava e etc., discurso muito similar ao que vemos de uma parcela ideológica que acham que empresários também não são gente, que são exploradores, fascistas e etc.

  2. Maravilhosa explanação

    Pena que os descerebrados que no máximo sabem fazer arminha com o dedo não vão conseguir ler.

    Na metade do texto a cabeça já dói e eles vão ver as lições do Olavão, aquele velho senil com o ensino fundamental incompleto que se diz astrólogo

    Hehehehehe

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