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Igrejas e fiéis se reinventam para manter a rotina religiosa durante pandemia

Matéria publicada em 8 de junho de 2020, 15:07 horas

 


Missas e cultos online têm sido realizados com frequência enquanto templos não podem ser reabertos

Barra Mansa- Enquanto aguardam por algum decreto que permita a flexibilização para abertura de seus templos, igrejas católicas e evangélicas do município, assim como seus fiéis, estão se reinventando durante a quarentena para que não percam a rotina religiosa. Desde o início da segunda quinzena de março, missas e cultos online passaram a fazer parte do dia a dia de milhares de fiéis em decorrência da necessidade de isolamento social, preconizado pelas autoridades da área de saúde, como uma das medidas de prevenção ao contágio e a propagação do novo coronavírus.

De acordo com o padre Djalma Antônio da Silva, pároco da Igreja de São Sebastião, que abrange 30 comunidades, desde a segunda quinzena de março as missas transmitidas pelo Facebook e pelo Youtube têm sido frequentes na paróquia. Nesse período, comemorações importantes para a igreja como o ‘Domingo de Ramos’, a ‘Páscoa’, mês ‘Mariano e Pentecostes’ foram celebrados e transmitidos, mantendo assim todos os seus ritos.

– Temos tentando animar as comunidades. A nossa igreja está fechada, mas ela está viva e nós precisamos continuar com o nosso dinamismo, usando hoje as ferramentas de comunicação online para anunciar a palavra de Deus, seja através de lives, conferências e também nas celebrações eucarísticas – destacou o padre.

O padre também ressaltou que através da paróquia estão sendo transmitidas as missas em comemoração aos padroeiros das respectivas comunidades e parabenizou o trabalho das pastorais, considerando por ele muito importante no sentido de evangelizar os fiéis.

– As pastorais estão levando a palavra de Deus às famílias com carros de som nas ruas, através do Facebook e Youtube e nós estamos fazendo com que as pessoas sintam que a igreja está indo até elas. Tudo isso falo pela nossa paróquia, de São Sebastião, onde estamos procurando nesse sentido também dinamizar e acompanhar nossos fiéis através do WhatsApp ou pelo telefone. Ou seja, as pessoas que nos procuram não ficam sem uma resposta – destacou o padre, ao acrescentar que o que se tem observando é que através da internet está sendo possível alcançar um público antes que não frequentava a igreja.

De acordo com o coordenador da Comunidade São Cristóvão, no bairro Roselândia, Everson Carlos Alcântara Batista, a igreja que coordena é um exemplo de comunidade que vem seguindo a convocação do papa Francisco para que as igrejas fossem criativas, neste período de pandemia. Desde o dia 25 de março, a igreja coloca músicas em suas lajas, que são seguidas de orações, como o santo Terço.

– Os membros da comunidade acompanham de suas casas, na medida em que a sonora tem um extenso alcance e, para os que moram longe, nós gravamos tudo em tempo real e vamos postando no grupo do WhatsApp que reúne um grande número e fiéis – disse o coordenador.

Segundo ele, nesse período de quarentena outras ações vitais foram as passagens pelas ruas do bairro, na qual realizaram orações e coleta de alimentos a fim de atender às famílias carentes. Já foram feitas duas passagens, sendo a primeira no dia 5 de abril, por ocasião do ‘Domingo de Ramos’, e outra no dia 12 de maio, pelo ‘Dia das Mães’.

– Não podemos deixar a fé das pessoas esfriarem. É preciso demonstrar que a Igreja, embora suas capelas estejam fechadas, segue forte. E percebo com clareza ao ver as pessoas e ao conversar com elas o quanto as orações semanais e as passagens têm sido uma base para mantê-las esperançosas e sentirem o amor de Deus – destacou.

Criatividade que não fere as normas litúrgicas

Conforme destacou o bispo Dom Luiz Henrique, da Diocese Barra do Piraí Volta Redonda, desde o início do isolamento social, se buscou uma forma de motivar uma saudável criatividade nas igrejas, mas que não ferisse as normas litúrgicas celebrativas, para demonstrar a proximidade aos fiéis que, pegos de surpresa, não poderiam participar das missas e demais celebrações na igreja.

– Desta forma, temos procurado utilizar bastante as redes sociais com lives das missas, momentos de piedade como a oração do terço da misericórdia, terço Mariano e formação catequética. Em algumas comunidades paroquiais os sacerdotes estão se empenhando, através de mensagens, celebrações e procissões motorizadas, em  ir ao encontro das necessidades espirituais do nosso povo, sem aglomerações, pois sabemos o quanto é difícil enfrentar um isolamento social, algo que não estamos habituados – destacou o bispo, ao acrescentar que tem percebido “bonitas” iniciativas por parte das comunidades católicas em atender aos necessitados, mais atingidos por esta pandemia.

Se adaptando as novas tecnologias

Com um total de 77 congregações dentro de Barra Mansa, somando cerca de seis mil membros, a Assembleia de Deus Ministério Madureira, em Barra Mansa (ADBM), também vem mantendo a aproximação com seus fiéis, através da internet e das redes sociais. É o que afirmam os pastores Rildo Ferreira de Morares, 1ª vice-presidente e Jefferson Mamede, 2º vice-presidente da ADBM.

– Estamos nos adaptando as essas realidades, realizamos cultos, simpósios e escolas dominicais online, mas sabemos que nada substitui o convívio e comunhão que efetuamos no templo. Nossa preocupação é com a saúde espiritual e o equilíbrio emocional dos membros e congregados. Muito não têm acesso aos meios virtuais e redes sociais – disseram.

De acordo com o pastor Rildo, além dos cultos online, a igreja cumpre um decreto divino, uma ordenança de Cristo: “Ide por todo mundo e pregai a toda criatura” e, com isso, foram intensificados os trabalhos de visitas aos membros que solicitam, bem como a assistência eclesiástica e evangelismo, sempre mantendo as ações sanitárias de prevenção com o uso de máscara e álcool em gel.

Já o pastor Mamede destacou os atos de fé promovidos pela igreja, momento em que fiéis com máscaras e luvas louvaram e realizaram oração intercessorias  nas  portas dos hospitais públicos e privados, em frente às sede dos poderes executivo, legislativo e judiciário, em pontos estratégicos da cidade e, por último, em frentes aos estabelecimentos comerciais das Ruas Joaquim Leite e Domingos Mariano, no Centro de Barra Mansa.

 – Sempre com uma mensagem de esperança, fomos acolhidos pelos munícipes que interagiram conosco e recepcionaram a palavra de Deus – disse o pastor, ao acrescentar que outra atividade implementada pela igreja foram as serenatas realizadas na porta das casas de membros da igreja que estão em distanciamento por pertencerem ao grupo de risco.

Para o pastor Rildo, essa é uma ação que acolhe não só o membro visitado, mas também seus vizinhos e, com isso, todos são alcançados pelas bênçãos de Deus.

– Percebemos que os nossos irmãos, que estão se guardando, estão carentes e desejosos de participar dessa comunhão, por isso tivemos a iniciativa das serenatas – afirmou o pastor, ao ressaltar que a igreja também mantém assistência eclesiástica e atendimentos  administrativos  aos membros, o que por não se tratar de culto público ou aglomeração, não fere aos decretos em vigor.

 Flexibilização

Para finalizar, Mamede destacou que a Assembleia de Deus Barra Mansa é a favor da flexibilização e retorno dos cultos nos templos, desde que sejam obedecidas certas restrições e cuidados de prevenção a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

– Só quem exerce a fé sabe o valor se estar no templo, de desfrutar da comunhão e edificado dos membros do corpo de Cristo. Estamos muito preocupados.  Nem todos em suas residências possuem a habilidade ou maturidade de fazer uma leitura ou estudo bíblico aprofundado sem ajuda. O convívio no templo é insubstituível e nós esperamos que as autoridades, representando cada um dos poderes, possam entrar num entendimento e liberar o funcionamento – finalizou Mamede, ao acrescentar que a Assembleia de Deus no Sul Fluminense é presidida pelo pastor Rinaldo Silva Dias.

Por Roze Martins 


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2 comentários

  1. Reabram urgentemente ou os “pastores” irão começar a assaltar as pessoas nas ruas, já que seus fiéis não podem frequentar os “templos”, o que impede que sejam assaltados dentro deles.

  2. E que vcs deixem claro para as pessoas q irão aos cultos que mesmo com restriçoes e cuidados elas correrao risco. Tem q deixar claro isso. Aí mesmo quem só tiver só dois neuronios vai ver q ha coisas q devem esperar. Isso é fato!

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