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Mãe luta para fazer intercâmbio e realizar sonho de longa data

Matéria publicada em 6 de janeiro de 2019, 15:30 horas

 


Mara ganhou bolsa para a Universidad da Coruña, na Espanha, mas filha, de dois anos, não tem com quem ficar no Brasil

Mãe está fazendo campanha para levar filha para a Espanha durante o período de intercâmbio (Foto – Redes Sociais)

Volta Redonda – Mãe e aluna do quinto período do curso de Administração Pública na Universidade Federal Fluminense (UFF), Mara Jacqueline Mendes Corrêa, de 32 anos, passou em um processo seletivo com bolsa auxílio para desenvolver um projeto de iniciação científica durante um intercâmbio de seis meses na Universidad da Coruña, na Espanha. A preocupação de Jacqueline é com sua filha, de dois anos, que não terá os gastos amparados pela bolsa e no Brasil não tem com quem ficar.

Pensando nas despesas que terá para cuidar da filha durante o intercâmbio na Espanha, Jacqueline criou uma ”Vakinha” online para arrecadar dinheiro daqueles que tiverem interesse em ajudar (https://goo.gl/NBu6F4). A mãe afirma que estudou todas as opções de cuidar da menina sem perder a oportunidade, pois, segundo ela, não há nenhuma restrição que impossibilite a menina de ir.

Quando Jacqueline iniciou o processo para conseguir a bolsa de estudos ela pesquisou todas as informações referentes às mães que fazem intercâmbio. A criança pode ficar em uma creche próximo a universidade, no período que a mãe estiver desenvolvendo o projeto. No restante do tempo, a mãe se dividirá entre cuidar da filha e continuar o projeto.

– Fui selecionada para fazer um intercâmbio na Espanha, porém as agências de fomento não custeiam e não incentivam mulheres que têm filhos, isso nem consta em nenhum edital. Sendo assim, preciso custear os gastos que terei com a minha filha durante o intercâmbio. Por isso, estou fazendo uma ‘campanha’ para arrecadar fundos – disse.

Jacqueline disse que precisa da ajuda financeira para não interromper o sonho de se tornar uma profissional de sucesso e proporcionar à filha melhores oportunidades. Os gastos da filha são inteiramente por conta de Jacqueline, que não vai poder trabalhar, em vista do compromisso com a Universidade da Espanha para desenvolver o projeto, que tem previsão para durar de seis meses a um ano.

No Brasil ela também não pode trabalhar com a carteira assinada porque recebe bolsa do Programa Educacional Tutorial (PET), um programa do Ministério da Educação (MEC), ligada a trabalhos de inclusão social nas comunidades de Volta Redonda, mas vende pão nas horas vagas para complementar a renda.

A estudante também faz parte do grupo de pesquisa do Laboratório de Investigação das Psicopatologias Contemporâneas – LAPSICON, onde trabalha em seu projeto de pesquisa, com o título: Políticas de Inserção da Mulher na Produção de Conhecimento Científico a partir da Graduação, orientada pela Professora, Pós-Doutora, Claudia Henschel de Lima.

Jacqueline, aprovada em sexto lugar de um edital com 14 vagas, conta que voltou a estudar quando a filha tinha quatro meses e por isso a menina cresceu nos corredores da UFF. Segundo Jaqueline, o pai da criança não prestou apoio durante a gestação e nem durante primeiros anos de vida da filha. Elas moram sozinhas em Volta Redonda, mas os pais de Jacqueline são de Resende.

– Estou acostumada a cuidar da minha filha sozinha. Concílio os estudos e os cuidados desde que ela tinha quatro meses, quando decidi que precisava estudar para dar boas condições a ela – explica ela.

O pai da criança, segundo ela, assinou os papéis autorizando ela levar a filha durante o intercâmbio, e concordou em fazer uma chamada de vídeo, por semana, para manter o contato com a criança.

 

Gabriela Batista

 

 


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