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Reunião pública vai explicar funcionamento de barragem da Cimento Tupi na região

Matéria publicada em 13 de fevereiro de 2019, 18:36 horas

 


Barra Mansa – O rompimento da barragem de rejeitos de minérios em Brumadinho (MG) ocorrido no dia 25 de janeiro passado tem suscitado na sociedade um caloroso debate sobre a situação e as condições de armazenamento dos resíduos produzidos pelas mineradoras de todo o Brasil. No Sul Fluminense, a preocupação fica por conta da barragem da Cimento Tupi S.A., que embora esteja situada no município de Quatis, no caso de um eventual desastre poderia atingir cidades situadas abaixo da empresa, como Barra Mansa.

Para buscar esclarecimentos sobre a barragem e seu grau de risco, o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Barra Mansa, Carlos Roberto de Carvalho, o Beleza, acompanhado da equipe técnica do órgão, do coordenador da Defesa Civil, Sérgio Mendes, do secretário de Governo, Vinícius Ramos, do presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, Vinícius de Azevedo e da integrante da Comissão Ambiental Sul, Henia Vasconcelos, se reuniu com o gerente Industrial e coordenador do Plano de Ação de Emergência para Barragens da empresa, Gil Augusto de Carvalho, e o geólogo geotécnico, Felipe Lemos. O encontro ocorreu na manhã desta quarta-feira, dia 13, na sede da mineradora.

O secretário de Meio Ambiente, Carlos Roberto de Carvalho, pediu o agendamento de uma reunião pública envolvendo a comunidade da Vila dos Remédios, no distrito de Floriano. A finalidade é esclarecer as dúvidas existentes em torno da empresa. A solicitação foi prontamente atendida e agendada para o próximo dia 26, às 19 horas, em local a ser definido.

O gerente industrial da empresa, Gil Augusto, tranquilizou a equipe da prefeitura, explicando minuciosamente as especificidades da unidade. Ele enfatizou que os conceitos sobre as barragens estão sendo revisados, seguindo as determinações da portaria 70.389/2017, do Departamento Nacional de Produção Mineral, que criou o Cadastro Nacional de Barragens de Mineração, o Sistema Integrado de Gestão em Segurança de Barragens de Mineração e estabeleceu a periodicidade de execução ou atualização, a qualificação dos responsáveis técnicos, o conteúdo mínimo e o nível de detalhamento do Plano de Segurança da Barragem, das Inspeções de Segurança Regular e Especial, da Revisão Periódica de Segurança de Barragem e do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração.

A barragem da Cimento Tupi, segundo Gil Augusto, é classificada junto ao DNPM como de baixo risco e alto dano potencial associado. “A barragem da mineradora usa a tecnologia de alteamento por linha de centro para o armazenamento de argila. A unidade não fez nenhum alteamento, no entanto, o projeto inicial definia a possibilidade de um alteamento por linha de centro”, afirmou Gil Augusto.

O gerente ainda ressaltou que o Plano de Ação de Emergência foi concluído em agosto de 2018 e está em fase final de implantação. Toda a área da mineradora é monitorada por câmeras de segurança. No prazo de 60 dias a empresa vai instalar as sirenes de alerta para desastres. Também está sendo organizado um treinamento para cerca de mil moradores da Vila dos Remédios, com foco no auto salvamento, rotas de fuga e pontos de encontro centralizados no Ginásio de Esporte Gustavo Pereira, no bairro de Fátima, em Porto Real; no campo de futebol e praça de Nossa Senhora dos Remédios e na portaria da extinta empresa Cilbrás, às margens da Via Dutra.

A planta da empresa foi adquirida pela Cimento Tupi S.A. em 2015. A unidade está com suas atividades paralisadas devido à cota da barragem que já atingiu o limite projetado. Existe um pedido junto à Agência Nacional de Mineração para o retorno comercial da empresa, com fornecimento da argila para a indústria de vidros, argamassa e construção civil, o que aliviaria o volume de resíduos contidos na barragem.

 

Geólogo explica dados técnicos
da barragem da Cimento Tupi

O geólogo geotécnico, Felipe Lemos, responsável pela elaboração do Plano de Ação de Emergência da Cimento Tupi S.A, em Quatis,  disse que as barragens com alteamento a montante podem ter pressões hidrostáticas significativas em sua base, o que pode provocar a perda de coesão do material, levando a sua liquefação.

– O galgamento é causado pela passagem de água sobre a crista da barragem. Essa condição pode ocorrer por ondas formadas no interior da barragem ou por precipitações superiores às especificadas no projeto. Como proteção ao galgamento, é considerado uma borda livre na face interna da barragem de 2 metros. Já os vertedouros estão dimensionados para absorver chuvas com tempo de retorno de mil anos. A passagem de água sobre o barramento provoca a erosão da sua crista e talude de jusante, podendo levar a ruptura. Neste caso não há ruptura global. O sistema de drenagem da barragem de Quatis está superdimensionado, e com suas dimensões conforme especificado em projeto. Os piezômetros controlam o nível da água de percolação no corpo da barragem, não no rejeito – enumerou Felipe Lemos, traçando um comparativo entre as barragens da Cimento Tupi, Mariana e Brumadinho.


Comparativo entre barragens

ALTURA DA BARRAGEM

Cimento Tupi      19 metros

Brumadinho  86 metros

Mariana     150 metros

VOLUME DE ARMAZENAMENTO

Cimento Tupi      204 mil/m³

Brumadinho  11,7 milhões/m³

Mariana     50 milhões/m³

NÚMERO DE ALTEAMENTO

Cimento Tupi      Zero

Brumadinho  10

Mariana     Não foi divulgado

 


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