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Surtos de sarampo acendem alerta para vacinação na região

Matéria publicada em 28 de julho de 2019, 10:30 horas

 


Doença é altamente contagiosa e é transmitida por tosse, espirros, fala ou respiração; única forma de prevenção é a vacina

Vacinação contra o sarampo segue ininterruptamente
(Foto: Marcelo Camargo – Agência Brasil)

Sul Fluminense – Desde março deste ano, o Brasil não possui mais o certificado de país livre do sarampo, concedido pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS). O panorama mudou em 2018, a partir do momento em que casos da doença foram registrados na região Norte, a partir de um surto na Venezuela. A situação piorou recentemente, com a ocorrência de centenas de casos no Estado de São Paulo. Com isso, a doença altamente contagiosa não demorou a ser confirmada na região, pois na semana que passou doze casos foram confirmados em Paraty.

A endemia no Pará, em fevereiro deste ano, foi o marco para a perda do certificado. Sendo que o sarampo havia sido erradicado do país na década de 90. No entanto, recentemente o estado de São Paulo e o município de Paraty elevaram os números nacionais e acenderam o alerta na população. No Estado de São Paulo, de janeiro a 15 de julho, foram confirmados pela secretaria Estadual de Saúde 384 casos de sarampo, mais de 800 casos ainda estão sob investigação. Já em Paraty foram 12 registros.

Diante do cenário, as prefeituras do Sul Fluminense iniciaram campanhas de prevenção à população. Em Barra Mansa, a Coordenadora do Núcleo de Imunização da secretaria de Saúde, Marlene Fialho, destacou que todos os postos de saúde do município estão vacinando contra o vírus. A vacina é aplicada até os 49 anos e vale para vida toda.

– Em caso de perda do cartão ou registro vacinal, a indicação é tomar a vacina novamente. O organismo demora em média de 10 a 15 dias para ter a proteção necessária – disse, acrescentando que: “a vacina é uma medicação, portanto como qualquer medicamento há as precauções e contra indicações. Por isso cabe ao profissional na hora da vacinação realizar a análise correta para certificar se a pessoa pode receber a vacina naquele momento”, destacou.

A coordenadora recomendou à população evitar frequentar os locais em surto da doença e se realmente houver necessidade de ser imunizado, procurar informações em unidades básicas de saúde sobre o assunto.

– Em relação a todas as doenças com formas de prevenção acessíveis por vacina, os profissionais dos postos debatem e reforçam sobre a importância da vacinação em dia – falou.

Em relação ao índice de vacinação, nesses primeiros sete meses, em comparação ao mesmo período do ano passado, em Barra Mansa. Marlene Fialho explicou que: “ainda não é possível fazer essa comparação devido a implantação do sistema de informação, SIPNI, é um sistema que demanda tempo maior para atualização”, frisou. A Coordenadora do Núcleo de Imunização disse ainda que a última vez que Barra Mansa teve registro da doença foi na década de 90.

O Sistema Nominal de Imunização (SI-PNI) é uma iniciativa do Ministério da Saúde, que consiste em reunir informações e fazer o acompanhamento de todas as vacinações que o usuário tenha tomado em qualquer lugar do país. Hoje, em Barra Mansa, 49 salas de vacina estão informatizadas com o sistema de informação do Programa Nacional de Imunização.

Em Volta Redonda, desde 2013 não há registro de casos da doença

O setor de Epidemiologia da secretaria de Saúde de Volta Redonda informou que desde 2013 o município não registra nenhum caso de sarampo e nem recebeu nenhuma notificação da doença. A secretaria também enfatizou que as doses da vacina contra o sarampo estão sendo administrada normalmente nas unidades de saúde, a proteção contra o sarampo faz parte das vacinas Tríplice Viral e Tetra Viral, disponíveis conforme calendário de vacinação do Ministério da Saúde para crianças entre 12 e 15 meses. Além disso, adultos e profissionais de saúde também devem ser imunizados.

Devem ser vacinadas as crianças a partir de um ano e adultos de até 49 anos que não tenham sido imunizados. Aqueles que tomaram as duas doses da vacina não precisam tomar nova dose. Esquema vacinal: crianças a partir de um ano de idade até pessoas de 29 anos, duas doses. Pessoas de 30 a 49 anos, uma dose. Profissionais de saúde de qualquer idade, duas doses, já para gestantes, a vacina é contraindicada.

– Acima dos 49 anos o Ministério da Saúde entende que você tomou a vacina através de campanhas ou doses de rotina e não guardou o cartão ou que já teve contato prévio com a doença e desenvolveu a imunidade. Portanto, na faixa etária acima dos 50 anos o Ministério não indica a vacinação. A vacina também não pode ser administrada em gestante e nem em conjunto com a da Febre Amarela. Deve ter um intervalo de 30 dias entre as duas vacinas – disse a coordenadora, Milene de Souza Silva, da divisão de Vigilância Epidemiológica.

Em Quatis, doses da vacina são aplicadas nos postos de saúde e na Casa da Criança

A vacinação de rotina contra o sarampo continua sendo realizada pela secretaria de Saúde nos quatro postos do Programa Saúde da Família, nas unidades básicas da zona rural e na Casa da Criança, dentro do calendário anual de imunização da prefeitura.

As doses são aplicadas de segunda a sexta-feira, de 8h às 17h, nos postos do Programa Saúde da Família dos bairros Nossa Senhora do Rosário (Clínica da Família), Mirandópolis, Jardim Independência e Jardim Pollastri; nas unidades básicas de saúde dos distritos de São Joaquim e Falcão, ambos situados na zona rural, e na Casa da Criança, no Centro de Quatis, próxima à igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário.

– Por enquanto, a vacinação em Quatis segue a programação de rotina, ou seja, o calendário anual. Ainda não recebemos nenhuma orientação da secretaria estadual visando intensificar a campanha de vacinação para determinados segmentos da população. Nos próximos dias, deverei participar de uma reunião no Rio de Janeiro e qualquer orientação das autoridades estaduais para reforçar a campanha no estado vai ser informada prontamente à população – disse Wendell, coordenador do Programa de Imunização.

Autoridades médicas do Ministério da Saúde esclarecem que gestantes, pessoas com baixa imunidade ou gripadas, pacientes em tratamento contra o câncer e pacientes portadores de doenças que derrubam o sistema imunológico, entre elas, a AIDS, devem se consultar com um médico antes de procurar pela vacina contra o sarampo.

Principais sinais da doença:

Febre alta, acima de 38,5°C;
Dor de cabeça;
Manchas vermelhas, que surgem primeiro no rosto e atrás das orelhas, e, em seguida, se espalham pelo corpo
Tosse;
Coriza;
Conjuntivite;
Manchas brancas que aparecem na mucosa bucal conhecida como sinal de koplik, que antecede de 1 a 2 dias antes do aparecimento das manchas vermelhas.

As manifestações clínicas são divididas em três períodos

Período de infecção: dura cerca de sete dias, onde surge a febre, acompanhada de tosse seca, coriza, conjuntivite e fotofobia. Do 2° ao 4° dia desse período, surgem as manchas vermelhas, quando se acentuam os sintomas iniciais. O paciente apresenta prostração e lesões características de sarampo: irritação na pele com manchas vermelhas, iniciando atrás da orelha (região retroauricular).

Remissão: caracteriza-se pela diminuição dos sintomas, com declínio da febre. A erupção na pele torna-se escurecida e, em alguns casos, surge descamação fina, lembrando farinha, daí o nome de furfurácea.

Período toxêmico: o sarampo é uma doença que compromete a resistência do hospedeiro, facilitando a ocorrência de superinfecção viral ou bacteriana. Por isso, são frequentes as complicações, principalmente nas crianças até os dois anos de idade, em especial as desnutridas e adultos jovens.

A ocorrência de febre, por mais de três dias, após o aparecimento das erupções na pele, é um sinal de alerta, podendo indicar o aparecimento de complicações, sendo as mais simples: infecções respiratórias; otites; doenças diarreicas e neurológicas.


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