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Vacina contra Covid-19 gera dúvidas entre gestantes

Matéria publicada em 4 de maio de 2021, 20:54 horas

 


Obstetras, no entanto, ressaltam que risco do imunizante é menor do que possíveis complicações por Covid

Sul Fluminense – Recentemente o Ministério da Saúde autorizou a vacinação contra a Covid-19 para gestantes e puérperas e, com isso, alguns municípios da região já iniciaram o processo de imunização para esse público. Com a nova regra, mulheres com mais de 18 anos e com idade gestacional a partir da 16ª semana já podem tomar a primeira dose da vacina, no entanto, algumas ainda estão com dúvidas e receios com relação aos imunizantes.

É o caso da comerciária Natália Souza da Silva, de 22 anos, que está grávida de 28 semanas e ainda não sabe se irá se vacinar. De acordo com ela, que precisa se expor ao contato com o público, por trabalhar no comércio, a vacina seria um alívio para a reta final da gravidez, contudo, ela vai aguardar  a posição e a orientação da sua obstetra para tomar a decisão.

“Eu tenho medo de ser infectada com a Covid porque preciso pegar ônibus todos os dias, porque lido com muitas pessoas no trabalho, mas ainda não estou segura para tomar a vacina e só vou fazer isso depois da minha consulta, de ouvir da minha médica se devo ou não, se existe risco de reações tanto para mim quanto paro meu filho”, ressaltou Natália.

Grávida de 15 semanas, a funcionária de uma lanchonete, Amanda dos Santos, de 24 anos, está ansiosa para completar 16 semanas e poder se imunizar, mas também afirma que tem receio e que primeiro irá conversar com seu obstetra. Conforme ressalta Amanda, muitos são os comentários em torno da vacina entre as gestantes e isso, segundo ela, contribui para que muitas mulheres na mesma situação fiquem inseguras.

“Minha gravidez está no começo e a vacina seria ótimo para que eu pudesse trabalhar mais tranquila e protegida contra essa doença. Mas, ao mesmo tempo, bate a dúvida porque já ouvi falar, por exemplo, que determinada marca de vacina pode ter mais risco para a gestante sofrer uma trombose. Por outro lado, tenho uma amiga que mora nos Estados Unidos, que está grávida de 34 semanas e que tomou a vacina e está super bem, ela e o feto. É muita informação e por isso o mais correto vai ser confiar na minha médica e fazer o que ela recomendar”, acrescenta.

A enfermeira Elaine Cristina Tavares, de 44 anos, está na segunda gestação e grávida de 26 semanas. Ela, que trabalha no setor administrativo de um hospital, teve pré-natal nesta terça-feira (4)  e um dos motivos da consulta foi tirar dúvidas com relação à vacina.  Conforme contou, a orientação da obstetra foi para que tomasse a vacina, uma vez que o risco de não tomar e adquirir a doença é muito maior do que se estiver imunizada.

“Diante do cenário que estamos vivendo, do que ela me falou, sobre alguns casos de complicações em gestantes que pegaram a Covid e sobre o risco de ter uma trombose com determina vacina, por exemplo, ser muito menor do que os malefícios da Covid, eu decidi que vou tomar. Não estou 100% segura, mas vou seguir o que a médica disse e confiar que tudo vai dar certo”, disse.

Cada caso deve ser conversado com obstetra

De acordo com a obstetra Thais Goulart Teixeira, embora as orientações com relação às vacinas em gestantes sejam bem variáveis, o procedimento não é obrigatório e sim recomendado pelas sociedades de ginecologia e obstetrícia. Conforme ela explica, as pesquisas sobre a ação da vacina contra a Covid-19, como na maioria das vezes, não incluíram gestantes na fase de testes justamente porque na época não se tinha conhecimento se poderiam causar algum problema na evolução da gestação.

Porém, conforme observa, os resultados atuais são de mulheres que tomaram como voluntárias, sem saber que estavam grávidas, e que não  tiveram efeitos colaterais diferentes das não gestantes.

“O ideal é que caso a caso, das gestantes que estão aptas a tomar a vacina, seja conversado com os obstetras. Mas, é importante ressaltar que na gestação as mulheres estão mais predispostas a infecções virais de uma forma geral, por conta do conjunto de alterações maternas que acontecem e,  infelizmente, temos tido muitos casos de desfechos ruins tanto maternos quanto fetais em mães infectadas com Covid, mesmo em casos leves. É baseado nisso, nos bons resultados na fase de testes na população geral e na análise de outras vacinas com vírus inativados, que as gestantes e  puérperas estão  liberadas  a tomarem a vacina”, concluiu Thais.

A médica obstetra, Mariana Xavier, entende o receio de algumas gestantes com relação às vacinas, no entanto, conforme ressalta, embora realmente não existam estudos envolvendo esse público, também não estão sendo observados problemas relacionados às mulheres que já foram imunizadas.

“Eu tenho recomendado as minhas pacientes a tomarem sim, desde que tenham mais de 18 anos e mais de 16 semanas de gestação. E procuro tirar as dúvidas para que se sintam seguras. É importante que todas saibam, por exemplo, que não podem se vacinar aquelas que tiveram Covid recentemente e que, aquelas que tomaram a vacina contra a H1N1 precisam de um intervalo de 15 dias para se imunizar contra a Covid”, ressaltou a médica.


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