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Documentário da Polícia Militar estreia no Teatro Gacemms

Matéria publicada em 1 de outubro de 2019, 15:09 horas

 


Documentário enaltece a bravura daqueles que, enquanto trabalhavam, foram mutilados de alguma forma

 

Autoridades policiais da região prestigiaram a estreia do documentário no teatro (Foto: Divulgação)

Volta Redonda – Estreou nesta segunda-feira (30), no teatro Gacemms, na Vila Santa Cecília, em Volta Redonda, o documentário ‘Heróis do Rio de Janeiro’, idealizado e produzido por policiais militares do Estado do Rio de Janeiro. Além de abordar a atual situação de policiais militares que foram gravemente feridos durante o exercício da profissão, o documentário enaltece a bravura daqueles que, enquanto trabalhavam, foram mutilados de alguma forma e busca prestigiar e honrar todos os PMs.

O filme mostra o lado humano dos agentes de segurança com depoimentos reais e dramáticos sobre os conflitos vividos e as perdas para a corporação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) nos últimos anos. Além da apresentação do documentário, uma exposição fotográfica foi montada na entrada do teatro com imagens de todos os policiais feridos durante o exercício da profissão.

De acordo com o Cel Fábio da Rocha Bastos Cajueiro, do Rio de Janeiro e um dos idealizadores do projeto, a ideia da produção do filme surgiu após uma pesquisa levantada dentro da própria corporação.

– Nós começamos a pesquisar sobre o problema de mortos e feridos na PM em 1994 por conta própria. Detectamos que os números apresentados eram compatíveis com números de guerra e confirmamos isso com pesquisas que foram mostradas inclusive no filme. O documentário veio de uma palestra que a gente fez e uma senhora, após se interessar, nos ajudou gratuitamente. Nós da PM filmamos e ela editou. Produzimos juntos. O filme mostra uma realidade da polícia pouco conhecida: uma realidade em que policiais têm trajetórias e ações de heróis – comentou.

Após a apresentação do filme, uma roda de conversa foi iniciada, permitindo que dados estatísticos desde o ano de 1994 até 2018, fossem apresentados pelo Cel Cajueiro. Com isso, análises quantitativas e comparativas com guerras neste período foram destacadas. Segundo os dados, o número de policiais mortos foi de 3.508; enquanto o número de policiais feridos foi de 15.881 e o de registro de baixas foi de 19.389.

De acordo com dados apresentados pelo Cel Cajueiro durante a apresentação, muitos policiais militares foram afastados. Alguns por invalidez, outros por recomendação psiquiátrica, após o impacto psicológico causado. Outro fato que chamou a atenção, foram os custos gerados após essa ‘Guerra Urbana’, como eles chamam. O cel fez questão de ressaltar que se houvesse mais investimentos na prevenção e em equipamentos de segurança, os custos para o Estado seriam menores.

– Os custos para o Estado e para a Polícia Militar são altos. Os custos gerados se dividem entre: exames médicos, cirurgias, custos com enfermeiros, custos com médicos, custos com psicólogos, compras de remédios, órteses, próteses, custos com hospital. Se os investimentos com equipamentos de segurança fossem maiores, os custos para o Estado seriam menores – disse.

Policiais Militares acompanharam a apresentação do documentário (Foto: Divulgação)

Um dos PMs que prestigiaram a estreia do documentário nesta segunda-feira foi o policial militar reformado, Alexsander de Oliveira Silva. Ele foi atingido por uma granada no dia 25 de junho de 2011, durante um dia de trabalho em uma ocorrência em uma UPP, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele perdeu as duas pernas.

Em entrevista ao DIÁRIO DO VALE ele relatou com detalhes o que aconteceu naquele dia e ressaltou que o apoio de seus familiares, amigos e da corporação foram fundamentais para sua recuperação.

– Durante um dia de trabalho, fui atingido com uma granada. Outros policiais também foram, mas eu fui o policial que teve as lesões mais graves. Perdi os membros inferiores – as duas pernas -, fiquei onze dias em coma e 23 dias ao todo, internado. Graças a Deus sobrevivi a esse fato. Graças a Deus também, tenho uma estrutura familiar. Sou casado, pai de dois filhos, tenho amigos que me ajudam até hoje. Conheci pessoas maravilhosas nos decorrer do caminho. Quando a gente entra para trabalhar em qualquer profissão, a gente jamais entra para perder a vida, que é o nosso bem maior. Com a ajuda dos meus familiares, amigos e da corporação, acho que passei bem por essa etapa. Acho que a estrutura familiar nessas horas ajuda muito – disse emocionado.

Alexsander ressaltou que ainda tem contato e convive com amigos de farda. Segundo o PM reformado, a ideia do documentário ajuda a dar visibilidade para todos os policiais que já sofreram em campo.

– Não me arrependo em momento algum em ter entrado para a polícia, independente do que aconteceu comigo. Se eu tivesse que fazer, faria tudo de novo. O sentimento que fica é esse: que entrei para prestar e fazem um bom trabalho para a sociedade e assim o fiz. Não contava que isso algum dia iria acontecer comigo. Tenho amigos hoje que fazem questão de que eu participe de tudo que acontece dentro da polícia e não deixam que eu seja esquecido. Esse projeto veio pra dar uma visibilidade para todos nós – completou.

Comandante do 28º BPM discursou durante apresentação (Foto: Divulgação)

Segundo a comandante do 28º BPM, Tenente Coronel Luciana de Oliveira, a discussão sobre o assunto é importante. Ela lembra que a PM está ao lado da população e reforça que a população deve apoiar os policiais, que, em busca do servir, se colocam em risco.

– Tivemos a presença de vários heróis, policiais vitimizados nessa guerra que a gente passa em todo o Estado do Rio de Janeiro. O objetivo desse evento é trazer à sociedade, a discussão sobre esse assunto, para mostrarmos que ainda somos aquele muro, aquela barreira entre o bem e o mal. Estamos aqui para defendermos as pessoas de bem, mas às vezes, nos falta um pouco de apoio e carinho conosco. A população precisa entender que a PM está ao seu lado, se colocando em risco e necessita de apoio. Esse filme mostra que somos verdadeiros heróis. Damos a nossa vida pela sociedade e queremos fazer com que a sociedade pense, repense e nos ajude. Segurança não se faz só com a polícia. A gente está precisando de ajuda e não é somente financeira. A gente precisa de muita discussão e que a população se envolva junto conosco nesse debate, sobre como acabar com isso – comentou.

A comandante fez questão de convidar a população a acompanhar o conteúdo, que será disponibilizado na internet e nas escolas.

– Convido às pessoas para assistirem nosso filme. Nosso vídeo já está nas redes sociais. Nesta segunda-feira foi uma apresentação especial para os policiais e convidados. Vamos levar esse filme para as escolas e faculdades também, para que haja a discussão com os estudantes, professores, e toda a sociedade. Precisamos muito do apoio de todos. A sociedade precisa contar conosco e a gente conta com a sociedade. Meu pedido é que a população nos ajude denunciando através do disk denúncia, toda irregularidade vista na cidade através do 08000 260667.  Pedimos que a população nos conte o que está vendo, o que quer que mude, para a gente poder ajudar. Esse é o nosso papel – finalizou.

A apresentação desta segunda-feira (30) contou com a presença de diversas autoridades policiais. Entre elas: a comandante do 28º Batalhão da Polícia Militar, Tenente Coronel Luciana de Oliveira, o coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Fábio da Rocha Bastos Cajueiro, o comandante do 5º CPA, Coronel Maia, entre outros policiais da região e capital.


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4 comentários

  1. Avatar

    A população quer saber de filme não a gente quer segurança policiamento nos bairros que prendam os bandidos e leva preso não ficar pegando dinheiro deles fazendo vista grossa e deixando eles a vontade e cada vez mais com dinheiro bem armados e destruindo famílias

  2. Avatar

    Palhaçada prefiro assistir tropa de elite e ver a realidade do que acontece de verdade fala sério!!!

  3. Avatar

    Se a Polícia Militar quiser melhorar a imagem vai ter q mudar muita coisa, principalmente na forma como aborda pobres e negros.

    • Avatar
      Chega de hipocrisia

      Falou tudo o leitor zero! E acrescento ainda;
      Tem que fazer um filme (documentário) das famílias que foram “mutiladas” com a perca de seus filhos e pais de família por pms despreparados e corruptos.
      E sobre a dica de assistir esse filme (documentário) de pms mutilados; prefiro assistir de novo tropa de elite 2. Pois é a realidade do Rio de Janeiro.
      Ainda bem que nosso país é democrático, e o diário do vale nos dá a oportunidade de nos expressar.
      Quem venham os MIMIMIS e defensores falarem o que quiser. Cada um tem a sua opinião! E eu não mudo a minha!

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