Estudante de Pinheiral tem foto usada em perfil falso na internet e procura MP

by Diário do Vale

Pinheiral

Desde o último domingo, quando teve uma foto sua usada em um perfil falso com declarações preconceituosas contra o estado do Maranhão, no site de relacionamentos Facebook, a moradora de Pinheiral e estudante de Direito, Amanda Amorim, de 22 anos, vem sofrendo ameaças, humilhações e sendo motivo de piada. Por isso, a jovem entrou em contato com os Ministérios Públicos de Pinheiral e também de Imperatriz (MA) e pretende acionar os responsáveis pelo transtorno judicialmente.
– Essa situação é preocupante, ainda mais pela repercussão que teve, tive que tomar algumas medidas de segurança devido à quantidade de ofensas e ameaças que venho sofrendo – desabafou ela, que disse que foi até a delegacia onde fez um registro de ocorrência pelo uso da imagem dela.
A estudante revelou que só ficou sabendo que sua imagem estava atrelada ao perfil falso depois que recebeu vários telefonemas e mensagens enviadas por amigos que viram uma reportagem em um site de notícias nacional. Por isso, Amanda disse que está tomando todos as medidas legais, inclusive, contra os veículos de comunicação que publicaram reportagens com a sua imagem.
– O registro de ocorrência já foi realizado, assim como, já encaminhei a cópia do registro de ocorrência juntamente com a reportagem para o Ministério Público de Pinheiral, e já comuniquei o Ministério Público do Maranhão e o promotor responsável pelo caso está ciente. Quanto aos responsáveis pela matéria, as medidas cabíveis já estão sendo tomadas para responsabilizar todos os veículos de comunicação que vincularam a minha imagem indevidamente – afirmou.

Entenda o caso

O perfil identificado como Isabela Cardoso e que usava as fotos de Amanda publicou na rede social um comentário com ofensas ao povo e ao estado do Maranhão. No texto ela dizia: “Finalmente em casa, depois de 1 ano e 7 meses na Suzano de Imperatriz eu e meu esposo retornamos a nossa cidade. Estado pobre, kkkkkkkkkk. A cultura maranhense é horrível. O carnaval é um lixo. Tal de bumba meu boi, tambor de crioula. A maioria das mulheres são (sic) piriguetes e os homens malandros. Mais da metade das pessoas são semi-analfabetas”.
De acordo com o Ministério Público do Maranhão (MPMA), Isabela, que seria gaúcha, morava em Imperatriz, segunda maior cidade do estado, e seria esposa de um funcionário da empresa Suzano Papel e Celulose. Os promotores Joaquim Ribeiro Junior, Alessandro Brandão e Ossian Bezerra, da Comarca de Imperatriz, instauraram na última segunda-feira, Procedimento de Investigação Criminal para apurar as circunstâncias em que ocorreram as afirmações proferidas.

Crime

De acordo com os representantes do MPMA, o art. 20 da Lei 7.716/89, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, estabelece como crime “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião ou procedência nacional”.
Os promotores destacam, ainda, que se qualquer dos crimes previstos é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, os condenados estão sujeitos à pena de reclusão de dois a cinco anos e ao pagamento de multa.
“A Constituição Federal repudia discriminação de qualquer natureza. O que torna o povo brasileiro especial é justamente sua diversidade. O Ministério Público do Maranhão adotará posições firmes com o objetivo de coibir práticas dessa natureza”, afirmou o promotor Joaquim Ribeiro Junior, em nota enviada à imprensa.
No mesmo documento, o MPMA diz que também solicitou à Justiça a notificação do responsável pelo setor de Recursos Humanos da empresa Suzano em Imperatriz para prestar esclarecimentos. E que no final do domingo, a assessoria da empresa Suzano Papel e Celulose disse que desconhece a jovem e que o caso foi encaminhado ao seu setor de Recursos Humanos. Por meio de nota a empresa pediu desculpas pelo ocorrido e destacou que se trata de uma opinião particular, mas que repudia esse comportamento preconceituoso. A Suzano Papel e Celulose disse ainda que “está plenamente satisfeita em estar presente no Maranhão e só tem a agradecer ao povo maranhense pela forma como foi acolhida”, além de frisar que está à disposição para colaborar com quaisquer investigações.

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1 comment

JRMA 5 de março de 2015, 07:32h - 07:32

A pessoa esclarecida é outra coisa, vai atrás de seus direitos, corretíssima.
parabéns pela disposição.

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