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Presença de usuários de crack é cada vez maior em bairros de Barra Mansa

Matéria publicada em 8 de novembro de 2015, 08:00 horas

 


De acordo com a população, situação é crítica em localidades como a Boa Sorte, Nova Esperança e Ano Bom

Barra Mansa – Um problema persistente nos bairros Ano Bom, Boa Sorte, Piteiras, São Luís e Nova Esperança amedronta os moradores: a presença cada vez mais constante de dependentes de crack. O fato tem tirado o sossego e deixado um rastro de insegurança na vida de moradores e comerciantes dessas áreas. Além do convívio diário com pessoas, às vezes, em estado de alucinação, ainda o risco de furtos e assaltos por parte dos usuários que tentam conseguir dinheiro para sustentar o vício.
A presidente da Associação de Moradores da Boa Sorte, Nádia Maciel Fragoso, disse que a cada dia aumenta a presença de usuários nas ruas do bairro. Segundo ela, entre grupo de dependentes que se concentram no bairro existem até mesmo crianças que fazem o uso da droga
– Infelizmente, nosso bairro vive uma situação grave com relação ao grande número de pessoas usando crack. Além da área próxima à beira da linha, muitos utilizam as casas abandonadas na Rua Leonísio Sócrátes Batista ou então se concentram na Rua 5 para fumar droga. A associação de moradores tem feito o possível para ajudar essas pessoas, que na maioria dos casos têm família, que eram trabalhadoras, mas nem tudo está ao nosso alcance. Conseguir uma clínica para eles, por exemplo, é muito difícil – disse a presidente.
Segundo Nádia, a situação se torna ainda maior no período da madrugada, quando homens, adolescentes, mulheres e até gestantes se juntam para consumir a droga em um desses locais. Com apoio da Igreja Metodista e do Grupo Solidariedade, a associação vem buscando a reabilitação dos dependentes químicos com encaminhamentos para o espaço conhecido como Doze Tribos, que faz o acolhimento de usuários de drogas.
– Nós buscamos ajudar porque é realmente uma situação muito triste. Muitos chegam até nós, chorando, pedindo ajuda para largar o crack. O grupo de usuários aqui no nosso bairro é grande e isso passa muita insegurança para os moradores e comerciantes do bairro. Vêm pessoas de todos os lugares usar crack por aqui. Dias desses, um caminhoneiro parou a carreta e ficou uma semana no meio deles. Em outro caso, um casal veio com dois filhos e as crianças acabaram tendo que receber cuidados da população. É muito comum mulheres chegarem arrumadas e logo depois já estarem descalças por terem trocado o calçado pela droga. Enfim, é uma situação caótica – ressaltou a presidente.

Insegurança

Moradora do bairro Nova Esperança, a dona de casa Fabiana da Silva Gonçalves, de 26 anos, afirma que o que mais incomoda os moradores é  a sensação de insegurança provocada pelos usuários. Ela, que leva o filho todos os dias para estudar no bairro Boa Sorte, conta que, ao retornar para casa, sempre por volta das 13h30min, já foi abordada várias vezes por usuários que utilizam terrenos baldios na Rua Florianópolis.
– Dias desses, tinha um rapaz de aproximadamente 30 anos com uma bolsa cheia de latas de leite em pó, oferecendo por um preço bem inferior. .Ele me abordou, falei que não queria e ele ficou meio alterado. Minha sorte foi que uma pessoa conhecida passou de carro e parou pra perguntar se precisava de ajuda. Certamente, ele estava vendendo o leite para comprar a droga. E podia ter me assaltado, já que não quis comprar. Isso acontece com muita frequência. Sempre tem usuário na “nóia” (sic) parando a gente e querendo vender alguma coisa – destacou a dona de casa.
No bairro Ano Bom, a situação não é diferente. Quem passa nas imediações da ponte Ataúlfo Pinto dos Reis, “Ponte dos Arcos” e quem precisa cortar a Avenida Presidente Kennedy, no mesmo bairro, também ainda não se acostumou com a presença de usuários de crack no local. De acordo com a contadora Viviane de Araujo Machado, de 36 anos, ela e o marido evitam passar pela avenida, durante o período noturno.
– Se durante o dia a situação já é complicada, com homens e mulheres visivelmente transtornados, a situação fica ainda pior à noite. Depois que uma conhecida foi assaltada por um ‘cracudo’ e ficou sem o celular e quase todo seu pagamento, evito passar pela presidente Kennedy à noite – salientou a contadora.

Novos casos

Responsável pelo acompanhamento de usuários de drogas e álcool no município, o Espaço Reviver, localizado na Rua Pedro Vaz, no Centro, é a referência para dependentes químicos. De acordo com a coordenadora do local, Renata de Fonte, além de pessoas em situação de rua encaminhada pelo Centro Pop, que funciona no Ano Bom, o espaço também acolhe usuários encaminhados pelos PSFs (Programa de Saúde da Família), pela Santa Casa de Misericórdia e Secretaria de Assistência Social, além de também atender a demanda espontânea de pessoas que buscam ajuda para abandonar as drogas.
Somente este ano, numa balanço feito pela coordenação do Espaço Reviver, 18 novos casos de usuários de crack chegaram até o setor, no período de janeiro a outubro desse ano.
– Quando um usuário de drogas ou álcool chega no espaço ele é acolhido pelos profissionais de plantão, geralmente um assistente social ou psicólogo, e, de acordo com a avaliação clínica, é encaminhado para acompanhamento com escuta individual, para o grupo terapêutico, oficinas, grupo de mulheres e atendimento psiquiátrico Havendo necessidade, o usuário também é encaminhado para desintoxicação na Santa Casa e, caso ele não esteja apto a continuar conosco, é indicado para internação no Centro de Acolhimento Regionalizado (CARE), em Campo Grande ou em Santa Cruz, no Rio – explicou Renata.

Prevenção às drogas

De acordo com a coordenadora do Compod (Coordenadoria de Políticas Públicas sobre Drogas), Emília Nascimento, o município vem realizando, por meio da coordenadoria, um trabalho intenso de prevenção às drogas e a violência. Umas das ações do Compod, segundo ela, foi ter garantido a retomada do grupo da Sobriedade, em Barra Mansa, que vem ajudando a muitos usuários de drogas e álcool. Outro trabalho realizado pela coordenadoria é o apoio prestado às famílias dos usuários e as ações do projeto Força Tarefa, que oferece uma rede de atendimento aos dependentes químicos.
Conforme explicou Emília, não existe dificuldade para internação dos usuários de drogas, no entanto, as equipes de abordagem não podem forçá-los a optarem por esse tipo de tratamento.
– A equipe é formada por técnicos, assistentes sociais, psicólogos, entre outros profissionais. Eles vão até esse usuário e os encaminha para o Centro Pop para que possa passar por uma triagem. Se a pessoa estiver disposta a um tratamento ela vai para o Espaço Reviver e, lá, é avaliada a sua necessidade de internação. Não há dificuldades. Se a família e os profissionais entendem que a internação é a melhor opção, eles podem ser acolhidos em um dos Cares – esclarece a coordenadora.

 

Viciados: Usuários de crack podem ser vistos debaixo da ponte que liga do Centro de Barra Mansa ao Ano Bom (Foto: Arquivo)

Viciados: Usuários de crack podem ser vistos debaixo da ponte que liga do Centro de Barra Mansa ao Ano Bom (Foto: Arquivo)

Integrar viciados à sociedade ajuda na recuperação, dizem especialistas

“Conheço usuários de crack com mais de 50 internações e que não melhoraram em nada, isso se não estiverem um pouquinho pior”. O depoimento é de Raul Garcia Júnior, de 47 anos, que foi viciado durante 35 anos e conseguiu, sozinho, superar o vício. Para ele e para profissionais que estudam o assunto, o tratamento mais eficaz para combater o vício precisa envolver as famílias e a sociedade e depende de uma integração entre os serviços de saúde.
Isaldo Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Unifesp, estuda o assunto há 50 anos. Segundo ele, é preciso uma mudança na concepção sobre a melhor maneira de combater o vício.
“Sempre estamos batendo nas mesmas teclas, não tem havido progresso na evolução do tratamento ou da compreensão do problema de usar drogas”, declarou. “Estamos fracassando nesse assunto”, acrescentou.
Carlini defende ouvir, primeiramente, o que o usuário tem a dizer e depois decidir sobre as melhores estratégias para o tratamento de usuários de crack. No caso de Raul, a compreensão dos parentes foi o que mais ajudou. “A falta de informação faz achar que a melhor forma de lidar com o viciado é internando. Mas carinho, afeto e até uma conversa funcionam bem mais. Se internar [o viciado], é um monte de ‘nóia’ junto. É difícil, acho que a pessoa sai até um pouco pior”, disse ele.
Marta Ana Jezierski, médica psiquiatra e pesquisadora do Cebrid, lembra que a sociedade passou ao menos 200 anos acreditando que a melhor forma de tratamento era isolando o usuário. “Esses hospitais, desde que fossem longe, passavam a ser um mundo alternativo onde as pessoas ficavam internadas”, explica.
O ex-usuário de crack José Francisco da Silva, de 50 anos, hoje trabalha com reciclagem e participa da Associação Brasileira dos Consultórios de/na Rua (Abracoru) em Guarulhos, uma iniciativa que leva atendimento de saúde em vans à população em situação de vulnerabilidade nas ruas. José foi viciado por 15 anos, tendo vivido na cracolândia em São Paulo. Ele também perdeu o contato com a família depois de vendar pertences de seus parentes para conseguir comprar a droga.
José cita a dificuldade de acesso aos recursos do poder público, como atendimento médico e psiquiátrico. “O pessoal da abordagem vinha só para agredir a gente. Alguns já chegavam espancando, mas nós também somos cidadãos. O pessoal de rua também tem o direito de ir e vir, mas nossos direitos são violados”, lamentou.
A questão de melhorar o acesso aos recursos públicos é importante para a recuperação dos usuários, defende Marta Ana Jezierski. “Os recursos de saúde são vistos como castelos fortificados, com grande dificuldade de acesso”. Em razão do estigma e preconceito, muitos pacientes que são viciados acabam sendo abandonados pelo sistema de saúde. “É uma dura realidade que a gente vive ainda”, declarou. Na opinião da médica, um dos pontos mais importante a ser discutido é a integração entre saúde mental e o restante dos serviços de saúde pública.
As informações são da Agência Brasil.


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17 comentários

  1. Se tem muitos usuários é pq tem traficantes. Kd a sociedade q clama por justiça q não denúncia as bocas de fumo. Falar em mandar pra clínica é fácil. Tem é q cortar o mal pela raíz.

    • Usuário pode existir sem traficante, mas o traficante só existe por causa do usuário. Mal cortado pela raiz é um mundo sem usuários, me desculpe a franqueza… Se em nossa sociedade vigorasse a ordem natural das coisas, os fracos (dependentes químicos, alcoólatras e fanáticos de todos os tipos), covardes, criminosos e traficantes já não fariam parte da cadeia alimentar e o planeta sofreria bem menos com o excesso de escória humana a pressionar seus limitados recursos… Eles não sobrevivendo não teríamos o risco deles reproduzirem seus gens defeituosos nas gerações futuras, mas hoje acontece justamente o contrário. Quem mais tem filhos é quem menos deveria tê-los. O futuro é sombrio…

  2. Não só nos bairros citados acima, no bairro Saudade há um acumulo de usuário bem ao lado do parque de Saudade. Nem a presença da guarda municipal os intimida. Fora que o prefeito esteve lá para anunciar que iriam fechar o acesso a valeta do crack, mas promessas são promessas. E assim os moradores do bairro continuam sofrendo assaltos dos usúarios alucinados após o uso da droga… Essa é Barra Mansa, não existem mais obras, só roubo!

  3. Como se a policia e os governantes não soubessem exatamente onde está o comércio das Drogas!
    Já fui Usuário e tive contatos nas ´´bocas´´ e sempre foi explicito o ´´arrego´´ com a Policia.
    Muita gente já deve ter ouvido falar no ´´Guilhermão´´que comandava a Delgado, e havia também um policial que tinha uma Landau, que nao me recordo o nome que também tinha comando em bocas

    Eles fingem que não sabem.

    VILA DELGADO, GETULIO VARGAS, LAZAREDO…
    Sendo a Delgado na cara de todo mundo e o Lazaredo a 100 metros da delegacia de Barra Mansa

  4. REALIDADE É ISSO AI..

    NÃO NESSA MESMA BARRA MANSA QUE SEMANA PASSADA VEIO ESSES DIZERES.
    “melhor cidade em qualidade de vida do interior do estado ”
    COMO AVIA FALADO CONVERSA FIADA, A REALIDADE TA AI , PESSOAS QUE REALAMENTE NECESSITA DO PODER PÚBLICO ABANDONADAS, BM NÃO CUIDA DOS SEUS, SO CONVERSA…..

  5. Infelizmente o poder público do município nada faz de concreto para promover ações que venha acolher e tratar estes doentes.

  6. Em um país onde bandidos governam, valorizam bandidos, eduardo cunha solto, direitos humanos só para bandidos, justiça omissa, prefeito de barra mansa ABANDONA a cidade, etc….

    Está aí o resultado e vai piorar.

  7. Muitos já clamam...

    E Vc Gustavo deve ser um “merdha” como os demais alienados deste país… Opinião é minha e phodhace a sua!

  8. Muitos já clamam...

    Corrigindo: PRESENCIAMOS*

  9. Muitos já clamam...

    Corrigindo: PRESENCIAMOS *

  10. Em volta redonda temais cracudo do que tudo. É só ir ao lado do sindicato dos vigilantes e ninguém faz nada. E agora eles estão indo para as praças do aterrado. O governo tem que fazer alguma coisa, não é mandar a Guarda municipal no local não. Tudo é a Guarda , basta!!!! Faz a sua parte governo!!!!!!

  11. Essas pessoas deveriam ser ajudadas pela ¨melhor cidade em qualidade de vida do interior do estado ¨

  12. Muitos já clamam...

    Exército por favor intervenha no Estado por um período, ninguém aguenta estes políticos de esquerda, de direita, de centro, extra terrestres etc… Que só pensam acabar com país saqueando ou fazendo acordos para dilapdar os cofres públicos… Dão falso assistencialismo que resulta nesta pobreza social que precensiamos hoje! Quando moleque peguei fim da intervenção e o que se via era moral e bons costumes!

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