Especialistas dizem que Estado pode ter racionamento a partir de agosto

Por Diário do Vale
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Rio

Apesar das chuvas dos últimos dias, que serviram para aumentar o volume de água nos principais reservatórios dos estados do Sudeste, a crise hídrica está longe de ter um fim. Assim como em São Paulo, onde o governo estuda um possível racionamento, no Rio a situação não está diferente. Especialistas alertam que o desabastecimento de água no estado deve ser enfrentado ainda em 2015. Segundo eles, para amenizar os prejuízos, serão necessárias intervenções como o reflorestamento e pequenas obras para facilitar a penetração da água no solo.

O alerta é feito pelo coordenador do curso de especialização em Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Adacto Ottoni. Na previsão dele, se as chuvas não se intensificarem, o risco é que a população sofra um racionamento a partir de agosto. A Prefeitura  do Rio não descarta medidas para a economia de água e de energia. O estado convive com a pior seca dos últimos 84 anos, segundo a Secretaria Estadual do Ambiente.

– Se cair pouca chuva [até abril, antes do período de estiagem], podemos ter um colapso. Se não for neste ano [agosto], será no ano que vem, quando as Olimpíadas [2016] coincidem com o período de seca e haverá dezenas de milhares de pessoas no Rio – destacou Ottoni, que é também assessor de meio ambiente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ).

Segundo ele, apesar de as chuvas serem determinantes para o futuro da população fluminense, o grande problema de abastecimento atualmente é a degradação das bacias hidrográficas, que não conseguem mais reter a água e infiltrá-la na terra, nos lençóis freáticos.

– Não adianta chover para ter água se não tiver floresta para reter. A água gera enchente, inundação e depois a população fica sem. Ou seja, convive com racionamento e com a enchente – disse, lembrando que a floresta também amortece enxurradas, que provocam desabamentos.

Essa também é a avaliação da vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), Vera Lúcia Teixeira, que desde 2013 alerta para a situação dos rios que abastecem São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

– O que a gente não vê é como recuperar e revitalizar essa bacia – ressaltou. A seu ver faltam propostas concretas tanto do Governo Federal quanto do Governo Estadual. O comitê só faz recomendações e depende de políticas municipais e estaduais, como o saneamento. “Precisamos retirar o esgoto dos rios e os investimentos são poucos”, ressalta.

 

Liberação de verba

 

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou ontem a liberação de R$ 360 milhões de R$ 930 milhões previstos para um plano de segurança hídrica até 2050, ainda em elaboração. O Governo Estadual planeja obras de saneamento básico da Região Metropolitana, incluindo a Baixada Fluminense – região que frequentemente sofre ora com torneiras secas, ora com enchentes -,  além do reflorestamento das margens dos rios Paraíba do Sul e Guandu.

Em conjunto com a Agevap (Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul) os municípios do Sul Fluminense, dependentes do Rio Paraíba do Sul, estão reivindicando cerca de R$ 9 milhões para garantir o abastecimento nas cidades, caso a diminuição da vazão do Paraíba passe de 140 para 110m/³, medida anunciada pela ANA (Agência Nacional das Águas), se concretize.

Em reunião no Rio de Janeiro, realizada no Rio de Janeiro, na última quinta-feira (12), com representantes da Agevap, Ceivap e de representantes da ANA, e do Governo do Estado, ficou decidido que a diminuição da vazão seria adiada até que essa verba seja liberada. Hoje, durante uma entrevista coletiva na sede da Agevap, em Resende, diretores da associação irão anunciar de onde virá esse dinheiro para melhorias no abastecimento dos municípios.

 

Reflorestamento é solução para salvar bacias hidrográficas

 

Para preservar a água, o replantio de mudas é uma solução eficaz desde o século 19, no Rio de Janeiro. Diante da crise hídrica da época, o imperador Pedro II ordenou desapropriações na Floresta da Tijuca, onde hoje é Parque Nacional da Tijuca, devastado por plantações de café, e iniciou um amplo reflorestamento. A estratégia propiciou a recuperação natural da mata, que sofria com erosão e estava degradada, segundo a chefe do Laboratório de Geohidroecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Luiza Coelho Netto.

– Naquela época, o solo e as rochas não conseguiam armazenar tanta água, porque sem as florestas, a água acaba escoando na superfície do terreno, não entra no solo [vai para o mar]. Então, o nível de água subterrânea caiu muito, como nos dias de hoje – lembrou a pesquisadora sobre a situação na floresta. Na época, a Corte e as comunidades em torno da Tijuca eram abastecidas por essas águas.

Com as medidas do imperador, acrescentou, sem a pressão da ocupação urbana, a área se recuperou e hoje é um dos maiores parques urbanos do país, com opções de trilhas e visitas a cachoeiras.

De acordo com Ana Luiza, embora a Floresta da Tijuca não tenha condições de abastecer toda a população carioca, de mais de 6 milhões de habitantes, cumpre um papel importante no clima e na recarga dos lençóis freáticos.

– A floresta ajuda a água da chuva a se infiltrar [no solo] e lança no ar. Ela bebe 20% da água da chuva e o resto devolve por meio das raízes – disse.

Diante de uma das maiores estiagens no estado, que baixou o nível dos reservatórios, a professora diz que a criação de corredores ecológicos – que facilitam o deslocamento de animais, a dispersão de sementes e aumento da cobertura vegetal – são fundamentais para a sustentabilidade das matas. Ela defende, ainda, a execução de projetos de reflorestamento comunitário, que podem empregar moradores de áreas em talude – plano de terreno inclinado que tem como função dar estabilidade a um aterro.

Para evitar a crise de desabastecimento, a Prefeitura do Rio de Janeiro criou um grupo de trabalho. O prefeito Eduardo Paes não descarta medidas para economia de água e energia.

 

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