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Audiência pública propõe mudanças no ensino de literatura

Matéria publicada em 11 de outubro de 2015, 21:38 horas

 


Brasília –  Debatedores e parlamentares presentes a audiência pública na Câmara dos Deputados concluíram que o método de ensino da Literatura nas escolas brasileiras precisa ser reformulado. A situação da leitura e do ensino dessa disciplina na educação básica foram o tema do debate realizado na quinta-feira (08) pela Comissão de Educação da Câmara.

Para acadêmicos e parlamentares, as diretrizes dos vestibulares e, principalmente, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), limitam e prejudicam o modo de abordagem da Literatura no Ensino Médio. Hoje, segundo eles, há um acúmulo de teorias.

Utilizada como panorama na audiência, a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada em 2012 pelo Instituto Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência, indicou que 44% dos brasileiros apresentam dificuldades na compreensão da leitura, o que caracteriza um índice relevante de analfabetismo funcional.

Requerente da reunião, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) considera que todo o processo cultural e de aprendizagem está associado ao livro, à leitura e à Literatura. Para a deputada, esses são fatores que influenciam na formação de identidade e na produção de conhecimento.

“A leitura pode ser considerada um sentido diferenciado, uma outra forma de olhar, conhecer e de se posicionar diante do mundo. Quem, tristemente, não tem acesso a ela como direito básico ou não ultrapassa a condição do analfabetismo funcional, certamente tem seus direitos democráticos e de cidadania negados”.

 

Metodologia tradicional x contemporânea

 

O professor Arnaldo Niskier, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), defende que esse panorama só mudará quando houver esforços conjuntos para que se trabalhe uma política nacional de educação, e quando a Literatura passar a ser valorizada pelo Enem.

Para ele, o Ensino Médio não estimula o jovem estudante a pensar e necessita passar por uma revolução, começando por mudanças na cultura de leitura e na estrutura de ensino da disciplina.

“A metodologia do ensino tradicional da Literatura como disciplina no Ensino Médio ainda se foca na periodização literária, no acúmulo de teorias”, avalia. Na opinião do acadêmico, textos contemporâneos, mais próximos da realidade dos alunos, romperiam o bloqueio inicial criado ao apresentar a Literatura ao estudante.

“Fazendo um caminho contrário, partindo do texto mais contemporâneo, o professor poderia vir a conquistar o aluno e após certa maturidade de leitura, o estudante teria bagagem para ler uma obra clássica, compreender, apreciar ou renegar, mas já com argumentos sólidos para isso”, acrescenta.

A Comissão de Educação pretende fazer outras reuniões com instituições acadêmicas e governamentais para discutir o Enem e os desdobramentos dele nos métodos de ensino, para realizar um trabalho mais próximo ao Ministério da Educação.


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Um comentário

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    Está tudo errado no ensino no MEU BRasil, a começar pelos professores comunistas ou simpatizantes dos comunistas, incluindo sindicatos dos professores com a sua doutrina de APAGAR DE NOSSA MEMÓRIA a nossa história e nossas conquistas.

    Depois trocar todo o conteúdo a começar pela forma como se ensina a leitura e sua base. Concordo com o professor Arnaldo Niskier que temos de promover leitura contemporânea, e eu incluo jornais locais para colocar o aluno em contato com o mundo atual e ao seu redor. Assim fica mais fácil entender as leituras clássicas e acadêmicas.

    Agora dizer que aluno de ensino médio precisa pensar deve ser uma brincadeira dele. Aluno de ensino superior é que precisa pensar, não o contrário. Ele está misturando as coisas.

    Professores como ele é que bagunçam o Ensino no MEU BRasil.

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