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Baltazar propõe observatório do emprego

Matéria publicada em 30 de abril de 2016, 12:00 horas

 


Vereador sugere que grupo de especialistas analise a dinâmica das contratações e demissões em Volta Redonda

Volta Redonda –  O vereador Paulo Baltazar (PRB) apresenta nesta semana, na Câmara  Municipal, o Projeto de Lei que institui o Observatório do Trabalho e Emprego em Volta Redonda. A proposta visa formar um grupo de especialistas dos setores mais estratégicos do mercado de trabalho e da formação profissional, para analisar a dinâmica das contratações e demissões.

O observatório vai orientar o Poder Público no sentido de garantir que a formação tecnológica da população seja de acordo com as áreas nas quais o trabalhador terá mais chance de ser empregado.

O Observatório do Trabalho e Emprego é uma ferramenta que faz um mapeamento da situação real do emprego formal – com carteira assinada – na cidade de Volta Redonda.  E também disponibiliza dados sobre o trabalho informal e empreendedorismo.

O vereador explica que o Observatório poderá ter importante função na qualificação e garantia do emprego, se aprovado o projeto. “Estamos vivendo um período de profundas mudanças no setor produtivo. Algumas profissões ganham mais destaque na indústria ou no comércio, por exemplo, e contratam mais do que outras. A população precisa ter acesso de forma gratuita aos cursos que preparam para atividades que mais contratam. Temos que ter orientação do observatório para que a os gestores desta área tenham informações técnicas que vão ajudar diretamente o cidadão”, afirma Baltazar.

Outra função do observatório será a intermediação massiva de mão de obra. De acordo com o vereador isso se dará quando empresários e investidores poderão solicitar aos gestores a formação para uma atividade profissional que faz falta no mercado.  “Queremos incentivar o diálogo e a troca  de informações fundamentais entre estes setores, de forma constante”, afirma Baltazar.

Se aprovado, o  Observatório do Trabalho e Emprego será composto por representantes dos Sindicatos da região, Sistema S (Sesi, Senai, Sesc, Sebrae, Senat), Faetec, IFRJ, UFF, além dos setores público e acadêmico de forma voluntária. O projeto não gera despesa ao município e o grupo terá, sob coordenação dos acadêmicos, a função de produzir boletins periódicos sobre os dados coletados junto ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, em Volta Redonda.

Baltazar: ‘A população precisa ter acesso de forma gratuita aos cursos que preparam para atividades que mais contratam’

Baltazar: ‘A população precisa ter acesso de forma gratuita aos cursos que preparam para atividades que mais contratam’

Cidade tem o pior saldo para o primeiro trimestre desde 2005

Os dados do Caged confirmam que a situação do mercado de trabalho em Volta Redonda está em um de seus piores momentos. Nos levantamentos do órgão desde 2005 – o dado mais antigo disponível para pesquisa – nunca um primeiro trimestre teve um saldo negativo de empregos (a diferença na quantidade entre pessoas demitidas e admitidas) tão ruim. Entre janeiro e março deste ano, houve 3.184 demissões a mais do que admissões na cidade.
A situação só esteve perto disso em 2006, quando o primeiro trimestre terminou com 3.160 demissões a mais do que admissões.

Em março deste ano, a cidade teve 863 demissões a mais do que admissões, sendo 626 no setor de Serviços. A Indústria fechou 211 empregos. O Comércio apresentou saldo positivo de 32 vagas, no que foi acompanhado por Agropecuária (4) e Administração Pública (1).

Crise é pior que a de 2008/2009

A perda de postos de trabalho que ocorre atualmente está mais intensa que a da crise econômica mais recente: a de 2008/2009. Naquela crise, a queda na demanda foi rapidamente enfrentada por medidas governamentais que incentivaram o consumo por meio da chamada renúncia fiscal, como no caso das reduções do IPI para a indústria automobilística e a chamada “linha branca”, ou de incentivos a determinados setores da economia, como o programa “Minha Casa, Minha Vida”, de construção de unidades residenciais e as contratações de plataformas de extração de petróleo para uso no pré-sal. Com isso, embora as instituições financeiras tenham precisado de apoio naquela crise, o mercado de trabalho foi pouco atingido.

Já a crise que se instalou a partir de 2013 teve respostas muito mais tímidas por parte do governo federal. Não houve medidas efetivas de enfrentamento da redução de demanda e as empresas precisaram fazer cortes de pessoal, causando a contração no mercado de trabalho.

A crise de 2008 encontrou o Brasil em um momento positivo em suas finanças. O governo federal se valeu dos recursos de que dispunha para incentivar o consumo interno e fez do país uma “ilha de prosperidade” enquanto as maiores economias do mundo enfrentavam sérios problemas.

Essa política de incentivos continuou nos anos seguintes a 2009 com subsídios em diversos dos chamados “preços administrados”, como os dos combustíveis e da energia elétrica.

O déficit da União viria a gerar uma série de cortes de despesas, incluindo medidas impopulares como as mudanças no seguro-desemprego, adiamento de pagamento de parcelas de abono e rendimentos do PIS e a mudança nos critérios da aposentadoria.

A situação financeira da União, mesmo assim, continuou a se deteriorar e foi prejudicada por outros fatores, como a crise hídrica, que fez com que fosse necessário acionar usinas térmicas para suprir a queda de produção das hidrelétricas, gerando aumento nas contas de energia elétrica.

A questão dos combustíveis teve andamento semelhante: em um momento de alta nos preços do petróleo, a Petrobras “segurou” aumentos no preço da gasolina e do óleo diesel, chegando a financiar perdas operacionais na produção de combustível com o seu caixa, num momento em que eram necessários altos investimentos para viabilizar a produção no pré-sal.

O que já era um quadro ruim se agravou com as investigações decorrentes da operação Lava-jato, que fizeram a estatal produtora de petróleo e derivados contabilizar um prejuízo bilionário com superfaturamentos de diversas obras. Em setembro de 2015 deputado federal Luiz Sérgio (PT) estimou o impacto negativo da Lava-Jato em 2,5% do PIB.

Sem reservas financeiras para suportar novas medidas de desoneração fiscal ou de incentivo ao consumo, o governo federal foi obrigado a deixar o mercado de trabalho se retrair. Para piorar, a instabilidade política faz com que o setor privado redobre a cautela com os investimentos, o que agrava mais ainda a recessão e aumenta o desemprego.

Comércio e Serviços devem fechar 3% dos empregos atuais

Projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicam – em todo o país – que o nível de emprego no comércio varejista deverá cair 3,3% até o final do ano, significando um corte de cerca de 253,4 mil empregos com carteira de trabalho assinada em todo o país.

Segundo dados divulgados em 11 de abril pela CNC, ao longo de 2015 o setor varejista fechou com queda de 2,3% no número de postos de trabalho, o que resultou no fechamento líquido de 179,9 mil vagas formais, “ritmo que se manteve também no acumulado dos últimos doze meses encerrados em fevereiro de 2016.”

As projeções da entidade indicam, ainda, que ao longo deste ano o volume de vendas do setor deverá recuar 8,3%, depois de ter fechado o ano passado em queda de 8,6%.

Segundo a nota da CNC, as projeções foram baseadas “no comportamento no emprego celetista do setor, a partir de dados mensais do Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados} do Ministério do Trabalho e Previdência Social.” A entidade lembra, ainda, que a comércio “foi um dos últimos setores a iniciar demissões por conta da recessão.”

Na avaliação do economista da CNC, as projeções levam em conta “o ajuste tardio no quadro de funcionários do varejo, associado à intensificação da retração das vendas em 2016, o que deverá levar o varejo a registrar queda no número de trabalhadores pelo segundo ano seguido.”

As informações da confederação ressaltam que, “apesar da nítida perda de ritmo de atividade, a redução do número de empregados no varejo em relação ao mesmo período do ano anterior se deu somente a partir de agosto de 2015, quando as vendas já acumulavam recuo de 5,2% no mesmo intervalo de 12 meses.”

“Naquela ocasião, apenas três dos 25 subsetores da economia ainda registravam variações positivas no número de trabalhadores ocupados no intervalo de um ano: serviços de alojamento e alimentação (+0,1%), serviços médicos, odontológicos e veterinários (+3,7%) e atividades de ensino (+1,3%)”. No mesmo período, ressalta a entidade, contabilizando todos os subsetores, o emprego celetista já acusava retração anual de 2,3%.

O quadro, de acordo com a CNC, considerando o mesmo período (janeiro-agosto de 2015), era mais grave nas lojas de artigos de uso pessoal e doméstico, onde o emprego já havia encolhido 15,2%. “Esse segmento do varejo não especializado é formado, principalmente, por lojas de utilidades domésticas, eletroeletrônicos, brinquedos e joalherias”, finalizou a nota da entidade.

Emprego no Brasil chega ao pior nível em 25 anos

O agravamento da crise econômica fez fevereiro registrar a maior queda do emprego formal em 25 anos. Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o país fechou 104.582 postos de trabalho com carteira assinada em fevereiro.

O número leva em conta a diferença entre demissões e contratações, e é o maior para fevereiro desde 1992, quando começou a pesquisa. Apenas nos últimos 12 meses, o país eliminou 1.706.985 postos de trabalho, o que equivale à diminuição de 4,14% no contingente de empregados com carteira assinada no país.

Quase todos os setores da economia demitiram mais do que contrataram em fevereiro, com destaque para comércio (-55.520 vagas), indústria de transformação (-26.187 vagas) e construção civil (-17.152 vagas). O único setor a registrar mais contratações que dispensas foi a administração pública, que criou 8.583 postos de trabalho no mês passado.

Com o resultado de fevereiro, o país acumula o fechamento de 204.912 vagas formais de trabalho em 2016 na série ajustada, que leva em conta declarações de janeiro entregues fora do prazo.

Os estados que mais fecharam postos de trabalho em fevereiro foram Rio de Janeiro (-22.287 vagas), São Paulo (-22.110 vagas) e Pernambuco (-15.874 vagas). Apenas seis estados contrataram mais do que demitiram: Rio Grande do Sul (6.070 vagas criadas), Santa Catarina (4.793), Mato Grosso (3.683), Goiás (2.327), Mato Grosso do Sul (1.124) e Tocantins (com apenas 88 postos criados).

Por regiões, o Nordeste liderou o fechamento de postos de trabalho no mês passado, com a extinção de 58.349 vagas. Em seguida vêm Sudeste (-51.871) e Norte (-7.834). No entanto, o Sul criou 8.813 vagas; e o Centro-Oeste, 4.659 vagas em fevereiro.

Mesmo com o desempenho positivo do Sul e do Centro-Oeste, todas as regiões registram fechamento líquido de postos de trabalho nos últimos 12 meses. A região que mais demitiu foi o Sudeste, com a extinção de 959.958 postos, seguida do Nordeste (-298.301 postos), do Sul (-261.776 postos), do Norte (-107.454) e do Centro-Oeste (79.606).

Divulgado desde 1992, o Caged registra as contratações e as demissões em empregos com carteira assinada com base em declarações enviadas pelos empregadores ao Ministério do Trabalho.


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7 comentários

  1. Avatar

    O impacto do desemprego é maior, considerando os trabalhadores que trabalham em obras industriais que fecharam quase que definitivamente as portas, como COMPERJ, RNEST e todas as Refinarias da Petrobrás, além de fábricas de vidros e tantas outras.
    Estas obras não têm na cidade, sendo que os trabalhadores têm aqui a sua residência e familiares.

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    Em ano de eleição todos os politicos prppõe alguma coisa. corja!!

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    É muita falta do que fazer. Lá vem o político tentando inventar mais uma desnecessidade que, certamente, custará mais aos cofres públicos. Não tem nem vergonha de propor isso. Nós gostaríamos de saber o que será feito com os dados e, porquê essas medidas, que ele julga tão importantes, não foram tomadas até agora. Novamente a população deve estar atenta à esses projetos que não trazem nada de positivo para o coletivo. Abram espaço para novas empresas se instalarem no município, como diminuição de impostos, que empresários possam investir seu dinheiro aqui. Isso pode ser a solução para essa crise. Não faltam curso técnicos no município, falta sim, políticos como esse ai cumprir o seu papel de trabalhar duro pela população ao invés de irem 1 vez por semana na câmara. Tenham dó né!!!

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    Por que Ana? Os eleitores se deixam levar mais pelas falsas promessas do Neto do que pelas dos outros políticos?

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      Wantuil fortes Silvério

      Precisamos de um governo municipal, que tenha olhos de águia. Tirá o município desse beco geográfico ,precisamos expandir geograficamente e sair das garras da C.S.N .

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    Eta politicos sem vergonha ja começou com as promessas achando todos com cara de bobo se o Neto voltace a se candidatar ele ganharia denovo.

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      Wantuil fortes Silvério

      Ana, discordo de vc.Neto está ultrapassado, sem projeto e um final de governo perdido. essa política tomá lá e dá cá ,já era Neto seu enganador desses inocentes ,que não conhece política pública e política social .

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