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CPI da Petrobrás começa com bate-boca e críticas de Luiz Sérgio

Matéria publicada em 5 de março de 2015, 20:05 horas

 


Petista angrense afirma que criação de sub-relatorias propostas pelo presidente poderá dificultar os trabalhos

 Câmara dos Deputados Revolta: decisão do presidente de criar sub-relatorias foi amplamente criticada por deputados  (Foto: Fotos Públicas /Gabriela Korossy)

Câmara dos Deputados
Revolta: decisão do presidente de criar sub-relatorias foi amplamente criticada por deputados (Foto: Fotos Públicas /Gabriela Korossy)

Brasília

Discussão, desentendimentos, bate-boca, críticas… Enfim, um clima tenso tomou conta da primeira reunião de trabalho da CPI da Petrobrás na Câmara dos Deputados. Toda essa revolta foi motivada pela decisão do presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB), de criar quatro sub-relatorias sem acordo com o relator Luiz Sérgio (PT) ou com os outros partidos que compõem a base do governo.
Decisão essa que deixou o petista angrense nada satisfeito.  Luiz Sérgio disse que ficou surpreso com a iniciativa do presidente, sobretudo por não ter sido consultado e a medida ter sido anunciada antes de ele apresentar o plano de trabalho para a comissão.
– Contra a minha vontade foram aprovadas quatro sub-relatorias. Como tive a oportunidade de falar com a imprensa, lembrando um velho ditado que aprendi com minha avó: quando muita gente mexe na massa o bolo acaba solado. O objetivo é trabalhar para que isso não aconteça e que, ao final, tenhamos um relatório que reflita a realidade dos trabalhos desenvolvidos – desabafou o deputado.
Não foi apenas Luiz Sérgio que não gostou da criação das sub-relatorias.  O anúncio gerou bate boca entre Motta e o deputado Edmilson Rodrigues (PSOL-PA). Os deputados criticaram a iniciativa porque a decisão não passou pelo plenário da comissão. Rubens Bueno (PPS-PR) e Júlio Delgado (PSB-MG) fizeram restrições dizendo que seus partidos não foram consultados.
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) disse que a iniciativa atropelava o Regimento Interno da Câmara.
– Todos os partidos deveriam ter sido consultados. Não podemos aceitar isso, não é regimental; não foi feito o acordo [com todos os partidos] e não conheço a posição do relator – ponderou.
Motta indicou os deputados Altineu Côrtes (PR-RJ) para a sub-relatoria de superfaturamento e gestão temerária na construção de refinarias; Bruno Covas (PSDB-SP) para a sub-relatoria de constituição de empresas com a finalidade de praticar atos ilícitos; Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) para a sub-relatoria de superfaturamento e gestão temerária na construção e afretamento de navios de transporte, navios-plataforma e navios-sonda; e André Moura (PSC-SE) para a sub-relatoria de irregularidades na operação da companhia Sete Brasil e na venda de ativos da Petrobras na África.
Motta garantiu que não voltaria atrás na criação das sub-relatorias, nem na indicação dos sub-relatores, escolhidos com base na proporcionalidade dos blocos partidários. Além das sub-relatorias, ele anunciou a contratação da empresa Kroll, sediada em Nova Iorque, para ajudar as investigações da quarta sub-relatoria.
A decisão de contratar a empresa foi criticada por Rodrigues. “Eu gostaria que, neste caso, pudesse flexibilizar a sua posição. A empresa chegou a ser investigada pela Polícia Federal de nosso país”, lembrou.

Depoimento
O relator Luiz Sérgio, propôs a inversão da ordem original de depoimentos previstos em seu plano de trabalho e sugeriu que o primeiro depoente a ser ouvido fosse Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobras. Com isso, o depoimento foi marcado pelo presidente da comissão, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), para a próxima terça-feira, às 9h30. A audiência, porém, ainda depende de autorização judicial.
Barusco é ex-diretor da Petrobras e deixou a empresa para trabalhar na Sete, outra empresa investigada pela CPI. Ele afirmou à Justiça ter recebido propinas desde 1997.

Eduardo Cunha se coloca a disposição da CPI para esclarecimentos

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), fez uma aparição surpresa na CPI da Petrobras ontem e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos em relação ao inquérito aberto contra ele pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
“O que me fez questão de trazer aqui são as notícias veiculadas que supostamente haveria citação a investigação que estivesse envolvendo o nome dessa presidência. Em primeiro lugar, gostaria de afirmar perante o plenário desta comissão, que este parlamentar, não o presidente da Casa, faz questão e está à disposição de vir aqui para prestar todo ou qualquer esclarecimento à medida que se conheça qualquer tipo de detalhe”, afirmou Cunha.
E completou: “Eu faço questão absoluta de espontaneamente comparecer a este plenário e esclarecer todo e qualquer ponto”.
O policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, ligado ao doleiro Alberto Youssef, afirmou ter transportado dinheiro para um local no Rio de Janeiro que lhe disseram ser a residência de Eduardo Cunha. Posteriormente, a defesa de Careca apresentou à Justiça uma retificação mudando o endereço no qual disse ter entregue o dinheiro.
À CPI, Cunha afirmou que o fato foi “publicamente desmentido” pelo próprio autor do depoimento e disse que não é verídico.
“Não há nenhum problema desse parlamentar em esclarecer às vossas excelências”, disse o presidente da Câmara, que ressaltou ter defendido pessoalmente a instalação da CPI. “Desejo a todos vocês sucesso no trabalho e que nós possamos juntos passar a limpo toda essa situação envolvendo a Petrobras.”


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Um comentário

  1. Isto tudo já esta começando errado, isto tudo vai acabar em Pizza Vitória-régia aquela bem grande.

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