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Crise preocupa políticos e empresários

Matéria publicada em 1 de novembro de 2015, 09:15 horas

 


Indústrias preveem situação pior nos próximos meses e deputados se mobilizam em busca de soluções

Sul Fluminense – A situação econômica da região, que sente os efeitos da crise que atinge o Brasil está preocupando tanto políticos quanto empresários. No campo político, prefeitos, como dos de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto (PMDB), Barra Mansa, Jonas Marins (PC do B) e Resende, José Rechuan (PP) estão tomando medidas de contenção de despesas e tentando aumentar as receitas, enquanto o deputado federal Deley de Oliveira (PTB) faz pronunciamentos na Câmara dos Deputados pedindo para que seus colegas parlamentares mudem o foco das disputas pelo poder para a busca de soluções para a crise e o deputado estadual Nelson Gonçalves (PSD) participa da Comissão Especial de Desenvolvimento Econômico do Sul do Estado – Desenvolve Sul, da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio), buscando soluções para a crise na região.
Deley usou a tribuna da Câmara dos Deputados na última terça-feira (28) para apelar aos parlamentares que voltem sua atenção, com urgência, para a situação da economia do país. Ele criticou o excesso de foco sobre possíveis pedidos de impeachment da presidente Dilma Roussef (PT) e outras disputas pelo poder.
— Todos os dias estamos aqui discutindo impeachment, enquanto aumenta o desemprego e cai o movimento no comércio. Precisamos concentrar nossa energia em encontrar soluções para a economia, em vez de nos concentrarmos em disputas pelo poder, porque o povo está sofrendo — disse Deley.

 

Apelo: Deley pede que parlamentares mudem foco da disputa do poder para a crise econômica

Apelo: Deley pede que parlamentares mudem foco da disputa do poder para a crise econômica

Empresários estão pessimistas

Os empresários industriais da região Sul Fluminense esperam redução da demanda de seus produtos nos próximos seis meses. De acordo com a Sondagem Industrial – Sul Fluminense, divulgada nesta terça-feira (27), pelo Sistema Firjan, o índice atingiu 31,8 pontos, o menor patamar da série, iniciada em 2005. Os índices da pesquisa variam de zero a cem pontos e os valores abaixo de 50 indicam pessimismo. A expectativa também é de redução da compra de matéria-prima (32,8 pontos) e do número de empregados (37,9 pontos). Já o indicador de expectativas sobre a exportação atingiu 48,5 pontos e mostra que os empresários esperam que as exportações fiquem praticamente estáveis nos próximos seis meses.
A pesquisa da Federação das Indústrias apontou ainda queda na atividade industrial em setembro. Os indicadores de volume de produção e de número de empregados ficaram distante da linha de 50 pontos, 36,3 e 40,6 pontos, respectivamente.
Os empresários também se mostraram insatisfeitos com a situação financeira de suas empresas no 3º trimestre, com o indicador atingindo 36,1 pontos. A margem de lucro (29,8 pontos) e o acesso ao crédito (28,8 pontos) ficaram ainda mais distantes da linha divisória de 50 pontos.
Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) confirmam a visão dos empresários: no Vale do Paraíba Fluminense, a indústria eliminou 1.522 postos de trabalho entre janeiro e setembro deste ano.

Entidades nacionais apontam círculo vicioso

A queda de 10% da produção industrial no País, um dos indicadores da crise financeira, preocupa representantes de vários setores da economia ouvidos em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara.
Eles apontaram a existência de um círculo vicioso na economia: a queda nos financiamentos paralisou os investimentos, o que diminuiu a produtividade e contribuiu para a desaceleração do consumo.
O diretor da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mário Bernardini, listou alguns dos problemas estruturais que ele considera que paralisam a economia: a falta de investimentos em tecnologia, o alto custo da mão de obra, a baixa produtividade e a deficiência de infraestrutura.
Nenhum deles é mais importante, segundo ele, que a falta de investimentos do País, que é apenas metade do que o registrado nos demais países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Mercado Financeiro

De acordo com Bernardini, no Brasil é mais rentável investir no mercado financeiro que na produção industrial. “Até 2009 as empresas conseguiam pagar o dinheiro dos empréstimos. A partir de 2009, com a queda da rentabilidade das empresas não financeiras – as financeiras estão muito bem, obrigado – se eu tomar um empréstimo, eu não vou conseguir pagar com o resultado da operação; se eu comprar uma máquina, ela não se paga.”
O dirigente acrescentou que isso significa que “investir no Brasil é burrice. É muito melhor colocar o dinheiro no banco da esquina, em títulos do Tesouro que me rendem 14, 15% ao ano”.

Exportações

Já o representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Humberto Barbato, disse que a falta de financiamento para exportações faz com que as empresas brasileiras deixem de ser competitivas. “O mundo é globalizado. Como disse o Mário Bernardini, nós não vamos conseguir exportar equipamentos se a gente não tiver financiamento à exportação. Isso é em função da concorrência mundial que a gente vive. Não adianta só se ter preço, A gente tem que ter as condições de venda do mercado internacional. Isso é fundamental.”
Barbato, que é presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, criticou também as mudanças previstas na Medida Provisória 694/15, enviada pelo governo ao Congresso no início de outubro e que reduziu benefícios fiscais concedidos às empresas que investem em pesquisa a inovação.
Os últimos indicadores do governo apontam uma leve recuperação das exportações, principalmente por causa do câmbio, que favorece quem vende para outros países.
As exportações de carros para o México, por exemplo, aumentaram 30% entre janeiro e setembro.

Redução de incentivos

A diminuição dos incentivos às empresas é uma das medidas do ajuste fiscal promovido pelo governo, que incluiu também a redução dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), outro fator criticado na audiência pública.
O deputado Júlio César (PSD-PI) criticou a redução dos investimentos oficiais e acrescentou outro fator, os juros altos, que tornam ainda mais caros os financiamentos.
Segundo ele, isso piorou depois das desonerações feitas em vários setores da economia, o que diminuiu a arrecadação. “As desonerações chegaram no ano passado a R$ 112 bilhões, o subsídio do BNDES a R$ 25 bilhões. O governo não tem dinheiro, capta no mercado a Selic e aporta no BNDES e o governo paga essa equalização da taxa.”
No primeiro semestre deste ano, os financiamentos do BNDES à indústria caíram quase 20%, se comparados ao mesmo período do ano passado.
O superintendente da Área Industrial do banco, Maurício Neves, admitiu a queda, principalmente no Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame).
Mas ele garantiu que projetos industriais aprovados continuam recebendo recursos. “As grandes fábricas em construção, projetos que foram decididos há um e meio, dois anos atrás, eles continuam, são projetos que pensam no longo prazo, pensam no Brasil de uma retomada de crescimento.”
Neves assinalou que o que sofre mais efetivamente com a retração do desembolso é a Finame. “É a área de exportação que lida com aspectos de comercialização, que são decisões mais vinculadas à aquisição efetivamente de bens de capital, que sentem efetivamente os efeitos desse momento mais recessivo.”

Preço dos insumos

Para outro representante do governo na audiência, o secretário do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Carlos Gadelha, o clima de pessimismo contamina a economia.
Ele procurou dar algum otimismo aos empresários e garantiu que o ministério está atuando para diminuir o preço dos insumos. “Os setores que estão na base da cadeia produtiva não podem ser caros. Falando em bom português: se a matéria-prima é cara, o produto é caro e nós não somos competitivos. Existe toda uma preocupação para se reduzir os custos de energia para a indústria, isso tem que ser uma variável central”.
Gadelha informou que o ministério já entrou na discussão sobre os custos dos insumos.

IBGE aponta desemprego de 8,7%

Na quinta-feira (29), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego no país voltou a subir no trimestre encerrado em agosto e chegou a 8,7%. O índice é 0,6 ponto percentual superior ao do trimestre terminado em maio (8,1%). Esta foi a maior taxa de desocupação da série histórica iniciada em 2012.
Comparativamente ao mesmo trimestre do ano anterior (6,9%), a alta chegou a 1,8 ponto percentual. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua).
Segundo a pesquisa, a população desocupada cresceu 7,9%, atingindo 8,8 milhões de pessoas, ou mais 647 mil pessoas desocupadas em relação ao trimestre de março a maio, quando a alta chegou a 29,6% (mais 2 milhões de pessoas, na comparação com igual trimestre de 2014).
No trimestre encerrado em agosto, a população ocupada somava 92,1 milhões de pessoas, ficando estável em ambas as comparações. Os dados indicam ainda que o número de empregados com carteira assinada recuou 1,2% (menos 425 mil pessoas), em relação ao trimestre de março a maio, e caiu 3% (menos 1,1 milhão de pessoas) na comparação com igual trimestre de 2014.
“A taxa [de desocupação] aumentou porque aumentou a fila de pessoas a procura de emprego. E este aumento reflete, principalmente, a perda da estabilidade, uma vez que o contingente de ocupados não reduziu no mesmo período”, disse o coordenador de Rendimento e Trabalho do IBGE, Cimar Azeredo.

Audiências: Nelson Gonçalves participa da Comissão Especial de Desenvolvimento Econômico do Sul do Estado

Audiências: Nelson Gonçalves participa da Comissão Especial de Desenvolvimento Econômico do Sul do Estado

 

Por Paulo Moreira

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8 comentários

  1. TRISTE CONSTATAÇÃO

    O Sr. Delay, salvo engano, pois assisto a TV Câmara todos os dias, é a primeira vez que ele ocupa a tribuna para se pronunciar esse ano, e pelo jeito não está compreendendo o momento político, econômico do país.
    O Brasil está passando por crise econômica, política e moral. Só depois de superadas essas crises, é que o país terá condições para iniciar uma reação. Mas essas crises só serão possíveis com a saída do governo do PT, que não tem mais condições morais e nem políticas de conduzir nossa economia.
    Roubaram tudo que podiam e o que não podiam, faliram a Petrobras que vem sendo vendida (privatizada) pelo governo Dilma desde 2013 para os chineses.
    A maior crise é a moral, pois os poderes constituídos estão todos corrompidos, e se os bandidos não forem colocados no xilindró, nada mudará. O empresário Abílio Diniz deu uma declaração no exterior de que “o Brasil está em liquidação”. E está mesmo. A hora agora é dos empresários estrangeiros que começaram a comprar as empresas brasileiras. A Petrobras está sendo vendida quando seu valor de mercado é o menor de toda sua história! Isso é uma vergonha! FORA PTRALHAS!

  2. Analistas já estão prevendo melhora significativa somente em 2018. Não é ser pessimista, mas que Deus no ajude.

  3. Hoje os políticos não estão preocupados com crise,se o brasileiro ta no sufoco,eles só estão preocupados com com eles mesmo,preocupados em Derrubar o adversário pra se dar bem,e o povo que se dane,agora vem o deley e o Nelson Gonçalves dar uma de preocupados a ta ,esses caras só aparecem nas eleições depois somem,eles estão preocupados é com as próximas eleições,mais fiquem tranquilos porque esse povo da região sempre vão eleger vocês, o Nelson Gonçalves principalmente,sempre engana o povo com a Rodovia do contorno,agora é a crise financeira,caras de pau,aja óleo de peroba pra esses políticos safados.

  4. ESSE POLÍTICO NÃO MERECE O MEU RESPEITO,

    VAI BÊBADO PARA O SEU LOCAL DE TRABALHO PARA FAZER VEXAME.

    LAMENTÁVEL É O FIM DPS POLÍTICOS DO BRASIL ,

    QUANDO NÃO É CORRUPÇÃO ,

    E UM BÊBADO COM A CARA NO CHÃO,

    QUANDO NÃO TEM ALGUÉM O SEGURANDO PARA NÃO

    ## CAIR ##

    FALA AÍ POLÍTICO DE VR ?

    • Coisa feia heim amigo???? Escrever isso de alguém sem se identifiar, imagine alguém soltar isso sobre voce na escola dos seus filhos? Muito feio isso

  5. Pois é, quando os empresários no Sul Fluminense estavam em 2012 fazendo lançamentos, investindo fazendo propaganda para o prefeito ganhar a eleição, eu alertei aqui a loucura deles. Eu alertei aqui a loucura da petista forçando a baixa da SELIC no mesmo tempo. E mediante os juros baixos eles fizeram a farra da gastança, tudo em prol para ganhar as eleições. Era o momento da presidenta ELEVAR OS JUROS para impedir o POVINHO se arriscar e se endividar para agora movimentarem a economia.

    Eles não viram que em 04 anos o mundo lá fora estava pegando fogo devido a crise financeira (começada pelos americanos em 2008, diga-se de passagem) que um dia chegaria forte no MEU BRasil.

    Como tenho dito: empresários brasileiros não tiram a vista do umbigo para o horizonte.

    Agora os incompetentes jogam a conta para nós. E tem eleitores que os apoiam.

  6. Isso. Todos fizeram campanha e apoiaram Lula e Dilma. Na hora só pensaram em colher os frutos do populismo barato implantado por este sistema incompetente que assola também países da América do Sul. Agora observam de pires vazio e o país afundar num mar de lama misturada de incompetência e corrupção. Tudo que este governo PT fez, além da corrupção instituída, foi gastar, gastar e gastar numa farra desenfreada, os recursos obtidos no bom momento econômico que o país passou em razão da valorização das commodities mundo afora. Jamais pensaram em inserir a economia do país no contexto global, ficando a seguir a cartilha interna comunista de países cujo este sistema arcaico também quebrou, tais como Argentina, Venezuela e Bolívia. Agora chorem na cama. E fora PT !

  7. Ficaram estes últimos anos apoiando Lula – Dilma, agora estamos colhendo os frutos deste (des)governo corruPTo. Infelizmente, os governos nao reduzem os gastos só querem aumentar os impostos do povão, veja a CPMF.
    Infelizmente, 2016 será ainda mais difícil.

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