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Deputados e ativistas pedem mais valorização dos negros na sociedade

Matéria publicada em 23 de novembro de 2015, 09:46 horas

 


Brasília- A ocupação de postos importantes no governo, na economia, nas artes e na vida social brasileira por pessoas negras foi o mote da sessão solene que lembrou nesta quinta-feira (19), na Câmara dos Deputados, o Dia da Consciência Negra (20 de novembro). Ainda que a escravidão tenha sido abolida em 1888 e o País tenha aprovado leis importantes, como o Estatuto da Igualdade Racial, parlamentares e pessoas ligadas ao movimento negro lamentaram o fato de o racismo ainda existir no Brasil.

Presente à homenagem, a ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino, destacou que o negro e a negra devem estar em todos os lugares da sociedade. Esse, aliás, é o tema da campanha “Novembro pela Igualdade Racial”, lançada pelo governo federal em comemoração ao mês da consciência negra.

“Nós, negros e negras, temos o direito de ocupar todo e qualquer lugar na nossa sociedade e não aquilo que comumente se pensa, dentro de um imaginário racista, que existem alguns lugares específicos para essa população”, afirmou Lino.

Visão estrangeira

Essa visão é corroborada mesmo por quem vem de fora e já viajou muito, como a consulesa da França no Brasil, Alexandra Loras. Ela disse que o Brasil é um dos países mais racistas do mundo e, por aqui, sobrevive uma herança ligada à escravidão. “O Brasil ainda não quis se olhar no espelho. Onde estão os negros nos bancos executivos? Na televisão, a negra é a faxineira. Temos uma estigmatização muito forte do negro, que é sempre o criminoso, o traficante de drogas”, observou.

Negra, a própria Loras se depara constantemente com o racismo velado no País. “Todos os dias, há brasileiros que me perguntam se sou francesa mesmo. A França também tem 400 anos de escravidão, também possui uma cara multicultural. Claro, o marketing mundial da França são mulheres como Brigitte Bardot. Eu nunca vou parecer a Brigitte Bardot, mas sou francesa.”

Em mensagem lida na sessão pela deputada Tia Eron (PRB-BA), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, também reconheceu que “o racismo e a desigualdade permanecem presentes na vida brasileira e, portanto, devem ser combatidos”. Essa desigualdade, segundo Cunha, se reflete nas oportunidades educacionais e de emprego e ainda na violência, que atinge mais os jovens negros do que os brancos.

Por sua vez, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), lamentou o que chamou de “genocídio da cultura afro-brasileira”, com o desaparecimento de línguas africanas. “Minhas avós e bisavós, que foram escravas, se reuniam em 13 de maio [Dia da Abolição da Escravatura], falavam suas línguas. A língua constitui independência também.”

Pedido de desculpas

O pedido do procurador do Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro Wilson Prudente é para que o governo ou o Congresso Nacional trabalhem em um decreto reconhecendo que o Estado brasileiro praticou o crime de escravidão e pedindo desculpas.

Também Tia Eron, que sugeriu a sessão solene, disse que o Congresso não pode se furtar de discutir o racismo, nem pensar que a pauta se esgotou depois do Estatuto da Igualdade Racial. “Muito pelo contrário. Temos vários artistas e celebridades vítimas de racismo, mas quero chamar a atenção porque esse é o dia a dia dos nossos cidadãos”, declarou.

Já o deputado Damião Feliciano (PDT-PB) defendeu a indicação de negros para os ministérios do Planejamento, da Educação e da Saúde. “O que falta para o País é colocar políticas públicas onde estão os bolsões da nossa cor. Não adianta dizer que é importante que o negro tenha o seu espaço, se não nos derem oportunidade. Queremos o espaço que nós merecemos na sociedade brasileira”, comentou.

A data de 20 de novembro foi escolhida como Dia Nacional da Consciência Negra por ser o dia da morte, em 1695, de Zumbi dos Palmares, um dos nomes da resistência negra no Brasil.


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6 comentários

  1. E que dia vamos comemorar a Consciência Humana? Que dia os deputados vão trabalhar para o respeito humano?

    Essas pessoas que defendem a Consciência Negra querem é divisão…querem uma boquinha por conta da pele negra (como a cota nas universidades, etc).

    Eu tenho dito aqui há anos sobre a divisão que estão promovendo e veja o resultado na última reportagem: crescimento de mais de 50% de crimes contra os negros apenas no governo do Lula, logo ele que permitiu essa promoção da divisão.

    Penso que devemos reunir esforços para promovermos a união, não a desunião, não a divisão em classes pregada por velhos e ultrapassados autores comunistas.

    Vão trabalhar e estudar dignamente, gente! No meu tempo de ensino fundamental e médio já percebia negros se esforçando ao meu lado, e muitos deles se formaram comigo, os quais ainda os tenho como amigos.

    Se os negros têm deficiências para estudar, que o governo arrume políticas de reforço para eles vencerem.

  2. Houve luta sim ate por que senão existiriam escravos até hoje o que existe e uma negação histórica d tais fatos ou sempre um branco e colocado como protagonista em uma história que não e sua. Eneas acho que você e branco (ou pelo meos pensa que é) porém e algo mais complexo que imagina , peço que estude mais para ter uma opinião mais estruturada , por enquanto faça o teste do pescoço so um pouco,rsrsrs . Paz e fique com DEUS.

  3. Eu só não entendo o porque de ter existido escravidão, porque não lutaram? Povo forte e deixou-se escravizar, vão me desculpar, até a morte é melhor do que ser escravizado. Hoje em dia as pessoas ainda convivem com o mesmo sentimento de escravidão e param de lutar por si mesmos, ficam à mercê de programas sociais, vivendo de lixões, esperando que as oportunidades e alguém venha liberta-los. Caros irmãos, o teu sustento vai vir do teu suor, do teu trabalho. Viva!, lute!, morra se tiver que ser, mas não deixe esse sentimento enraizar nas suas mentes e fazê-los seres inertes diante da sociedade.

    • Coxinha de cidade-operária

      Houve luta sim, e muita. A história “oficial” é que pinta a princesa Isabel como “boazinha” e Zumbi como “rebelde”. Então, as pessoas que não estudam história cometem esse erro ao avaliar a trajetória das inúmeras lutas que os negros escravizados empreenderam.

  4. respondendo João Batista

    Faça o teste do pescoço
    1. Andando pelas ruas, meta o pescoço dentro das joalherias e conte quantos negros (as) são balconistas.

    2. Vá em quaisquer escolas particulares, sobretudo as de ponta, do tipo Objetivo e Dante Alighieri, entre outras, espiche o pescoço para dentro das salas e conte quantos alunos negros há . Aproveite, conte quantos são donos e quantos professores são negros, e quantos estão varrendo o chão.

    3. Vá em hospitais, tais quais o Sírio Libanês, enfie o pescoço nos quartos e conte quantos pacientes são negros. Gire o pescoço a contar quantos médicos negros há . Aproveite para espichar bem o seu pescoço nos corredores e conte quantos negros limpam as vidraças e servem cafezinho.

    4. Quando der uma volta em algum Shopping ou no centro comercial de seu bairro, gire o pescoço para as vitrines e conte quantos manequins de loja representam a etnia negra consumidora. Enfie o pescoço nas revistas de moda , nos comerciais de televisão e conte quantos(as) modelos (as) negros (as) fazem publicidade de perfumes, carros, viagens, vestuários e etc. Reflita acerca da auto e baixa estima das crianças negras e brancas.

    5. Vá às universidades públicas, observe nos cursos mais concorridos da USP, PUC e UNICAMP, torça o pescoço a procurar pelos negros e negras. Conte. Quantos são professores, alunos e serviçais.

    6. Espiche o pescoço numa reunião dos partidos PSDB e DEM, como exemplo, conte quantos políticos são negros desde a fundação dos mesmos. Depois faça uma reflexão a respeito de alguns partidos serem contra todas as reivindicações das comunidades negras, sobretudo as Cotas Raciais e pense mais um pouco qual é a necessidade de incluir sem inserir, como num Apartheid , as insígnias Tucanafro, PMDBafro e por aí vai…

    7. Gire o pescoço 180° durante as passeatas dos médicos que protestam contra os médicos estrangeiros e conte quantos médicos (as) negros (as) marcham. Nos consultórios, relembre por quantos médicos você passou na vida e quantos destes eram negros?

    8. Meta o pescoço nas cadeias, nos orfanatos, nas casas de correção para menores, e conte quantos são brancos. É mais fácil. Veja nos noticiários, dos erros dos policiais que atiram em jovens pra matar sem que tenham oportunidade de um julgamento justo, conforme manda lei. Melhor contar quantos dos jovens mortos pela polícia são brancos, também fica mais fácil.

    9. Gire o pescoço a procurar quantas empregadas domésticas, serviçais, faxineiros, favelados e mendigos são de etnia branca. Pergunte-se qual a causa dos descendentes de europeus ou orientais não serem vistos embaixo das pontes, em favelas, na mendicância ou varrendo o chão. Meta o pescoço nos livros, internet e pesquise: Quando seus ascendentes chegaram ao Brasil? Quando terminou a Abolição?

    10. Espiche bem o pescoço na hora do Globo Rural e conte quantos fazendeiros são negros, depois tire a conclusão de quantos são sem-terra, quantos são sem-teto. Gire o pescoço durante a exibição do programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios e conte: Quantos empresários são negros?

    11. Nos canais abertos de televisão, acessíveis à maioria da população pobre e preta, e por vezes a única opção de lazer, gire o pescoço nas programações e conte quantos apresentadores, jornalistas ou âncoras de jornal e artistas em estado de estrelato, são negros. Onde as crianças negras se veem representadas? Pergunte-se se esta espécie de racismo ocular é construtivo para a auto estima dos pequenos filhos de determinada etnia?

    12. Enfie seu pescoço dentro das instituições bancárias e conte quantos negros são gerentes, quantos são caixas, quantos estão em cargos de chefia e quantos são faxineiros. Se puder, espiche o pescoço e conte quantos negros são donos de banco.

    13. Vá num dos bairros mais caros de sua cidade, de seu estado, gire seu pescoço pelas ruas, dentro das casas, no comércio. Quantos negros são moradores? Quantos são seguranças e empregados domésticos ? Aproveite e torça seu pescoço nos ‘melhores’ restaurantes, quantos clientes são negros? Aliás, conte quantos ‘chef de cousine’ são negros? Pergunte-se sobre a diferença de salários entre estes últimos e as cozinheiras, que são em sua maioria formadas por mulheres negras.

    14. Sobre linchamentos, em sua maioria as pessoas morrem por motivos torpes ou inocentes por terem sido confundidos com bandidos. Estique seu pescoço e conte quantos destes linchados com requinte de crueldade, eram loiros de olhos azuis?

    15. Torça o pescoço a procurar mulheres que criam seus filhos sozinhas. Mulheres do tipo que tem de trabalhar o dia todo por um salário mínimo, deixando seus filhos sozinhos à mercê da criação da rua e que depois serão as mesmas que irão chorar a morte de seus filhos expostos nos itens 8 e 14. Quantas são brancas?

    16. Viaja muito em companhias aéreas? Espiche o pescoço na cabine e conte quantos pilotos e ou co-pilotos são negros? Aproveite girar o pescoço pra cima e pra baixo nos corredores e conte quantas comissárias de bordo negras a companhia aérea brasileira contratou.

    – * Aplique o Teste do Pescoço no seu dia a dia, em todos os lugares e tire suas próprias conclusões. Questione-se: somos de fato um país pluricultural, uma ‘Democracia Racial’ tratados iguais e com as mesmas chances? Desde quando existe esta diferença que você viu? Procure na História do seu país, regresse 500 anos e encontre as respostas. Depois de se informar, tente continuar a ser contra Cotas, Bolsa família e outras políticas reparatórias e de justiça histórica.

  5. igualdade racial quer dizer que todos somos iguais, porque então não acabam com as cotas para negros em concursos, vestibulares de faculdades entre outros? eles são menos inteligentes que os brancos, tem menos capacidade? ta tudo errado! querem combater o racismo criando leis onde há mais discriminação, assim não dá!

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