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Deputados pedem prorrogação de prazo da CPI da Petrobras até março de 2016

Matéria publicada em 20 de outubro de 2015, 21:51 horas

 


Relator da comissão, Luiz Sérgio apresentou o relatório final e quer encerrar trabalhos na sexta

Questionado: Grupo de parlamentares está insatisfeito com relatório de Luiz Sérgio e quer prorrogar trabalho (Foto: Paulo Dimas)

Questionado: Grupo de parlamentares está insatisfeito com relatório de Luiz Sérgio e quer prorrogar trabalho
(Foto: Paulo Dimas)

Brasília –  Contrariando o relator da CPI da Petrobras, deputado federal Luiz Sérgio (PT), pelo menos 20 deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras assinaram o pedido de prorrogação dos trabalhos do colegiado, segundo o deputado Ivan Valente (PSOL-SP). O parlamentar petista apresentou o relatório final nesta segunda (19) e pretendia encerrar os trabalhos até sexta-feira (23).

A estratégia adotada pelos deputados insatisfeitos será convencer líderes para que esta prorrogação seja votada em plenário. Para isto, é necessário que 257 deputados, ou, segundo Valente, de líderes que representem esse volume de parlamentares, assinem o requerimento de urgência para que vá à votação.

— [O número de assinaturas] já mostra que a CPI tem maioria e que quer continuar, inclusive o presidente [Hugo Motta (PMDB-PB)]— disse Valente.

Segundo ele, se conseguir a prorrogação da comissão até março, o esforço será direcionado para “ouvir muita gente, quebrar sigilos e fazer acareações que não foram feitas. Vamos fazer chamada de políticos citados. Todos citados deveriam ter se apresentado. Era a chance de defesa deles. Os pedidos de convocação estão lá [na CPI], foram impedidos de serem votados”, criticou.

Para o deputado, o cenário seria diferente por “pressões políticas” em razão das novas denúncias, envolvendo inclusive o nome do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Valente disse que se não conseguirem assinaturas suficientes, o PSOL e outras legendas estão preparando um relatório paralelo com destaques ao texto do relator Luiz Sérgio (PT-SP).

O parecer foi entregue na segunda (19) sem propor o indiciamento de nenhum dos parlamentares citados nas investigações da Operação Lava Jato. O relator sugeriu 30 recomendações destinadas a prevenir casos de corrupção nas seguintes empresas, órgãos ou instituições: Petrobras, Procuradoria-Geral da República, Justiça Federal, Polícia Federal e Ministério de Minas e Energia.

O texto, que será votado na próxima quinta-feira (22), véspera do prazo de encerramento da CPI, apenas propõe o indiciamento de pessoas já condenadas em primeira instância, indiciadas e denunciadas na Operação Lava Jato. O presidente do colegiado, Hugo Motta (PMDB-PB) não considerou o resultado ruim e argumentou que faltaram instrumentos para as investigações. Para ele, o colegiado conseguiu fazer análise do cenário político envolvendo as denúncias.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), lembrou que a CPI teve o prazo prorrogado por duas vezes. Aberta em fevereiro deste ano, o colegiado encerrou os trabalhos sem ouvir parlamentares citados no esquema de corrupção e pagamento de propina na Petrobras. O único a falar na comissão foi Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que compareceu espontaneamente. Esta foi uma das principais motivações para a formulação de votos em separado para alterar o resultado dos trabalhos da comissão. Mas, para Guimarães, o relatório apresentado é “bastante consistente”.

Segundo ele, cabe agora à comissão decidir se vota contra ou a favor do relatório. “Oposição quer sempre palco. Não tem mais o que fazer”, avaliou.

Guimarães que participou durante a manhã de reunião de líderes aliados com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Ricardo Berzoini, reforçou que as palavras de ordem são diálogo e cautela. Segundo ele, o objetivo da base aliada é destravar a pauta da Casa e “baixar a temperatura”, referindo-se ao impasse político criado com expectativas em torno de pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff e o processo contra Cunha que está no Conselho de Ética.

“Impeachment e Cunha não são assuntos de governo. Estamos tomando providências para que esta pauta negativa da oposição não contamine a pauta positiva que são as questões relacionadas com a economia. O ambiente político [permite] construir um diálogo. Num momento como este todo mundo tem que sentar à mesa”, explicou.

Relatório diz que estatal foi vítima de cartel

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, apresentado nesta segunda-feira (19), faz críticas à Operação Lava Jato, admite que a estatal foi vítima de um cartel de empreiteiras, “com a cumplicidade de alguns maus funcionários”, e que houve “motivações de natureza pessoal” nos crimes cometidos.

A quantidade e a relação das pessoas a serem indiciadas ainda serão definidas até quinta-feira (22), penúltimo dia de funcionamento da CPI – que ainda pode ser prorrogada se o Plenário da Câmara aprovar um dos requerimento apresentados nesse sentido – um pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e outro por vinte parlamentares.

O relatório, apresentado pelo deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), conclui que não há “menção sobre o envolvimento dos ex-presidentes da Petrobras José Sérgio Gabrielli e Graça Foster ou de ex-conselheiros da estatal, como a presidente Dilma Rousseff”. O mesmo em relação ao ex-presidente Lula.

No entanto, pelo menos dois sub-relatores da CPI, os deputados Bruno Covas (PSDB-SP) e Andre Moura (PSC-SE), pediram o indiciamento de Gabrielli. Covas pede também o indiciamento de Dilma Rousseff – ex-presidente do Conselho de Administração da estatal. Ao todo, eles e outro sub-relator, deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), pediram mais de 60 indiciamentos.

“Não é possível tirar a responsabilidade da presidente Dilma”, disse o vice-presidente da CPI, deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA).

Pedidos de indiciamento

Como as sugestões não foram acatadas em sua íntegra pelo relator, a relação das pessoas que terão o indiciamento solicitado pela CPI ainda será definida em uma reunião de trabalho na qual os deputados poderão apresentar sugestões.

“Até quinta-feira, vamos unificar os pedidos de indiciamento em um único capítulo do relatório com base no que foi sugerido pelos sub-relatores”, disse o relator.

Os sub-relatores que não se sentirem contemplados podem apresentar destaques de votação em separado para incluir ou excluir trechos do relatório até o início da votação do relatório final, marcado para a próxima quinta-feira.

“Vamos fazer uma reunião de trabalho para tentar diminuir ao máximo o número de destaques”, disse o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB).

Insatisfação

Bruno Covas deixou clara sua insatisfação com o relatório apresentado por Luiz Sérgio. ”Está parecendo um não relatório”, disse.

O deputado Ivan Valente (Psol-SP) anunciou que vai apresentar um relatório paralelo. Já Altineu Côrtes pediu mudanças no relatório final. Ele sugeriu o indiciamento de mais de 50 pessoas e defendeu a prorrogação dos trabalhos da comissão.

Cortes apresentou relatório setorial com mais de 150 páginas, com recomendações de indiciamentos de empresários e funcionários da Petrobras responsáveis pela assinatura de contratos do setor petroquímico.

Ele mencionou especificamente os funcionários Nilton Maia, chefe da assessoria jurídica; e Raimundo Ferreira, responsável pela vende de nafta pela Petrobras para a petroquímica Braskem, controlada pela Odebrecht.

O deputado pediu ainda o indiciamento do empresário David Feffer, ex-controlador da petroquímica Suzano, que teria sido comprada por valor acima do seu preço de mercado pela Petrobras.

Ele pede ainda o indiciamento dos executivos de todas as empreiteiras apontadas como integrantes do cartel que atuava na Petrobras.

Mais indiciamentos

Outros dois sub-relatores, Andre Moura e Bruno Covas, concluíram, em seus relatórios setoriais, que a estatal criou empresas privadas de fachada para burlar a legislação e evitar o controle por parte do Tribunal de Contas da União (TCU).

Os sub-relatórios apresentados pelos dois apontam que isso ocorreu em relação às empresas Sete Brasil, criada para construir sondas de perfuração; e Transportadora Gasene, criada para construir um gasoduto. Segundo a Operação Lava Jato, os contratos relativos às obras renderam propina a diretores da empresa e agentes políticos.

Além de pedir o indiciamento do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, Bruno Covas pediu a responsabilização da presidente Dilma Rousseff e da ex-presidente da estatal Graça Foster, por envolvimento na criação de uma empresa que ele considera “de fachada”, a Transportadora Gasene.

Andre Moura, por sua vez, pediu o indiciamento dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque; do ex-gerente Pedro Barusco; dos ex-executivos da Sete Brasil Nilton Carneiro da Cunha, João Carlos Ferraz e Renato Sanches; do doleiro Alberto Youssef e de quatro operadores financeiros ligados a estaleiros.

Moura pediu ainda o indiciamento do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Empresas de fachada

A transportadora Gasene é uma empresa privada, uma sociedade de propósito específico (SPE), criada para construir o gasoduto Gasene, que liga o Espírito Santo à Bahia, com 1,3 mil km de extensão. O Gasene envolveu investimentos de R$ 6,3 bilhões e contou com 80% de financiamento pelo BNDES, além de dinheiro.

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União apontou que a Gasene foi criada para burlar a legislação.

Bruno Covas afirmou que mais de 600 documentos internos da Petrobras, usados formalmente para fazer recomendações à área de engenharia da Gasene, na verdade eram recomendações para a gestão da empresa. “A Petrobras controlava até mesmo quem a Gasene deveria enviar como preposto em audiências na Justiça Trabalhista”, disse o deputado.

Bruno Covas acusou Graça Foster de mentir à CPI. “Ela veio aqui e disse que a Petrobras não tinha ingerência na Gasene”, disse.

Já a Sete Brasil foi criada por iniciativa da Petrobras em 2011 e, segundo o ex-gerente da área de serviços da Petrobras Pedro Barusco, nomeado diretor da empresa, houve pagamento de propina de 1% sobre os contratos com a Sete Brasil.

A Sete Brasil foi contratada pela Petrobras para construir 28 sondas de perfuração, uma operação com valor total de US$ 22 bilhões.


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15 comentários

  1. Só quem acredita em “mula sem cabeça”, pode imaginar que o Deputado faria coisa diferente, quem tem “rabo preso” vai fazer de outra forma. Foi ministro da Pesca, olha quantas falcatruas apareceram nesse ministério. Quanto ao VR, sem querer entrar no mérito político, pois todos são iguais, independente de partido, – SE MODIFICARMOS A FORMA DE QUANTIFICAR, MUDANDO DE RENDA PER CAPITA PARA RENDA POR KM QUADRADO, VR ESTARIA EM PRIMEIRO LUGAR EM ARRECADAÇÃO, DAÍ EU PERGUNTO: VR PODERIA SER MELHOR?

  2. Primeiro lugar nacional em transplante de córneas, primeiro lugar nacional em distribuição de óculos para idosos, crianças e pessoas carentes, prefeito com maior índice de aprovação do BRASIL.
    Não foi o papagaio que falou, já morei em Volta Redonda, hoje não moro mais, por isso tenho o que comparar. E como dito antes: não esta satisfeito vai morar em outro lugar.

  3. Coxinha-de-cidade-operária

    Informação: 68% dos citados no Petrolão são do PP (partido do Bolsonaro, ídolo dos coxinhas, que pediu o impeachment de Dilma).
    De nada.

    • PP que está coligado ao PMDB/PT, logo distribuíram recursos desviados da petrobras para as campanhas eleitorais dos seus candidatos.

    • Bolsonaro não…….MITO BOLSONARO ( próximo presidente do Brasil)

    • Se Vc encontrar alguma placa propaganda do Bolsonaro pai no Rio em 2014 nos avise.

      Segundo ele não foi gasto R$1,00 em propaganda como pode ser visto na prestação de contas dele ao TSE portanto, demonstra que ele não recebeu da petrobras. A campanha dele foi toda pelo YOUTUBE e FACE.

      Já outros candidatos ainda registraram no TSE o recebimento da empreiteiras, e mesmo assim o POVINHO corrupto vou neles.

  4. CADEIA PARA OS LADROES DA PETROBRAS E SEUS “SIMPATIZANTES”!!!!!

    F O R A PT!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. Tem gente que nasceu pra passar vergonha.

  6. Cara de pau !

  7. Ridículo este tal deputado Luiz Sérgio ! Uma teia de mentiras para blindar o PT. FORA PT !!!!

  8. Agora a Petrobrás foi vítima de cartel, né? Foi cartel de petistas corruptos, deputado.

    Esperamos a prorrogação dessa CPI para conhecermos mais alguns deputados corruptos eleitos/reeleitos pelo POVINHO corrupto que só em VR existem 95 mil deles, no mínimo.

    • Volta Redonda é a segunda cidade mais desenvolvida do Estado do Rio de Janeiro, ficando atrás apenas da capital carioca…….PONTO.

    • São 95 mil eleitores satisfeitíssssssssssimos com nosso prefeito. Esta ruim para vc? vai morar em outra cidade, talvez na terceira, quarta, quinta, etc colocada kkkkkkkkkkk

    • Algum papagaio falou isso para Vc.

      No IBGE Cidades, Niterói de padrão PER-CAPITA e arrecadação “parecida” é a melhor do RJ no índice que VR nem aparece na primeira página.

      No IFDM, VR se situa em 220 lugar, indice este que mostra outras cidades do estado do RJ bem a frente.

      Meu caro, não é ruas cheias de buracos ou ondulações bem pintadinhas e praças desertas que faz uma cidade melhor, mas compreendo a defesa dos assessores, cargos comissionados e RPAs para garantir a mesada alta todos os meses tirados do meus ALTÍSSIMOS IMPOSTOS.

      Não somos nós, os trabalhadores e contribuintes que têm de deixar a cidade para os mãos grandes ficarem à vontade.

    • Primeiro lugar nacional em transplante de córneas, primeiro lugar nacional em distribuição de óculos para idosos, crianças e pessoas carentes, prefeito com maior índice de aprovação do BRASIL.
      Não foi o papagaio que falou, já morei em Volta Redonda, hoje não moro mais, por isso tenho o que comparar. E como dito antes: não esta satisfeito vai morar em outro lugar

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