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Fórum Regional apresenta resultado do último ano e traça novos caminhos para a superação da violência

Matéria publicada em 14 de julho de 2019, 21:42 horas

 


Fórum debate alternativas de combate à violência

Sul Fluminense – Neste sábado, dia 13, foi realizado o II Fórum Regional de Superação da Violência, em Resende. O encontro promovido no Colégio Salesiano reuniu representantes das comunidades católicas da cidade e de outras instituições públicas e privadas. Durante todo o dia foram realizadas palestras e intervenções populares como forma de apontar caminhos para a promoção da cultura de paz. Além disso, grupos que trabalham com a superação da violência em Resende montaram estande para apresentar as iniciativas.
Um dos organizadores, o padre Rafael Ferreira, coordenador da região pastoral de Resende/Itatiaia, explicou o objetivo do Fórum. “Este Fórum quer ser um espaço de reflexão, de aprofundamento e tomada de consciência, pois é preciso, diante do enorme desafio que temos, refletir, aprofundar e conscientizar. Afinal, não há soluções fáceis para problemas difíceis, não há soluções rasas para problemas profundos e não há soluções instantâneas para problemas sistêmicos. Diante disso, é hora de abrirmos nossas mentes e os nossos corações para que neles seja lançada, mais uma vez a semente teimosa da paz”, disse.
Na parte da manhã o encontro contou com a participação do bispo diocesano, dom Luiz Henrique da Silva Brito, que falou sobre alinhar discurso e prática. “Nosso compromisso é colocar em prática o que nós entendemos como caminho virtuoso e valoroso para a superação da violência. Começa em casa, na família, nos nossos relacionamentos cotidianos e nas redes sociais também. Usar a empatia, o controle emocional para saber lidar com aquele que pensa diferente”, destacou dom Luiz Henrique. Também de manhã, foi abordado o tema “Agressividade e Violência, aspectos psicológicos”, com Iara Maria de Farias, que apresentou como a violência é tratada na mídia, dentro de casa, nas escolas e em outros espaços sociais. “Devemos refletir sobre qual é a nossa participação na mudança da sociedade e na busca de uma cultura de paz. Somos responsáveis pela transformação a partir dos nossos microuniversos: família, trabalho, comunidade… e nos entender responsáveis pela transformação na nossa sociedade”, disse. Logo após foi o tema “Políticas Públicas de Superação da Violência”, com o dr. Marcelo Dias da Silva – Juiz da 2ª Vara de Família – VR. “É fundamental que nós transmitamos aos nossos filhos a ideia de que a violência gera mais violência. Por isso é preciso respeitar os limites, a opinião alheia diferente da nossa, respeitar o espaço de cada um, o jeito de ser de cada um e fazer com que tenhamos uma sociedade em que os diferentes possam conviver naturalmente, com integralidade sem que sejam prejudicados por conta dessas diferenças. Então teremos uma sociedade muito mais justa”, disse Marcelo.
Na parte da tarde foi a vez do tema: “Superação da Violência- Experiências”, com Beto Chaves – Inspetor da Polícia Civil, que falou sobre o Papo de Responsa, um projeto da Polícia Civil. “A gente usa as boas desculpas de conversarmos sobre direitos humanos, cultura de paz, mediação pacífica de conflitos, drogas, bullying, crimes na internet, para falar dos desafios que a nossa juventude vem enfrentando no seu processo de desenvolvimento. Então é uma conversa informal de um jeito aberto e amplo, sem imposição de verdades, porque para a gente o que é mais importante é o exercício do pensamento e da mudança de comportamento, se for o caso”, explicou.
Para finalizar o Fórum, foi entregue um documento ao poder público de Resende com propostas para a atenção e prevenção da dependência química. Esse trabalho é realizado por uma equipe executiva das pastorais sociais da diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda, como principal indicação do Fórum das Pastorais Sociais desde 2016. “O projeto tem como objetivo primeiro articular as pastorais sociais e também ampliar e fortalecer a Pastoral da Sobriedade que já tem um trabalho direto com essas pessoas. Além desse projeto para nós, comunidade, é também voltado para as autoridades dos nossos municípios. Por isso hoje entregamos essa proposta para as autoridades da cidade de Resende”, concluiu.

Resultados e iniciativas

Essa é a segunda edição do Fórum. Desde o ano passado uma comissão se organizou para tratar do tema de forma permanente. Além da mobilização para cobrar e acompanhar os recursos que são para a segurança, o grupo notou a formação de projetos que pretendem contribuir na superação da violência, como contou Éder Almeida, um dos organizadores do Fórum. “Depois do primeiro fórum formou-se um grupo de pessoas que trabalha durante todo o ano pensando sobre as questões da violência e a superação dela. Desse grupo surgiram dois projetos sociais na região da Baixada Olaria: um primeiro que foi de aula de capoeira com o grupo ‘Tradição Senzala” e um grupo de aulas de espanhol. As comunidades católicas também abraçaram um projeto social que já existia, o Itapuquinha Futsal. E a gente observou que muitas pessoas compartilham desse desejo de acabar com a violência. Então nós estamos aumentando nossa rede de voluntários”, disse Éder, lembrando que a aula de espanhol é toda quinta-feira no salão da associação de moradores, às 19h, as aulas de capoeira são segunda e quarta às 19h30 e o projeto social de futsal para crianças de 5 a 14 anos é durante toda a semana, a partir das 19h na Praça das Mangueiras na Itapuca.
O trabalho após o Fórum segue com a articulação da comissão de superação da violência. A próxima reunião será no dia 02 de agosto, às 19h, no salão da Igreja do Rosário, em Resende e é aberta a todos.


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