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Investigadores procuram vulnerabilidades em urna

Matéria publicada em 12 de março de 2016, 13:00 horas

 


Teste Público de Segurança é feito por especialistas que buscaram possíveis falhas no sistema eletrônico de votação

teste unra eletronica

Precaução: Teste Público de Segurança (TPS), organizado pela Justiça Eleitoral (Foto: Agência Brasil)

Brasília – Em 1996, cinquenta e sete cidades abandonavam o papel e passavam a usar a urna eletrônica para registrar seus votos nas eleições municipais. Vinte anos depois, todas as regiões brasileiras contam com o voto informatizado. Nesta semana, hackers reunidos em Brasília tentaram encontrar vulnerabilidades no sistema, antes que possíveis falhas ou fraudes manchem o histórico da urna criada por um  5 “ninjas” – apelido dado ao grupo criador do sistema eletrônico por causa da origem oriental de três dos integrantes.

Será que o teclado da urna digita mesmo os números que o eleitor aperta?

A urna pode emitir o áudio do voto. E se esse áudio vaza?

Um aplicativo mal intencionado pode modificar a destinação da escolha popular?

Perguntas como as listadas acima motivam cinco planos de investigação selecionados para o Teste Público de Segurança (TPS), organizado pela Justiça Eleitoral. Em sua terceira edição, o evento reuniu especialistas esta semana, ávidos por testar suas teses e, quem sabe, detectar falhas no sistema antes de pessoas mal intencionadas.

O secretário de Tecnologia de Eleições do TSE, Giuseppe Janino, o quinto “ninja” co-criador da urna eletrônica, destaca que qualquer pessoa maior de 18 anos pode se inscrever nos testes públicos. O evento passou a ser obrigatório antes de cada eleição, conforme norma publicada pelo presidente do TSE, ministro Dias Toffoli.

Mês da mulher

No mês da mulher, a gaúcha Elisabete Evaldt, graduanda em Ciência da Computação, era a única investigadora mulher no espaço restrito aos investigadores. Em meio a urnas desmontadas, caixas e muitos cabos, ela considera importante não apenas ter mais mulheres na computação, mas também em outros cenários, como na política.

“Sempre que discuto sobre isso, quero destacar que é mais importante ter mais mulheres em quem votar do que necessariamente testando o equipamento”, diz.

A investigadora juntou-se a um amigo para tentar fraudar a destinação dos votos na urna através do controle de dispositivos como o teclado e a impressora da urna. “Tivemos acesso preliminar aos códigos fontes, tínhamos ideia da dificuldade, mas viemos na expectativa de, quem sabe, acha alguma coisa aberta”, explica.

Elisabete pondera que o teste é feito em um ambiente controlado no qual várias barreiras de segurança já foram derrubadas para que os investigadores pudessem vasculhar tanto bits quanto chips da máquina eletrônica. Mesmo assim, considera essencial dar um “sacode no Middleware”,  programa responsável pela mediação entre os periféricos (partes físicas) da urna e o sistema virtual.

“A gente focou muito nesses periféricos, momento em que a informação sai da mão do usuário que está digitando no teclado, antes dela ser gravada na memória ou na hora de imprimir o boletim de urna”, detalha.

Urna pode emitir o áudio do voto

A partir dos 16 anos, o cidadão tem o direito de votar independente de suas características físicas. Por isso, pessoas com deficiência visual podem solicitar previamente à justiça eleitoral, ou pedir ao mesário, a liberação do áudio que narra o voto. Até aqui, tudo bem, direito garantido.

Contudo, a equipe do professor Luiz Fernando de Almeida, da Universidade de Taubaté (Unitau – SP), está preocupada com a possibilidade desse áudio vazar para outra pessoa. Para Almeida, um simples dispositivo eletrônico poderia se conectar na saída de áudio e transmitir a informação via Bluetooth ou por streaming de áudio.

“O que queremos saber é como a urna se comporta diante dessa situação [de vazar o áudio]. A ideia não é encontrar uma falha, mas sim apontar melhorias”, ressalta Almeida.

O grupo de Almeida conta com a participação do estudante de mestrado do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Alisson Chaves, que também faz engenharia de computação na Unitau. De acordo com o pesquisado, o mais importante para eles é buscar formas de evitar a quebra do sigilo do voto baseado em gravação do áudio.

Segundo os dois investigadores, a vulnerabilidade só funciona se houver alguém mal intencionado em tentar ouvir o voto de outro eleitor, assim como ocorria com o voto de “cabresto”. Na história do Brasil coronéis mandavam seus subordinados votarem em determinado político e enviavam um capacho para conferir se a ordem foi cumprida.

“Por isso, precisamos de um mecanismo para que o áudio não possa ser capturado e enviado para algum lugar proibido”, reforça Alison.

Os acadêmicos explicam que há três casos em que o áudio fica disponível para os eleitores. No primeiro, a pessoa solicita previamente alegando atendimento especial. No segundo, uma ou mais seções específicas já vão com o áudio de todos os votantes ativado. nesse caso, a ativação é importante para lugares onde há maior incidência de deficiência visual, como no caso de populações com muitos idosos com catarata. Por fim, o áudio também pode ser disponibilizado se o eleitor disser que precisa usá-lo para conseguir exercitar o seu voto devido a algum problema temporário nos olhos. Assim, o mesário é obrigado a liberá-lo manualmente mesmo sem nenhum tipo de comprovação.

Para o secretário de Tecnologia de Eleições do TSE, Giuseppe Janino,  a acessibilidade e a segurança dos dados formam um paradoxo. “Na medida que você aumenta as restrições de segurança (como restringir o uso do áudio), você acaba diminuindo a transparência. É preciso encontrarmos um equilíbrio para que os dois caminhem juntos”, pondera.

Um aplicativo pode modificar a destinação da escolha popular?

João Felipe Souza foi o único investigador a se inscrever individualmente no evento. Após conhecer o código fonte em visita preliminar ao TSE,  o professor de informática do Instituto Superior do Triângulo Mineiro, campus em Paracatu (MG), decidiu apresentar quatro planos de trabalho ao mesmo tempo.

Sua meta nos três dias de teste é encontrar vulnerabilidades no teclado, tentar refazer a votação em uma urna e descobrir se o kit de transmissão dos dados pode permitir uma invasão aos servidores centrais do tribunal. Sem poder contar os resultados obtidos até o momento, e em meio a diversos outros testes, João preferiu destacar a importância do evento para o Brasil.

Segundo o professor, é uma oportunidade única de pessoas externas acessarem os dados.

“A análise que fazemos é uma análise cidadã. É importante para dar tranquilidade ao eleitor e maior transparência ao processo”, completa João.

O Teste Público de Segurança (TSE) terminou nesta quinta-feira com a apresentação de um balanço geral feita pelo ministro do TSE, Dias Toffoli. No dia 15 de março, a equipe organizadora publicará um relatório completo com possíveis falhas e soluções apresentadas. Até lá, por conta de uma cláusula de confidencialidade, os investigadores não poderão revelar o resultado dos testes.


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5 comentários

  1. por isso nao somos desenvolvidos. pessoas ainda acredita em pappai noel.O povo brasileiro nunca votou em um Presidente sem trajetoria politica. e Dilma ganhou. Se liga na historia. historiadores o povo brasileiro.nao estou falando de mim , o povo brasileiro mudou a meneira de pensar na eleucao da Dilma.Lula nao apoiaria se nao tivesse conficto da vitoria.pense nisso..O EUA esteve aqui viu a maquina e nso quiz, mais nois estamos na frente deles disse o amigo. temos ate google,winds,etc….

  2. Antonio Carlos Peludo

    Sem comentários qualquer TI sabe como é fácil

  3. Não acredito na URNA ELETRONICA muito menos no declaração de imposto de renda informatizado.
    O FISCO não consegue combater o enriquecimento ilícito de pessoas corruptas ou envolvidas em dinheiro ilegal….FATO NORMAL em BRASILIA.
    Quanto a URNA ELETRONICA ….isso é tudo armação…teste PUBLICO….HACKER´S não participam.
    VOTO OBRIGATORIO !!!!! VOTO DE CABRESTO !!!! CURRAIS ELEITORAIS !!!!
    COMPRA DE VOTOS !!! A urna eletrônica somente faz com que esses crimes eleitorais fiquem mais camuflados .

  4. O Brasil é muito bom em dois projetos de TI.
    a) Urna eletrônica
    b) Imposto de Renda
    Estamos na frente de muito pais desenvolvido…
    Do contrario que as pessoas pensam, é muito mais seguro que o metodo tradicional no papel.

    Parabéns ao Serpro…nota 10

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