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Peemedebistas da região criticam falta de mulheres nos ministérios

Matéria publicada em 21 de maio de 2016, 19:10 horas

 


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Análise: Michel Temer não foi poupado pelas mulheres do PMDB do Sul Fluminense
(Foto: ABr)

Volta Redonda e Resende- O presidente em exercício Michel Temer (PMDB) iniciou seu governo com uma grande polêmica: ausência de mulheres na composição do ministério. O formato do novo governo é o primeiro sem a presença feminina desde o presidente Ernesto Geiser (1974-1979). Fato que gerou críticas dos mais diversos setores e ganhou eco entre peemedebistas do Sul Fluminense.
Assim que divulgou a nova equipe, Temer se tornou alvo de internautas que bombardearam as redes sociais com críticas, que classificaram o novo governo como “machista” e “retrógrado”. O DIÁRIO DO VALE procurou algumas mulheres parlamentares da região, inclusive duas delas peemedebistas, para emitir opinião sobre o “ministério masculino” de Temer. A vereadora de Volta Redonda, América Tereza, cumpre seu quinto mandato na Câmara Municipal e atualmente é a única mulher parlamentar na Casa. Para Tereza, a atitude de Temer foi surpreendente, pois, segundo a vereadora, o presidente interino sempre incentivou a presença feminina nas mais diferentes esferas da política. Tereza disse ainda que teve contato com Temer em eventos do PMDB Mulher, nos quais manteve tal perspectiva.
– Michel Temer sempre esteve conosco e mostrava uma fala diferenciada nas ações em prol da mulher na política, fazia questão de participar dos eventos do partido, sendo cordial com todas as mulheres. Sua atitude de não convidar nenhuma mulher para ocupar os ministérios foi surpreendente – comentou.
Tereza comentou também a entrada da economista Maria Silvia Bastos no comando do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Sem deixar de lado os méritos do currículo da eterna “dama de aço”, Tereza analisa analisou a escolha como uma maneira de amenizar as críticas.
– Devido às críticas, acredito que Temer repensou suas escolhas em um segundo momento pela cobrança de que se tornou alvo. O fato de não ter convidado uma mulher, que poderia estar compondo um ministério, pesou. Temos no Brasil mulheres capacitadas para o cargo, mas essa atitude, sem dúvida abalou o mundo feminino – pontuou.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil tem 142,8 milhões de eleitores. Mais da metade são mulheres (52,13%). A minoria tem ensino superior e a maioria dos aptos a votar tem entre 45 e 59 anos. Ainda assim existe a desigualdade na política e a vereadora acredita que o machismo é a causa para esse cenário.
– Por mais conquistas que nós (mulheres) tenhamos isso (machismo) existe. Uma delas foi chegar à presidência e ocupar espaços que antes eram exclusivos do mundo masculino. Ainda assim há muito machismo, principalmente na política – disse, acrescentando que apesar dessa desigualdade sempre foi respeitada na Câmara Municipal pelos vereadores.
América Tereza comentou ainda que há 20 parlamentares em exercício com ela, e todos os outros são homens. Ela lembrou que em outras legislaturas chegou a dividir o parlamento com outras mulheres.
– Desde o início do meu mandato sempre fui muito respeitada em todos os sentidos pelos colegas vereadores. Ao longo da minha carreira já compartilhei o espaço com outras vereadoras, como por exemplo, a ex-vereadora Neusa Jordã. Entretanto, é notório que há desigualdade entre homens e mulheres na Câmara – salientou.

Ana Paula Rechuan

A deputada estadual Ana Paula Rechuan (PMDB) destacou através de dados a desigualdade entre homens e mulheres na política. Ela lembrou que na Alerj as mulheres são 12,8% do total dos deputados estaduais e na Câmara Federal este percentual chega a 9,9%. No Senado a situação é apenas um pouco melhor, com 16% das cadeiras ocupadas por mulheres.
– Somos mais de 50% do eleitorado brasileiro, mas ainda temos pouca presença na política. O empoderamento da mulher na política passa pela atitude das mulheres em participar da vida partidária, e em partidos que as vejam como reais candidatas e não apenas como número a ser preenchido. Também passa por nós, mulheres, enxergarmos que podemos transformar a realidade, dando um olhar feminino às nossas câmaras, assembleias e Senado – disse.
De acordo com Ana Paula Rechuan há uma sensibilidade maior com elaborações projetos de leis relacionados à família por ser mulher.
– Como mulher, temos uma observância maior em projetos relacionados à família, e claro, ao sexo feminino. Sabemos da nossa dupla jornada de trabalho, da necessidade de buscar horários para exames médicos, por exemplo; e isso acaba refletindo na hora de apresentar propostas – falou.
A deputada lamentou a falta feminina nos ministérios de Temer destacando a capacidade da mulher em qualquer cargo dentro da administração pública federal.
– É lamentável não ter nenhuma representação feminina no ministério do presidente interino Michel Temer. Acredito que temos mulheres capacitadas para ocupar qualquer cargo dentro da administração pública federal. Em sendo o criador do modelo da primeira Delegacia Mulher do país, esperava que tivesse mais sensibilidade neste sentido, mas talvez pela forma de negociação rápida para formação de um governo interino, falhou ao não observar a representatividade feminina – comentou.
Apesar do presidente em exercício Michel Temer pertencer ao PMDB, à deputada estadual informou que o partido trabalha ativamente na delegação do poder da mulher na política, dando condições iguais para a disputa eleitoral.
– O PMDB tem um forte trabalho dentro do PMDB Mulher, e isso vem fortalecendo a participação das mulheres no processo eleitoral. Aqui na Alerj temos uma bancada feminina forte, formada por nove deputadas, sendo duas do PMDB. Na região Sul Fluminense, temos representatividade em diversas Câmaras de Vereadores. Enquanto partido, temos que seguir trabalhando no empoderamento da mulher na política, dando condições iguais para a disputa eleitoral, e acredito que estamos caminhando neste sentido – finalizou.

Por Franciele Bueno

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Um comentário

  1. Não se preocupem!

    Em outubro o PMDB (irmão do PT) e ALIADOS não receberão nenhum voto. Aí ficará melhor para as mulheres entrarem na política.

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