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População LGBTQI+ terá atendimento psicológico no Centro de Cidadania

Matéria publicada em 13 de outubro de 2019, 09:12 horas

 


Parceria entre Estado e Prefeitura prevê ainda capacitação de pessoal da Saúde e Educação para atender pacientes

Espaço será ampliado pela prefeitura e passará a contar com mais uma sala
(Foto: Paulo Dimas)

Volta Redonda- O Centro de Cidadania LGBTQI+ de Volta Redonda passará a oferecer serviço de psicologia para atender melhor à população homossexual. O Centro – instalado dentro da secretaria municipal de Políticas para Mulheres, Idosos e Direitos Humanos (SMIDH) – já disponibiliza o atendimento ao público através de uma coordenadora, um advogado e uma assistente social. O espaço será ampliado pela prefeitura e passará a contar com mais uma sala e uma coordenação municipal.
A proposta do reforço da assistência psicológica foi viabilizada através de parceira da secretaria de Promoção, Defesa e Garantia dos Direitos Humanos do Estado do Rio e da SMIDH. O subsecretário da secretaria de Promoção, Defesa e Garantia dos Direitos Humanos, Thiago Miranda, explicou como será o novo atendimento aos usuários.
– O atendimento psicológico é feito através da demanda recebida. A população LGBT que procurar o centro será encaminhada de acordo com a demanda e, em caso de necessidade de apoio psicológico, nosso psicólogo realiza o atendimento específico. São muitos os casos onde a população LGBT necessita de atendimento psicológico. Famílias que não aceitam e expulsam a pessoa de casa, preconceito sofrido, dificuldade em se entender e se aceitar, dúvidas sobre sexo e relacionamento, problemas pessoais, etc – disse, acrescentando que o psicólogo contratado para o Programa Rio Sem Homofobia passa por análise e avaliação.
As secretarias –municipal e estadual- se reuniram na semana passada para dialogar sobre a melhoria da estrutura do Centro de Cidadania. Participaram do encontro a secretária da pasta, América Tereza, o superintendente de Políticas LGBT, Ernane Alexandre; a nova coordenadora do Centro de Cidadania LGBT do Médio Paraíba, Francyne Francisco, e o coordenador do VR Sem Homofobia, Natan Teixeira.
– Fomos muito bem recebidos pela secretária América Tereza, que se dispôs a ajudar. Já existe um termo de parceria com a prefeitura que não vinha sendo cumprido. O governo do Estado então, para que o Centro não parasse o funcionamento, arcou com toda mão de obra necessária para o funcionamento do mesmo. Na nossa reunião a secretária se dispôs a ajudar melhorando a estrutura cedida e cedendo também um administrativo para o Centro. E ficamos de rever o termo já existente para adequá-lo a nova realidade da prefeitura de Volta Redonda – comentou o subsecretário Thiago Miranda.
Na opinião do coordenador do VR Sem Homofobia, Natan Teixeira, a inclusão do serviço psicológico vai ajudar a suprir a demanda existe entre os usuários.
– Teremos uma melhor oferta do atendimento com a chegada do profissional. O serviço poderá orientar melhor a porta de entrada na saúde dos outros municípios e suprir uma demanda hoje que vem crescendo na região. O atendimento psicológico no Centro de Cidadania segue o mesmo atendimento psicológico utilizado nos serviços de assistência social. Não se trata de um atendimento clínico, mas sim de um atendimento psicossocial, que busca o desenvolvimento, caminhando junto com a psicologia clínica – disse, acrescentando ainda que o encontro entre Estado e Prefeitura foi de extrema importância para organizar as pendências.
– A reunião foi importante para organizar a casa, definir as obrigações de cada parte do termo de cooperação técnica e principalmente reafirmar a importância do projeto em alcançar os demais municípios da região como seu objetivo. De início foi encontrada a necessidade de algumas alterações na cooperação e de equipe para melhor desempenho do projeto que poderá acontecer nas próximas semanas – frisou Natan.
Natan Teixeira destacou sua luta na conquista de direitos para o público LGBTQI+ na região: “Hoje represento a única instituição legalmente com finalidade nos direitos da população LGBTI na região e tivemos um grande papel nas conquistas para a população da região através do trabalho que realizamos. Meu papel hoje no Centro de Cidadania LGBT é de usuário e de representante da sociedade civil, buscando caminhar junto com o Poder Público na efetivação do serviço de uma população que sempre esteve acolhida pela nossa instituição e agora conta com um serviço público”, disse.
O Centro de Cidadania LGBTQI+ de Volta Redonda atende 11 municípios (Barra Mansa, Barra do Piraí, Itatiaia, Pinheiral, Piraí, Porto Real, Quatis, Resende, Rio Claro, Rio das Flores e Volta Redonda) da região do Médio Paraíba e Sul Fluminense. De janeiro a setembro, deste ano, foram apenas 90 atendimentos, enquanto outros centros do estado (são sete ao todo) têm uma média de 400 a 600 atendimentos no mesmo período. O subsecretário estadual, Thiago Miranda, comentou sobre o baixo índice de atendimento e reforçou a expectativa de aumentar o número de atendimentos em Volta Redonda.
– Até hoje o Centro de Volta Redonda funcionava com baixa produção. Por isso a minha urgência em visitá-lo. Foi o primeiro que eu visitei e a baixa produção se dava pela dificuldade de diálogo entre o movimento social da região e os responsáveis pelas políticas públicas, como prefeitura e estado. Na reunião, ficou acertada a parceria para que os números de atendimento melhorem – comentou o subsecretário, destacando que em todos os centros no Estado foram registrados este ano até o mês de setembro 2.353 atendimentos.
O subsecretário Thiago Miranda ainda planeja a capacitação de técnicos e gestores municipais de outras áreas para melhor atender à população LGBTQI+, principalmente na Saúde e Educação.
– A questão da capacitação não está em estudo. É uma política pública, já realizada pela Subsecretaria, onde profissionais de diferentes áreas são capacitados para o recebimento e atendimento da população LGBT. Não é para melhor atender a população. É para saber atender a população. Aprender formas de tratamento, como lidar, saber o artigo usado antes de se dirigir à pessoa, chamar sempre pelo nome social, não praticar nenhum tipo de preconceito. Eu propus à secretária América Tereza um esforço no sentido de levar a política LGBT para outras pastas, onde ela abriria o caminho para que a subsecretaria, junto a nossa Superintendência LGBT, possa chegar na prefeitura com a capacitação dos servidores da saúde e educação para o recebimento e atendimento à população LGBT – destacou.


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