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Projeto de esporte ajuda na recuperação de adolescentes do Criad Volta Redonda

Matéria publicada em 9 de junho de 2019, 08:15 horas

 


Iniciativa do Ministério da Cidadania foi intermediada pela vereadora Rosana Bergone

Iniciativa do Ministério da Cidadania foi intermediada pela vereadora Rosana Bergone (Foto – Divulgação)

Volta Redonda – Dar a volta por cima e ter uma vida nova, este é o sonho do adolescente, identificado pela inicial de seu nome, P, 17 anos, um dos internos do Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (Criad) de Volta Redonda. Preso pelo artigo 157, pelo crime conhecido como saidinha de banco, está cumprindo pena de seis meses, está estudando e frequenta uma escola pública de Volta Redonda todas as noites. Tem no braço, um tiro que levou de um membro de uma facção rival. L, 18 anos, foi preso por porte ilegal de arma e tráfico. Também estuda e deseja ter um futuro melhor. Cumpre a medida socioeducativa de segunda a sexta-feira, e nos fins de semana vai para casa em Barra do Pirai, mas diz que evita qualquer má companhia.

O tráfico também tirou a liberdade do adolescente, V, 17 anos. Ele vai ficar seis meses no Criad, mas tem em mente que ao sair dali, não quer repetir o mesmo erro. Ele quer passar esta experiência na instituição para que outros jovens não caiam no crime. M. J, 17 anos, batizado com um nome de jogador famoso, cumpre pena também por tráfico. Está há dois meses no Criad, mas as suas palavras são de mudança. “Estou motivado a mudar. Aquela vida ruim, quero deixar para trás”, afirma o jovem, que mora em Resende.

O esporte, mais especificamente o Jiu-jitsu, é um dos motivos encontrados por estes quatro jovens para se recuperar e se afastar do mundo do crime. Há um ano, o Criad de Volta Redonda recebeu o projeto Esporte e Cidadania para Todos, do Ministério da Cidadania.
“Os treinos me ajudam muito. Quero construir uma vida melhor para mim e minha família”, afirmou M.J, que recebe elogios a todos tempo do professor Wagner por sua participação na modalidade. “Estou ocupando o meu tempo com o esporte e vou dar a volta por cima”, deseja P., que não quer mais dar sofrimento para a mãe.

“Escuto as ideias do professor e vejo que o jiu-jitsu me ajuda a ter disciplina”, disse L., que nos fins de semana, quando está em liberdade, treina o mesmo esporte em academia de sua cidade. “Se não tivesse o esporte aqui, já teria fugido. Ele me mantém aqui”, falou V, dizendo que as aulas despertaram o esporte na vida dele. “Penso em ser um lutador”, deseja.

Autoestima

Segundo o professor Wagner Benedeti, o Mamute, apesar da grande rotatividade dos internos na instituição, o projeto se mantém firme e os novos que chegam a instituição logo se interessam pelo jiu-itsu.

“A luta levanta a autoestima e, ao contrário do que se pensa, ela estimula o bem. Um comportamento que a gente não via antes do projeto ser implantado”, disse ele. “Mesmo eles sendo de grupos diferentes, aqui nos treinos eles se unem e um orienta o outro. Não há rivalidades. E isso, já reflete no comportamento em geral dentro da instituição”, relatou Wagner.

Comportar-se e bem é uma das exigências para se manter no projeto, segundo explica o coordenador da unidade, Cristiano Alvarenga. “Evoluímos muito, e hoje, os 16 agentes da unidade treinam junto com os adolescentes. Este é o auge do projeto, onde temos esta interação”, disse Cristiano, frisando que no último fim de semana, os adolescentes, agentes e professor participaram do Campeonato de Jiu-jitsu na Ilha São João. “Eles deixaram de ir para casa e participaram. Já estamos inscritos em nova competição em julho, na Liga Paraibana, no Clube Salesiano, em Resende. Além dos internos, os familiares também prestigiam a competição. E isso, motiva eles”, completou.

O respeito e a disciplina que o esporte proporciona também é destacada pela diretora do Criad, Josimeire Fernandes. “Faz a diferença. Vimos no dia a dia que estes adolescentes se dedicam e estão mais disciplinados. O esporte contribuiu para direcionar eles para um novo caminho na vida”, afirma, informando que os internos da instituição, com idade entre 15 e 19 anos, cumprem medida de semiliberdade de segunda a sexta-feira, estudam em escolas públicas, dormem na unidade e nos finais de semana podem ir para casa. “Para ter direito a ir para casa, eles têm que ter um bom comportamento todos os dias, esta é a regra principal”, frisa a diretora.

Outras modalidades

Além do Jiu-Jitsu, o projeto ainda oferece outras modalidades, como futebol, futsal e o caratê e tem a participação de todos os 20 internos. O projeto para chegar ao Criad foi intermediado pela vereadora de Volta Redonda Rosana Bergone, junto ao Governo Federal. Ela visitou a instituição na tarde de quarta-feira, dia 05, junto com a coordenação regional, para acompanhar uma das aulas de jiu-jitsu.
“Como é bom ver o objetivo sendo alcançado. Tenho certeza que o esporte ajuda a ressocializar e transformar as pessoas. Desejo que estes garotos encontrem um novo rumo para as suas vidas”, disse a vereadora, que aproveitou para elogiar a direção do Criad e os professores. “Obrigado a todos os envolvidos e, principalmente, ao governo federal por manter o esporte ativo em nossa região”, finalizou Bergone.

 


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