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Suposta ligação de Coutinho com doações ao PT gera bate-boca entre deputados

Matéria publicada em 19 de abril de 2015, 17:57 horas

 


Brasília-

O deputado federal Luiz Sérgio, relator da CPI da Petrobras, interveio no questionamento do  presidente do BNDES, Luciano Coutinho, durante o depoimento que Coutinho prestou por mais de oito horas à CPI da Petrobras na última quinta-feira (16). Ele afirmou que não havia previsão regimental para réplica e tréplica dos parlamentares.

O presidente do BNDES foi duramente criticado por deputados da oposição Um dos questionamentos deu origem a uma troca de ofensas entre deputados do PT e do DEM: a suspeita, publicada pela imprensa, de que Coutinho teria intermediado doações eleitorais de uma empresa investigada pela Operação Lava Jato para a campanha presidencial de Dilma Rousseff do ano passado.

A confusão teve início com uma pergunta do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) a respeito de notícia publicada em um blog da revista Veja, segundo a qual o presidente do BNDES teria intermediado doação eleitoral para o PT feita pelo presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, preso na Operação Lava Jato.

“O senhor se encontrou com Ricardo Pessoa e disse a ele que Edinho Silva, então tesoureiro da campanha presidencial de 2014, iria procurá-lo para que fizesse uma doação?”, indagou o deputado.

“De modo algum participei de financiamento de campanha”, respondeu Coutinho.

Lorenzoni não ficou satisfeito com a resposta. “Quero saber se o senhor se encontrou com Ricardo Pessoa para falar de doação de campanha. Sim ou não?”, rebateu o parlamentar.

Então, deputados do PT, como Valmir Prascidelli (SP) e Leo de Brito (AC), protestaram.

Ofensas

Houve gritos e trocas de acusações no plenário, com ofensas como “palhaço” e comparações com “circo”. Horas depois, Lorenzoni voltou ao tema e obrigou Coutinho a dar mais detalhes a respeito do episódio.

“O senhor se encontrou com Ricardo Pessoa? Sim ou não?”, insistiu o deputado do DEM. A mesma pergunta havia sido feita ao longo da tarde pela deputada Eliziane Gama (PPS-MA) e pelo deputado Izalci (PSDB-DF). Em todas as ocasiões, Coutinho se limitou a dizer que nunca tratou de financiamento de campanha.

Lorenzoni refez a pergunta, sob protesto de deputados do PT, e disse que tinha informações de que o encontro entre Coutinho e Pessoa efetivamente ocorreu, na véspera das eleições do ano passado, no estado de São Paulo. “A CPI pode pedir as imagens e comprovar o encontro”, alertou o deputado.

Diante disso, Coutinho admitiu ter se reunido com Pessoa, já que a UTC integrava o consórcio responsável pelas obras do aeroporto de Viracopos, em São Paulo. “Reuni-me com o consórcio. Mas não tive reunião pessoal com Pessoa”, comentou.

 “Pedalada contábil”

O presidente do BNDES foi confrontado ainda com um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que acusa o governo de ter feito uma maquiagem contábil para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. De acordo com o ministro José Múcio, do TCU, o Executivo usou recursos dos bancos públicos – Banco do Brasil, Caixa e BNDES – para cumprir metas das contas públicas.

“Quanto o Tesouro deve ao BNDES?”, perguntou o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). “Algo em torno de R$ 20 bilhões”, respondeu Coutinho. Ele acrescentou que, quando os juros caírem, esse custo vai cair.

O caso fez com que ressurgisse, na Câmara, a iniciativa de criação de uma CPI para investigar os empréstimos concedidos pelo BNDES. “O governo comete crime de responsabilidade ao dever mais de 40 bilhões ao País e metade dessa dívida é do BNDES”, argumentou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), que informou ter assinaturas suficientes para protocolar pedido de abertura de uma CPI.

 Próximos passos

Os integrantes da CPI da Petrobras vão a Curitiba no próximo dia 24 para pedir ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, o compartilhamento de informações da Operação Lava Jato.

Mas ainda não têm data marcada os depoimentos dos 19 presos que se encontram na capital paranaense, inclusive o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e o empresário Fernando Soares, apontado pela Polícia Federal como operador do PMDB do esquema. A ida da CPI a Curitiba para ouvir os presos foi aprovada na última terça-feira.

Outra viagem da CPI já foi autorizada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Membros da comissão irão a Londres ouvir o depoimento do empresário Jonathan Taylor, ex-diretor da SBM Offshore – empresa acusada de pagar propinas a Pedro Barusco, ex-gerente de Tecnologia da Petrobras. Informações obtidas pela CPI dão conta de que Taylor estaria disposto a colaborar com as investigações.


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