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Alto índice de criminalidade revolta moradores de Angra

Matéria publicada em 22 de julho de 2018, 09:30 horas

 



Falta de segurança: Delegado afirma que realiza trabalho de inteligência para desarticular organizações criminosas
– Foto: Arquivo

Angra dos Reis – “Logo de manhã você de se deparar com dois cadáveres numa cidade, que há cinco anos você podia dormir com a casa aberta. Fala sério. Está dando nojo. Os corpos estão na subida do condomínio Grenn Coast, no bairro do Ponta. Angra dos Reis acabou e vai virar Angra dos Lixos”. Foi dessa forma que uma internauta, moradora de Angra dos Reis, usou as redes sociais, na quarta-feira (11), para lamentar a presença dos corpos de Igor Luiz e Nicole Pimentel, ambos de 22 anos, encontrados no meio da rua. A revolta da internauta faz parte da rotina de moradores da cidade que, desde o ano passado, estão sendo obrigados a conviver com a guerra do tráfico de drogas, facções e com o alto índice de homicídios que vêm ocorrendo no município.
Quem mora em Angra dos Reis, há muitos anos diz que a violência tem se tornado uma referência negativa para a cidade litorânea, além de impor aos moradores a sensação de insegurança e medo constante. É o que afirma a aposentada Maria Aparecida Mello, de 58 anos, moradora do Frade.
– Meus familiares sempre me visitavam em feriados prolongados e, principalmente, no verão. Na virada do ano ninguém veio, nem no Carnaval, porque todos estão com medo. Está sendo muito difícil conviver com essa violência toda, quase todos os dias ocorrem homicídios e é notório que nós, moradores, temos muito medo. Tenho um neto de apenas 13 anos e, só neste ano, infelizmente ele já se deparou com vários cadáveres na comunidade. Parece uma guerra que não vai ter fim – disse Maria Aparecida.
Outra moradora do Frade, que prefere não ser identificada, conta que a filha de 20 anos faz curso no período da noite e que, todos os dias, o marido tem que ir buscá-la na entrada da comunidade. A jovem, segundo ela, já ficou no meio de um tiroteio e, depois disso, acabou criando pânico de chegar ao local, depois que já escureceu. A moradora ressalta que, pelo o que os moradores podem perceber as armas utilizadas pelos bandidos, em sua maioria, são de grosso calibre, o que provoca ainda mais medo entre a população.
-Depois que ficou entre o fogo cruzado, no tiroteio, minha filha está muito insegura e todo barulho que escuta já fica morrendo de medo. Meu marido pega ela todos os dias, quando chega do curso, porque infelizmente não tem outra saída, já que não podemos parar a nossa vida por conta da violência. O negócio é ficar atento e evitar algumas situações que nos coloque em perigo. Ninguém quer correr o risco de tomar uma bala perdida, ainda mais se for de fuzil, que é arma mais usada pelos bandidos. O medo tem caminhado junto com os moradores e, infelizmente, não sabemos onde essa situação vai chegar – reclama.
A aposentada Cacilda Miranda, de 55 anos, mudou-se para Angra dos Reis há cerca de dois anos e afirma que a cidade está muito mais violente, de 2017 para cá. Ela, que tem três filhos, sendo dois jovens, já pensa em se mudar novamente para Barra Mansa, como forma de protegê-los da violência que, segundo ela, deixa moradores de todas as áreas da cidade muito assustados.
-Eu moro no Parque Mambucaba, onde a situação ainda não está tão assustadora como em regiões como o Frade, Areal e Sapinhatuba, mas não quero que meus filhos fiquem expostos a essa violência que tomou conta de Angra. Todos os dias é uma notícia de execução, homicídio, e isso nos prova que, infelizmente, a cidade está tomada pela criminalidade – lamentou Cacilda.

Traficantes coagem moradores

Na quinta-feira (12), o delegado titular da 166ª DP (Angra dos Reis), Bruno Gilaberte, confirmou ter provas de que moradores do Frade estariam sendo coagidos por traficantes a interromper o tráfego na Rodovia Rio-Santos. A intenção seria evitar que carros da PM entrassem no bairro e as operações contra a venda de drogas fossem realizadas. Na quarta-feira, policiais militares acabaram com a manifestação imposta pelo tráfico, já que alguns moradores, temendo represália, obedeceram à ordem do tráfico. Os agentes foram alertados por um morador que enviou o seguinte apelo ao 33ª Batalhão da PM:
– Estamos sendo obrigados a fazer manifestos, tipo confusões para chamar atenção na Rio-Santos. Se não obedecer (sic) as ordens deles vamos ter problemas com eles (traficantes) – diz um trecho da denúncia.
O delegado informou que após, certificar que a denúncia não era boato, instaurou inquérito para identificar os responsáveis que estavam aterrorizando a população do Frade.
– Já há um inquérito instaurado para apurar esse fato. A Polícia Civil tem alguns elementos de prova que demostram que traficantes estavam coagindo a população do Frade a interromper o tráfego viário. Por conta dessa coação, a polícia está investigando os traficantes locais – disse Gilaberte, que no fim do ano passado confirmou também que milicianos do Rio tentaram expulsar os traficantes do Frade, que têm ligação com uma quadrilha de Antares, em Santa Cruz, no Rio.
De acordo com Gilaberte, a delegacia vem apostando no serviço de inteligência. Segundo ele, a medida vem dando certo.
-O trabalho de inteligência precisa ser bem feito para que apresente resultados relevantes. Nós temos hoje um setor reformado, com mais servidores trabalhando, mais equipamentos de informática funcionando e disponibilizados e isso permitiu, por exemplo, a apreensão de 300 quilos maconha que viria de Pontaporã para Angra dos Reis para ser distribuída em todo estado – disse o delegado.
Conforme explicou, o principal objetivo é tentar afetar as quadrilhas de tráfico financeiramente, cortando as rotas de suprimento e atuando sobre as suas finanças, “e como investigando depósitos bancários e lavagem de dinheiro”.
-Esse é atual norte da delegacia de Angra dos Reis. A ideia do serviço de inteligência é combater no aspecto financeiro, já que quanto mais asfixiada, menor poder bélico essas facções têm. Além da apreensão dos 300 quilos de maconha, também apreendemos no Frade cerca de 45 tabletes de maconha, ou seja, quase 70 quilos da droga que estavam dentro da comunidade e essa semana fizemos uma grande apreensão munição no Belém. Tráfico é uma empresa, um comércio ilícito, que precisa de capital de giro, logística e consumidores. Nós estamos tentando cortar esses braços de apoio – afirmou o delegado, ao reconhecer que em sua totalidade dos crimes ocorridos na cidade estão relacionados à guerra de facções pelo domínio do tráfico de drogas.


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13 comentários

  1. O que acho muito estranho e que os policiais incineram as armas que sao apreendidas nas operacoes e vivem falando que nao teem armamentos ?
    Sera que esses armamentos sao realmente incinerafos ou volta para as maos dos miliantes …

  2. — trabalho inteligente – vala

  3. Triste realidade, onde o nosso governo deixa estes bandidos se alastrarem e tomarem conta, numa cidade que até então chamada cidade de turismo, Frade está igual a favela do Rio.

  4. cabe aos moradores, avisar a policia onde os bandidos estao agindo, e a policia, matar todos, porque prender nao adianta.

  5. Indignado Costa Verde

    Nossa costa Verde esta jogada as traças no quesito segurança, Paraty e Angra dos Reis esta lamentável, mas não intendo as reclamações dos moradores quando o BOPE invadi e mata bandido sai nos jornais e tudo mais, Isso que não entendo. Manda o BOPE de novo para costa Verde fazer a festa……
    BOPE BOPE BOPE

  6. Lamentável.. Angra do Lixo.Um local que já foi agradável, lindo e pacato virou terra de bandido.

  7. A solução pra isso que está acontecendo em Angra é sem dúvida a volta do PT para criar empregos que os neoliberais destruíram e criaram a violência

    • Se não me engano, o partido q governava Angra até bem pouco tempo era petista. Atrasou salário do funcionalismo por quase 3 anos, não pagava fornecedores, deixou a cidade abandonada, Repense seus conceitos de boa gestão pública. Ou tens memória ruim?

  8. É realmente lastimável o que vem ocorrendo com nossa Angra dos Reis. É necessário rediscutirmos nosso sistema por completo. Nossa sociedade está doente, o remédio é amargo, e ninguém quer tomar.

  9. Eu trabalho em Angra e moro em Volta Redonda. De setembro a março, em todos feriadões e praticamente todos fins de semana eu levava minha família pra esse lugar até então paradisíaco. Já não dá mais. Muitos bandidos, insegurança, você até vê bastante polícia, mas você percebe o destemor as leis. Você vê uma viatura da Polícia, passa 200 metros, você é assaltado. Aluguei minha casa em Angra por um valor bem abaixo do mercado, e só ponho os meus pés lá para trabalho mesmo, não recomendo.

  10. É só seguir os conselhos do ex-Senador Mão Santa: “na vida a gente faz apenas uma vez na vida: nascer, morrer e votar no PT!”

  11. CIDADE bonita como Angra dos Reis que gerou milhares de empregos hoje nesta situação.
    UM dos pontos turísticos mais desejados pelos povos. Graças aos Governantes .Corruptos deste País. QUE fica de exemplo para VOLTA REDONDA

  12. Parabéns pelo uso correto do termo no título. Há de se desassociar os termos violência e criminalidade. Violência pode ser várias coisas, até mesmo um policial imobilizando um criminoso para algemar, no entanto uma violência justificada.

    Hoje nosso país sofre de CRIMINALIDADE e não violência. Essa deturpação pode nos levar ao erro com más interpretações ,e balizar futuras políticas desastradas para segurança pública, com uma ideia de que a polícia está muito violenta, de que o estatuto do desarmamento deve continuar, de que cadeia não resolve, que bandido é vítima da sociedade e mais um monte de baboseiras que nos levaram justamente a esse caos.

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