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‘Comércio de bairro’ resiste ao avanço das grande redes

Matéria publicada em 29 de setembro de 2019, 16:15 horas

 


Laços de amizade, comodidade e praticidade são elos que mantém viva a relação com os consumidores

Dona de quitanda revela segredos para fidelizar a clientela do bairro
(Foto: Júlio Amaral)

Volta Redonda– As grandes redes de comércio estão cada vez mais presentes em Volta Redonda e chegam meio que “espremendo” os pequenos varejistas. Isso se dá em todos os setores: alimentação, vestuário, estética. A competição é acirrada e os pequenos lutam como podem para não fecharem as portas ou se renderem aos nomes das franquias. Neste cenário, o DIÁRIO DO VALE procurou nos bairros da cidade os empresários que usam tudo que podem para manter vivo um estilo bem mais pessoal de venda. Contra as vitrines cada vez mais trabalhadas, eles apostam num belo sorriso para conquistar os clientes. Mas a coisa vai além disso.

Para a gerente de um mercado no bairro Niterói, Juliana Fernandes, a comodidade é um dos principais fatores para que os clientes busquem seu comércio, mas o bom atendimento e produtos mais frescos também ajudam. “A facilidade de estacionar e a busca por um atendimento mais pessoal ajudam. Temos uma frequência maior de clientes do próprio bairro ou de bairros próximos. Nos tornamos todos conhecidos. Também atendemos pessoas que querem coisas emergenciais ou para última hora, além de quem busca mais qualidade dos produtos. Esses são fatores que contribuem para atrair os clientes ao meu estabelecimento – diz ela.

A gerente elenca também os pontos negativos na briga com as grandes redes de venda. Ela ressaltou que os Supermercados têm o poder de escolher alguns itens diferenciados nas prateleiras e também conseguem colocar grandes descontos para atrair os clientes. “Já os pequenos, como no meu caso, ficam impossibilitados de fazer isso”, diz ela, que tem o “antídoto” para reverter essa situação.
– Por ser um mercado antigo, ainda temos a prática de anotar o nome de alguns clientes para cobrar depois, tipo crediário, mas tudo informatizado – explicou.
A esteticista Marilda Cabral é uma frequentadora assídua do mercado. “Gosto do local porque nunca está cheio como as grandes redes de supermercado. Em relação aos preços, não vejo muita diferença dos grandes. Por outro lado, o atendimento daqui é excelente e os produtos sempre estão fresquinhos”, elogiou.

Para a dona de uma quitanda localizada na Rua Marina Godói, no Bairro Voldac, Márcia de Souza Mendonça Melek, o que mais atrai os clientes ao seu comércio é a qualidade dos seus produtos. Além disso, ela diz está em um local mais acessível para os clientes do bairro. “Também conheço a maioria dos clientes. Aqui eles conversam comigo, falamos sobre diversas coisas. Fazemos amizades para a vida”, comentou.
A aposentada Taís Marques Pereira prefere se deslocar do bairro Barreira Cravo para comprar na quitanda de Márcia, sempre que precisa de alguma verdura, legume ou fruta fresca. “Acho os preços daqui mais em conta e acho mais prático vir na quitanda, por ficar perto de casa. O atendimento também é muito bom e tudo já vem embalado e limpo”, elogiou.

Academias e salões de beleza
garantem um ‘lugar ao sol’

O professor de educação física Ulisses Coimbra é dono da única academia que existe no bairro Voldac. Por ser uma academia de bairro, o movimento do local é mais centralizado. “Acredito que 85% dos meus clientes são da Voldac e da Barreira Cravo. Os outros 15% são alunos de bairros vizinhos, mas esporádicos. Acredito que a academia de bairro atende bem quem busca entrar em forma. Outra vantagem que vejo é que aqui é possível dar um atendimento melhor. Pelo fato do giro de alunos ser menor, tenho uma aproximação maior junto a eles e isso ajuda no desempenho”, disse.
Para Rosângela Paulino dos Santos, proprietária de um salão de beleza que funciona há três anos no bairro Ilha Parque, a grande diferença de um comércio de bairro para aqueles dos grandes centros é o preço mais em conta. Além disso, a proximidade é sempre um fator destacado pelas clientes.
– Acredito que em torno de 50% dos meus clientes são moradores do bairro, mas também atendo muita gente de outros bairros e até do Rio de Janeiro. No meu salão, eu conheço todos os meus clientes pelo nome e isso ajuda na propaganda do meu negócio. Outro fator diferencial de um salão de bairro é que por serem moradores do bairro ou próximo dele, muitos clientes antigos anotam o serviço e deixam para pagar depois – destaca.

Cerveja bem gelada e bate papo
com os amigos: o bar não se abala

A onda do momento são as cervejas artesanais, vendidas em lugares cada vez mais sofisticados e gourmetizados. É dentro deste novo nicho de mercado que os tradicionais “botecos” buscam manter seu espaço. O que, aliás, têm feito com bastante tranquilidade. Ao que parece, a cerveja gelada no balcão e o tira-gosto raiz seguem firme no gosto popular.
Os frequentadores do “Bar da Cida” (nada mais tradicional que um bar com o nome do dono do bar), no bairro Niterói, se reunem há 19 anos no mesmo local. Para Maria Aparecida, a Cida, o movimento das cervejas mais elaboradas não atrapalhou nada o movimento. “Acredito que a amizade antiga mantém a fidelidade deles ao local. E penso que o meu atrativo são os tira gosto que eu sirvo, como o famoso joelho de porco, além da sardinha, pé de galinha e linguiça, sem mencionar a cerveja sempre gelada e aquela cachacinha da roça que muitos apreciam”, comenta Cida.
Adrier Sandro Costa afirma que vai sempre ao bar da Cida para relaxar depois de um dia de trabalho. “É a cerveja mais gelada do bairro. Além do bom atendimento, também tenho alguns conhecidos que eu encontro para um bate papo”, diz.
Já o encanador industrial Rogério dos Santos afirma que diariamente vai ao bar da Cida para colocar o papo em dia e tomar uma gelada. “Frequento o local desde que inaugurou há 19 anos, e gosto do local devido ao bom atendimento e a amizade da Cida, além da boa conversa e a cerveja servida sempre gelada”, elogiou.


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2 comentários

  1. Avatar

    É isso mesmo !
    E o mercado de Niterói, além de tudo que foi relatado nesta reportagem, ainda aos finais de semana, oferece café e biscoitos aos clientes como cortesia.

  2. Avatar

    Excelente reportagem!
    Espero que esses pequenos comércios nunca acabem. É bom ser tratado como gente nesses locais, e não como meros números em uma planilha impessoal.

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