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Delegado diz que foco será achar investidor financeiro do tráfico

Matéria publicada em 26 de janeiro de 2020, 07:07 horas

 


Wellington Vieira: ‘Todos os dias são apresentadas prisões em flagrantes nas delegacias e a venda de drogas continua’-Foto: Paulo Dimas.

Volta Redonda- O delegado titular da 93ª DP (Volta Redonda), Wellington Vieira, falou com exclusividade ao DIÁRIO DO VALE sobre os primeiros três meses à frente da Polícia Civil na maior cidade do Sul Fluminense. O delegado afirmou que o combate às facções criminosas deve ganhar um novo enfoque, com objetivo de chegar aos investidores financeiros do tráfico de drogas e na lavagem do dinheiro oriundo da venda de entorpecentes. O delegado quer, assim, que a polícia pare de “enxugar gelo”.

– Há anos que ações na área de segurança de combate ao tráfico de drogas são desencadeadas no dia a dia, sem que um resultado eficaz seja demonstrado. Todos os dias são apresentadas prisões em flagrantes nas delegacias e a venda de drogas continua – disse ele.

Diante dessa realidade, o delegado foi confrontado a apresentar uma solução para o caso. Segundo Wellington, o trabalho de inteligência será fundamental para reverter o quadro de quadrilhas cada vez mais bem organizadas e armadas. “Temos de seguir o dinheiro e chegar aos verdadeiros traficantes”, disse ele, para emendar:

– Vejo como ferramenta importante para combater o tráfico as medidas adotadas no início de 2019 pela Polícia Civil com a criação de um departamento para combater a corrupção e lavagem de dinheiro. Agora temos uma grande equipe que desenvolve investigações para descobrir para onde vai o dinheiro auferido com a venda das drogas e identificar os verdadeiros financiadores desta lucrativa atividade criminosa – afirmou.

A violência causada pela disputa de pontos de venda de drogas entre as facções rivais presentes na cidade é outra preocupação. O problema é grande, pois o delegado aponta que 70% dos homicídios praticados em Volta Redonda tenham ligação com o tráfico. E o problema é crescente, como mostram os dados do Instituto de Segurança Pública, do governo do estado, sobre a ocorrência de homicídios na cidade. Em 2018, foram 75 assassinatos, contra 89 no ano passado.

“Fizemos um levantamento com base no período de um ano e 70% das mortes estão relacionadas direta ou indiretamente com ações de traficantes”, disse o policial.

Wellington afirmou ainda que não foi pego de surpresa com as condições da segurança pública da cidade, quando chegou em outubro do ano passado. “Quando recebemos a missão para comandar as investigações de crimes na cidade fizemos uma rápida preparação em relação aos maiores problemas da cidade. Com certeza o maior desafio é o combate às quadrilhas de traficantes de drogas”, ressaltou. O delegado afirmou ainda que trabalha junto à equipe a partir de dois pilares: “Nosso foco para atuar na cidade está voltado para dois princípios básicos: respeito à população de Volta Redonda, com a melhora do atendimento e motivação dos policiais para otimizar as investigações”, contou.

Diante disso, o delegado afirmou ainda que busca superar a cada dia as dificuldades naturais de todas as delegacias quanto à falta de contingente e material. “Recentemente recebemos viaturas novas, os policiais receberam novo armamento e temos expectativa de um novo concurso em 2020. Até a chegada dos novos policiais, temos que trabalhar em ações pontuais”, afirmou.

Sobre as recentes investidas em áreas com presença maior do tráfico, em ações de reconhecimento e monitoramento fotográfico, o delegado ressaltou que está montando um plano para futuras ações. “Faz parte de um grande planejamento de atuação nessa área. Ações de monitoramento servem para a Polícia entender algumas estratégias do crime e do criminoso”.

Wellington disse ainda que outra preocupação da Polícia Civil é com relação ao avanço dos chamados crimes contra o patrimônio. “Este tipo de crime atinge diretamente a população, sobretudo as pessoas de menor poder aquisitivo. Por isso, temos na 93DP um setor específico que procura identificar autores de roubos, furtos e estelionatos. Estamos indo bem nesse segmento, mas pretendo melhorar nossa atuação, disse ele, que destacou a parceria com outros setores das forças de segurança:

– Guardadas as devidas competências constitucionais, a parceria com a Polícia Militar, como também com a Polícia Federal e forças municipais é importante na área de segurança pública. Ninguém está sozinho. As ações devem ser organizadas – disse.

Por Rafael de Paiva


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12 comentários

  1. Avatar

    Sistema de persecução penal falido, naquele que quem não investiga leva os méritos. A polícia civil está falida. Os Delegados só se importam com suas prerrogativas de “carreira juridica”. Os que fazem o trabalho e investigam são mal remunerados, e não são valorizados. Isso aqui é Brasil.

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    Quem financia o tráfico de drogas são os usuários. Isso já é conhecido há milhares de anos. Para combatê-los usa-se algumas táticas que as forças de segurança pública não conhecem. Eles acham que utilizando da força e torrando dos nossos ALTÍSSIMO IMPOSTOS darão algum resultado.

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      Sim senhor sabe tudo. O senhor só esqueceu de se informar p onde e para “quens””, estão canalizados os lucros milionários, ou o senhor acha q está nas mãos dos pés inchados das bocas ?

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    Excelente trabalho à frente do DPO de VR, porém nada vai mudar até que usuário seja preso após primeira tentativa de reabilitação pelo Estado, se não aceitar… Cadeia. Tá cheio de adolescente e marmanjos com cigarrinho na mão tirando foto e postando em todas as mídias sociais! Quem financia o tráfico é o usuário “inocente”.

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    Cidadão consciente.

    Parabéns a esse delegado. Demonstra ter inteligência e competência, bem diferente de outras merdas que tem por aí e que, graças à idiotice e desinformação de parte da população, se tornam políticos. O caminho para se combater crimes desse tipo é esse mesmo, descobrir e prender os financistas do tráfico, já que a outra alternativa, reduzir o uso, esbarra na política de proteção aos usuários, provavelmente implantada pelos próprios financistas, aqueles mais influentes , ligados aos altos escalões dos poderes da República. E por isso mesmo, penso ser muito difícil colocar em prática a tese do nobre policial, pois estará travando uma batalha muito desigual. De qualquer modo, minhas congratulações ao Delegado.

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      Kkkkkkkkk, parece piada………vai pegar é um sem dente, de chinelo de dedo e bermuda rasgada q come quentinha e pão c ovo, e aí dizem q um poderoso trafica…E tem mais: se realmente tentar descobrir, ou acaba morto ou acaba c a carreira.Isto é, se realmente for no andar de cima.

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    Este prefeito para dificultar o trabalho da Polícia deixou criar várias invasões de terras e patrimônio público. Em vezes de estruturar melhoras nos bairros cpm ESCOLA para crianças lazer nas comunidades. DEIXOU terrenos serem invadidos até mesmo uma OBRA do governo destinado aos IDOSOS no Bairro BELMONTE.

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    é sr delegado quem financia o tráfico é o usuário, pois é esse quem financia essa baderna toda pelo país e que tem leis que o protegem, porque para uso próprio não é considerado traficante e sim usuário, essa é a lei que legalizou o uso de drogas no país.

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    Muitos já fizeram riqueza na região bancando carregamentos para sustentar as chamadas “bocas de fumo” e hoje tiram onda de “empresários bem sucedidos”,. Alguns já fizeram seu pé de meia e saíram do “negócio”, usufruindo dos benefícios que acumularam e outros ainda vivem desse “investimento ilícito em negócio sujo”.
    Parabéns Dr. Wellington. Finalmente alguém que representa a segurança pública agiu com inteligência e resolveu colocar o dedo na ferida certa, cutucando os verdadeiros “traficantes”.
    Esse trabalho sendo feito com seriedade e inteligência vai apresentar resultados que vão surpreender muita gente. Vão ter muitos nomes conhecidos pro Diário do Vale rechear suas notícias. Vamos ter “empresários”, “políticos” e alguns nomes até então tido como “tradicionais” aparecendo na mídia com outro tipo de manchete.
    Essa ação somada ao combate operacional que já é intenso vai sim surtir efeito real e a polícia vai parar de enxugar gelo. Isso sim é combate real ao tráfico de drogas. O resto era somente dar a resposta que a sociedade precisa ter diariamente. Policiais precisam se unir dentro de suas esferas e focar juntas nesse problema. Civil, Militar e até Federal; juntas são mais fortes.

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    Pode começar investigando essa porrada de revenda de automóvel em volta redonda.

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      Lavagem de Dinheiro purinho! Mas infelizmente tem “gente graúda” por trás que bloquia qq investigação no ambito estadual.

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    Não é tão difícil. O tráfico e o traficante se “malocam” em algum lugar. Uma casa, um apartamento, um puxadinho, tem sempre um lugar específico… Se não pode-se acabar com a comida das baratas (os viciados em drogas), que se acabe com seus esconderijos, evitando que outras assumam o local! A polícia deveria ter um banco de dados acerca da localização e característica dos imóveis já visitados em diligência, possibilitando-se assim um mapa criminal que poderia ser monitorado e frequentemente atualizado. Tal mapa ficaria aberto à consulta pública, mediante autorização judicial, que decidiria pela suspensão do monitoramento após um período predeterminado sem a ocorrência de práticas delituosas ou com a ausência de indivíduos apenados no imóvel… Chamaríamos isso informalmente de “Operação Casa Assombrada”…

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