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Procura por tratamento contra Aids preocupa autoridades médicas em BM

Matéria publicada em 22 de setembro de 2019, 07:12 horas

 


Atualmente, 700 pessoas estão em tratamento no setor público da cidade para controlar o vírus

 

Procura por testes rápidos demonstram a falta de preocupação com a proteção no ato sexual- Foto: ABr

Barra Mansa- O médico Alberto Aldet, gerente do Programa DST/Aids e Hepatites Virais da prefeitura de Barra Mansa, afirmou que o município tem atualmente 700 pessoas em tratamento contra o vírus HIV. Mais preocupante ainda, ele ressaltou que o setor continua recebendo novos pacientes durante todo o mês. Em média, segundo o médico, são dois novos pacientes notificados a casa semana.

– Por isso, sempre destacamos a importância dos testes de HIV, em caso de relações de risco. Hoje em dia, o tratamento e os medicamentos evoluíram e tiveram redução em seus efeitos colaterais. Antigamente, o paciente tomava um coquetel de 15 comprimidos e hoje só toma dois. Quem faz o acompanhamento de forma adequada não morre por Aids. Prova disso é que temos pacientes que estão em tratamento há 25 anos e com qualidade de vida – comentou o médico.

Durante esta semana, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), o Ministério da Saúde, pacientes, especialistas e profissionais de saúde avaliaram a adoção do dolutegravir, medicamento que desde 2017 é utilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). De acordo com Aldet, a adesão a esse coquetel é de cerca de 90% das pessoas infectadas.

De acordo com o médico, até algum tempo a orientação para que uma pessoa infectada pelo HIV começasse a usar o medicamento não era imediata. No entanto, o Ministério da Saúde adotou nova estratégia e pede para que o tratamento com coquetéis tenha início tão logo o paciente seja confirmado soropositivo. Isso, segundo o médico, além de proteger o paciente das doenças oportunistas da Aids, ainda contribui para que ele passe a ter uma carga viral indetectável, não transmitindo o vírus para outras pessoas.

– Assim que uma pessoa é detectada com o vírus, nós já entramos com o medicamento que, desde 2017, é o preconizado pelo Ministério da Saúde. Existem aquelas que não aderem aos coquetéis, colocando a sua qualidade de vida em risco, mas podemos afirmar que 90% dos nossos pacientes fazem uso do medicamento, que é muito eficiente e com menos efeitos colaterais – destacou o médico, ao acrescentar que o Brasil um Programa de Combate á Aids que é destaque e elogiado no mundo inteiro, principalmente em função da distribuição gratuita dos remédios.

De acordo com o médico, hoje no Brasil há uma grande banalização em torno dos cuidados com relação ao vírus da Aids. Prova disso, garante, é o grande número de jovens infectados por falta de preservativos. Da mesma maneira, ele diz ser surpreendente a busca de testes rápidos por pessoas que afirmam ter se envolvido em situações do chamado “sexo casual”.

– Temos que refletir sobre o quesito educação no combate e prevenção à Aids, uma vez que as campanhas públicas pelos meios de comunicação de massa já não existem mais, como há algum tempo. Apesar dos grandes avanços, é importante lembrar que a Aids foi uma doença devastadora no início da década de 80, com surgimento nos Estados Unido, tendo o Brasil registrado seu primeiro caso em 1982. Hoje ela não é uma doença que deixa o paciente tão debilitado, devido à eficácia dos medicamentos. É importante recordar, no entanto, que até descobrirem o coquetel, em Barra Mansa, por exemplo, o setor de DST registrava até dois óbitos por semana de pacientes com o vírus HIV”, destacou Aldet, lembrando que o tratamento é continuado para o resto da vida.

Sobrevivendo e vivendo com a doença

Em maio deste ano, o Ministério da Saúde divulgou que o tempo de sobrevida de pacientes com aids mais que dobrou após o Brasil começar adotar políticas públicas de combate e tratamento à doença. O estudo aponta que 70% dos pacientes adultos e 87% das crianças diagnosticadas entre 2003 e 2007 tiveram sobrevida superior a 12 anos. Em 1996, antes de o ministério ofertar o tratamento universal aos pacientes com HIV/aids, a sobrevida era estimada em cerca de cinco anos.

“Eu descobri a Aids há mais de 20 anos e consigo ter uma vida normal, graças ao medicamento”. Esse é o relato de uma dona de casa, de 48 anos, que preferiu não se identificar, mas que fez questão de enfatizar a importância do tratamento para que o portador do HIV tenha uma vida normal.

Ela, que tem uma filha de 24 anos do seu primeiro casamento, hoje vive com outro parceiro e conta que em comum acordo com ele optou em não ter mais filhos, como forma de evitar possíveis complicações na gestação.

– Meu atual esposo tem um filho do primeiro casamento dele e eu tenho uma filha. Não ter tido outro filho, quando nos conhecemos, foi uma opção nossa. Estamos juntos há 15 anos. Ele soube desde o primeiro momento que eu era soro positivo, mas isso não impediu que desistisse de mim. Ele, com certeza, é uma das minhas motivações para não abandonar o tratamento, porque tomando os remédios, eu tenho uma vida normal. Faço exames periódicos para ver se está tudo bem e, com isso, vou tendo a cada dia uma nova oportunidade de viver, de viajar com ele, dançar, passear, ir a festas, de viver como uma pessoa normal – disse a dona de casa.


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7 comentários

  1. Avatar

    Daqui uns dias algum prefeito virá para trazer programa de tratamento e equipamento mais eficiente contra o HIV. E certamente algum instituto QUE NÃO ENTENDE de Gestão Pública celebrará as cidades que estão gastando fortunas com pacientes, e nem tocarão no assunto prevenção da saúde do povo.

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    Esta constatação comprova que a campanha de distribuição de camisinhas não tem qualquer efeito positivo contra o HIV. Eu já sabia e alertei aqui do equívoco de quem NÃO ENTENDE de Gestão Pública.

    Interessante a mulher em tratamento há 20 anos dizer que leva uma vida normal. Vida normal é não precisar de tratamento e nem encher o saco do poder público com remédio e outros exames. Isso é vida normal. E se faltar o remédio certamente ela vai meter o pau no governo. Isso para ela deve ser levar vida normal. kkk kkkk

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    Antigamente a doença era mais midiática. Muita gente famosa morria de tempos em tempos, não havia qualquer tratamento… Hoje, as pessoas relaxaram. Há tratamento, mas é muito caro. Mais doentes, mais despesas, mais governo com déficit…

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      Lembrando que o tratamento não é cura, mas sim uma sobrevida… A qualidade de vida do paciente ainda é muito comprometida e limitada…

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    Quem diria que 35 anos depois da descoberta desse vírus e de como se prevenir ainda teríamos tantos novos casos.
    A humanidade continua apanhando de vírus em geral.
    HIV, dengue, chicungunha, zika, febre amarela, malária, sarampo, gripe suína, etc.

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      Betão infelizmente muitos brasileiros estão mais preocupados com o seu time de futebol e o que acontecerá no próximo capítulo da novela do que com eles próprios. MAS se tiverem de correr para o hospital aí mete o pau no governo pq não tem remédio para o HIV.

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      e sempre vao apanhar principalmente os brasileiros.

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