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Produtores de Itatiaia ganham destaque em alimentos orgânicos

Matéria publicada em 13 de janeiro de 2019, 13:00 horas

 


Em Penedo, a ‘Nossa Horta’, é modelo sustentável de plantio comunitário formado por 20 famílias

Produção orgânica nacional vem crescendo mais de 20% ao ano (Foto: Bruno Barreto – PMI)

Itatiaia – Em virtude de sua localização, situado na Serra da Mantiqueira, na divisa entre os estados do Rio e Minas Gerais, e também por uma vocação natural, o município está se consolidando como um produtor. E mais: é destaque ainda como produtor de alimentos orgânicos, devido ao trabalho desenvolvido junto aos produtores locais. Dos mais de 4 milhões de hectares em paisagens naturais da região, pelo menos 805 mil são destinadas à preservação permanente ou reserva legal, e 230 voltadas para o cultivo de vegetação usada em lavouras e no sistema de pastejo por animais.

Os dados foram divulgados no último censo agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), realizado em 2017, que destacou ainda os modelos sustentáveis adotados pelos produtores. Do total da produção de plantio, 97% estão livres de agrotóxicos e 18,30% utilizam o adubo orgânico em sua composição. Em Penedo, a ‘Nossa Horta’, um modelo sustentável de plantio comunitário formado por 20 famílias de agricultores, tem a missão de produzir alimentos de qualidade e consciência ambiental.

– Quando fazíamos a produção comercial chegávamos a atender cerca de 80 famílias, e o estoque era de aproximadamente uma tonelada de alimentos orgânicos por semana. O ‘Nossa Horta’ atualmente é um modelo de sucesso sustentável que desejamos ampliar para outros espaços – explica o idealizador do projeto, Gabriel Ritter, engenheiro florestal que atua profissionalmente na área há mais de dez anos. Em 2011, ele ganhou o selo de produtos orgânicos do Brasil.

Para se ter uma estimativa do tamanho deste mercado, segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), o Brasil atingiu também em 2017, a marca de mais de 15 mil propriedades certificadas em produção voltada para a exportação destes tipos de alimentos. Destas, 75% pertencem ao modelo de agricultura familiar.

Ainda segundo outro levantamento divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a produção orgânica nacional vem crescendo mais de 20% ao ano. Mesmo assim, o crescimento ainda é bem inferior à demanda nacional. Além de procura, as oportunidades para quem deseja iniciar no setor são promissoras já que praticamente 70% de toda a produção brasileira é exportada para o mercado europeu.

No ‘Sítio da Dona Mirtes’, localizado no bairro Vila Pinheiro, são produzidos cerca de 450 litros de leite por mês, uma média de 15 litros por dia. Ao longo de vinte anos dedicados à criação de gado leiteiro, Mirtes Medeiros atualmente consegue atender apenas a demanda regional, mas sonha em um dia expandir seu negócio ao lado da filha.

– Escolhi Itatiaia por amor. E mesmo com todas as nossas dificuldades conseguimos ter uma vida digna aqui, um trabalho que amo, e clientes fiéis que sabem a qualidade dos nossos produtos. Em dias bons já chegamos a produzir aproximadamente 80 litros. O nosso preço também é bem competitivo, o litro sai por R$ 2,50, e os vizinhos sempre compram com a gente porque o nosso leite fresco tem um sabor diferenciado – garante a proprietária.

Da fazenda para as escolas

Com o apoio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do governo federal, Itatiaia oferece alimentação escolar e ações de educação alimentar e nutricional aos estudantes de todas as etapas da educação básica das escolas públicas do Município.

De acordo com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educação, que executa o programa, a relação entre agricultura familiar e alimentação escolar deve observar diretrizes como: alimentação adequada e saudável; respeito à cultura, às tradições e hábitos alimentares saudáveis; controle social; segurança alimentar e nutricional; e desenvolvimento sustentável.

– Ficamos felizes de sermos os responsáveis pelos alimentos que chegam à merenda das nossas crianças nas escolas. Pensamos sempre em produzir com qualidade, e isso só é possível com um alimento orgânico e livre de agrotóxicos – explica Sérgio Adriano Rocha, outro agricultor que trabalha com a ajuda da família.

Valorização dos produtores locais

A qualidade dos alimentos oferecidos na merenda escolar dos alunos da rede municipal de ensino depende diretamente da produção feita em agricultura familiar. A prefeitura destina 30% da verba direcionada à compra destes insumos aos agricultores da região, em conformidade com a Lei nº 11.947.

Por Bruno Barreto

 


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2 comentários

  1. Avatar

    Qual é a modalidade de certificação praticada, quem faz a certificação? é preciso muita responsabilidade junto dessa forma de produção pois o processo é muito sério e envolvem muitas famílias que tiram o sustento e a renda dessas atividades.

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      Também gostaria de saber onde fica essa horta. E também sobre a pasteurização do leite. Para ser incluído na merenda escolar o leite tem que ser pasteurizado. A reportagem parece sem fundamento. Ninguém sabe nada da horta.

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