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UFF e Defensoria Pública de Volta Redonda se unem em campanha solidária na região

Matéria publicada em 9 de junho de 2020, 09:27 horas

 


Objetivo do projeto é arrecadar doações neste período de pandemia e expandir assistência às famílias em situação de vulnerabilidade dentro de coletivos de comunidades quilombolas, caiçaras e catadores de produtos recicláveis

Lixão de Bulhões, em Resende, durante uma das ações antes da pandemia (Foto: Divulgação)

Sul Fluminense – A Defensoria Pública da União de Volta Redonda (DPU), em parceria com a Universidade Federal Fluminense de Volta Redonda (UFF), entre outras instituições, criou uma Rede de Cooperação Solidária do Sul Fluminense – “Entre Nós ”. A ação objetiva arrecadar doações em assistência às famílias em situação de vulnerabilidade.

A Rede, composta por 27 coletivos espalhados pelo Sul e Centro Fluminense, atende a cerca de 1.250 famílias das seguintes cidades: Angra dos Reis, Barra do Piraí, Barra Mansa, Mangaratiba, Paraíba do Sul, Paraty, Pinheiral, Quatis, Rio Claro, Seropédica, Valença e Volta Redonda. O grupo tem como meta a arrecadação de cestas básicas, materiais de higiene e limpeza, cobertores, dentre outros itens para atendimento às necessidades mais imediatas da famílias assistidas.

Entre os contemplados estão: Coletivos de comunidades quilombolas e caiçaras, além de Cooperativas e Associações de catadores de materiais recicláveis, bem como Ocupações, Coletivos Urbanos e população em situação de rua.

Além da ação de arrecadação, o projeto visa, a longo prazo, a construção de uma rede de cooperação solidária que envolva a troca de conhecimento entre as instituições articuladoras, coletivos e participantes que colaborarem financeiramente ou de outras formas, oferecendo on-line: rodas de conversa, minicursos sobre temas variados e ainda espaços para que todos conheçam a história dos coletivos e comunidades participantes.

Segundo o defensor público federal e chefe do Núcleo da Defensoria Pública da União de Volta Redonda, Claudio Luiz dos Santos, quatro municípios são assistidos pela DPU-VR. O defensor também coordena um projeto no Sul do Estado intitulado ‘’ADPU – Vai aonde o povo pobre está’’.

Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO VALE, Claudio Santos explicou o papel da defensoria dentro do projeto.

– Atendemos comunidades que necessitam de atenção do Estado, como: quilombolas, indígenas, caiçaras, entre outros. Nosso espaço de atuação são quatro municípios: Volta Redonda, Barra Mansa, Pinheiral e Rio Claro; porém, alcançamos doze municípios do Sul Fluminense e Costa Verde. O projeto, que está indo para seu quinto ano, visa a ida às comunidades e atendemos 20 grupos (coletivos), promovendo encontros, seminários e audiências públicas. Com a pandemia, tivemos que paralisar essas atividades que dependem de encontros e no momento, estamos impossibilitados. Temos inclusive, uma verba do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que recebemos para financiar as ações do projeto, mas em razão da pandemia e dificuldade dessas ações, estamos adiando para 2021 – esclareceu.

Claudio Santos explica a eficácia da parceria da DPU com a UFF-VR e ressalta a importância da ação na vida das famílias assistidas.

– Quem tem fome tem pressa. Quem tem o direito violado e necessita de uma resposta e não tem acesso à justiça, precisa ser ouvido com certa prioridade. Enquanto defensoria, pensamos em alguma ação para amenizar esse problema e nos encontramos com membros da UFF, que é uma parceira da DPU. Resolvemos juntar os esforços e pensarmos em algo mais amplo. Com o aumento do número de parceiros – cerca de dez apoiadores – começamos a colocar no papel, o que seria essa ação, que não é só uma campanha de arrecadação de recursos,mas uma tentativa de contribuir para o fortalecimento de forma contínua desses grupos que têm dificuldade de se manter. Os grupos são os protagonistas do projeto; estamos apenas articulando para que seja facilitada, a formação dessa rede para que essa desigualdade escancarada seja amenizada e essas famílias possam ter mais recursos, principalmente nesse momento tão difícil devido à pandemia – explicou.

De acordo com o professor e coordenador da Encubadora Tecnológica de Empreendimentos de Economia Solidária da UFF-VR, Luis Abegão, o projeto foi iniciado na sexta-feira, dia 29. Professores, alunos e membros ligados ao Observatório de Direitos Humanos da UFF também participam da ação. O coordenador ressaltou que os coletivos são acompanhados pela universidade há bastante tempo e que além das doações, a rede disponibiliza assistência às famílias em relação ao auxílio dado pelo governo.

– Temos uma relação com os catadores de recicláveis de Volta Redonda desde 2013. Nesse período da pandemia, onde tiveram que interromper suas atividades, percebemos que todos iam ficar em uma situação bem complicada. Decidimos fazer uma campanha para arrecadar fundos. Estamos ajudando inclusive, com orientação em relação aos cadastros do auxílio do governo – disse.

Ainda de acordo com o Luiz Abegão, a parceria com a Defensoria Pública de Volta Redonda fortaleceu o projeto, devido seu alcance em diversos municípios da região.

– Vários coletivos são assistidos pela DPU. Em conversa com o doutor Claudio, conversamos sobre outras instituições e também sobre projetos da UFF, como o observatório de direitos humanos do Sul Fluminense, além do Fórum Justiça que articula os movimentos sociais de Volta Redonda, bem como o Fórum da Economia Solidária. Criamos uma rede de várias instituições interessadas em participar. A partir dessa ideia, percebemos a oportunidade de não ficarmos apenas em uma campanha, para que em um segundo momento após a pandemia, possamos pensar numa rede que fortaleça esses coletivos – explicou.

De acordo com o presidente da Associação Quilombola do Alto da Serra, Benedito Bernardo Leite Filho, que está à frente da associação pela segunda vez, o projeto beneficiará cerca de 50 famílias dentro do Quilombo, que está localizado em uma zona rural, na Estrada Alto da Serra, em Lídice, distrito de Rio Claro.

– Este projeto vai somar muito às comunidades. Neste momento, pessoas que vivem da agricultura e pecuária, por exemplo, também estão com dificuldade de vender seus produtos. Os mercados pararam um pouco com suas atividades e com isso, os produtores têm dificuldade de vender esses alimentos. Estamos fazendo um levantamento das famílias quilombolas que mais precisam, através de visitas domiciliares. Ao todo, são 50 famílias; algumas estão recebendo auxílio do governo, mas nem todas conseguiram. Nesse momento, qualquer ajuda é importante e o trabalho da DPU vai somar muito para que a comunidade consiga atravessar este momento de pandemia – disse.

O presidente explica como ficou sabendo do projeto.

– Fiquei muito feliz quando ligaram para mim falando sobre o projeto. No início, me adicionaram em um grupo (Entre Nós) onde há mais pessoas que serão beneficiadas, além de pessoas que estão à frente do projeto. A DPU está procurando ajudar as comunidades onde atua. Além dos Quilombos e comunidades indígenas , catadores de recicláveis e moradores de rua também serão beneficiados e isso nos deixa muito felizes – concluiu.

Para o catador de materiais recicláveis de Barra do Piraí, Paulo Marcos Oliveira Sampaio, de 44 anos, integrante da Cooperativa Paraíso, no mesmo município, a dificuldade de encontrar material hoje em dia, é maior devido a redução de movimentação no comércio. Paulo explica que metade dos catadores pararam com suas atividades, o que tem dificultado ainda mais a renda de suas famílias; e explica a importância da atividade da Rede nesse momento.

– Trabalho com isso há mais de duas décadas. O município desativou o antigo lixão e ficamos na articulação junto à prefeitura para que implante a coleta seletiva, onde a DPU vem sendo nossa parceira desde 2017. Ao todo, eram 40 famílias que trabalhavam no aterro, mas quando o mesmo foi desativado, muitos desacreditaram que o negócio iria funcionar e hoje, cerca de 20 catadores, representando 20 famílias, fazem parte da Cooperativa. Cerca de 50% do nosso pessoal parou de trabalhar e cerca de 50% do preço do material foi reduzido. O comércio fechou e com isso, os preços baixaram. Através dessa campanha da UFF e DPU, toda doação arrecadada será muito bem-vinda à todas essas famílias que necessitam não somente desses alimentos, quanto de produtos de higienização – comentou.

A Rede de Cooperação Solidária do Sul Fluminense – “Entre Nós ” será lançada oficialmente nas redes sociais através de uma live no dia 12 de junho, em sua página oficial.

Quem tiver interesse em colaborar, pode entrar em contato através da página ou através da conta destinada ao projeto.

Conta destinada à arrecadação de fundos:
CEDAC – Centro de Ação Comunitária Bradesco (237)
Agência 0814
Conta Corrente 75028-0
CNPJ 30.479.869/0001-21

Por Pollyanna Moura


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