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Gestantes falam dos desafios enfrentados durante a quarentena

Matéria publicada em 5 de abril de 2020, 12:57 horas

 


Mulheres que estão grávidas relatam ansiedade na hora de fazer o pré-natal e receio de terem o bebê durante o pandemia

Grávidas temem riscos à própria saúde e a do bebê por causa da pandemia (André Borges)

Sul Fluminense – O que era pra ser um momento especial na vida de muitas gestantes, a reta final deste período acabou se tornando motivo de preocupação para algumas mulheres da região, em decorrência da pandemia pelo novo coranavírus. Além da ansiedade e insegurança, que já são comuns nesta fase da gestação, hoje a realidade de maioria das mulheres grávidas também inclui dificuldades para manter o pré-natal e exames de rotina, para fazer o enxoval do bebê, cancelamentos de ensaios fotográficos e o principal: o receio de terem o bebê em pleno pico da pandemia e um previsto colapso na rede de saúde.

É o caso da autônoma Larrisa Carvalho, de 25 anos, que está à espera do segundo filho e confessa que insegurança e as preocupações que está enfrentando, neste momento, são maiores do que na primeira gestação. De acordo com ela, que deve ganhar o bebê no final de abril, além da preocupação com as previsões desse ser um período crítico da pandemia, ela ainda teme não poder contar com ajuda da família enquanto estiver se recuperando da cesárea.

“Tem sido dias muito difíceis porque ao, mesmo tempo que estou feliz, com a proximidade da chegada de mais um filho, também fico triste em saber que estamos vivendo isso tudo, com risco à saúde de todos. Independente de ser jovem, ou não, eu tenho muito medo de me infectar. Além disso, quem me ajudou muito na primeira gravidez foi a minha avó e agora ela não vai poder, porque precisa ficar em isolamento. Minha mãe trabalha em uma padaria e só vai poder ficar comigo por um período”, lamentou Larissa, que finalizou as compras do enxoval pela internet.

De acordo com ela, sua prioridade e do marido, que também é autônomo, foi garantir nos primeiros meses de gestação o valor a ser pago pela cesárea. Agora, conforme ressalta, eles certamente enfrentarão dificuldades financeiras para adquirirem outros itens que também são necessários para o bebê.

“Eu vendo roupas femininas e meu marido vende roupas masculinas. Temos uma pequena reserva, além do valor da cesárea, mas não sabemos até quando vai durar. Por isso, optamos em economizar e não comprar, por enquanto, o carrinho do bebê, além de outros acessórios. Só comprei pela internet, na semana passada, as roupinhas de inverno que ainda estavam faltando. Estou feliz porque minha saúde está boa, mas gostaria que estivesse sendo tudo diferente. Na verdade, estou com medo de ter meu filho justamente na época em que os hospitais estarão cheios de pessoas doentes”, disse.

Enfrentando a burocracia

A dona de casa Stephani Cristina de Oliveira Duque, de 27 anos, está na segunda gestação e, se não bastasse todas as dificuldades em meio a quarentena, ela também está enfrentou um desgaste burocrático para tentar conseguir sua cirurgia de laqueadura, que estava prevista para acontecer junto ao parto. Com 31 semanas de gravidez, o prazo para liberação do procedimento, que é de 60 dias, vai impedir a cirurgia.

“Meu médico me deu os papéis pra autorizar no plano de saúde o meu parto e a laqueadura. Fui na agência do plano e me deram um monte de documentos para levar no cartório, onde teria que reconhecer firma e assinar todos esses documentos, que voltariam para o plano de saúde, para então liberar a laqueadura. Só que tudo fechou, não deu pra ir no cartório, são exigidos sessenta dias para autorizar e, até lá, minha filha já nasceu. Já liguei pra lá, pedi para eles autorizarem e quando o cartório voltar levaria a papelada, mas fui informada de que não tem mais jeito. A cesariana eu vou consegui fazer, já a laqueadura não”, lamentou a gestante

Ainda segundo ela, outro fato que também a preocupa é o enxoval da filha que, conforme conta, ainda não está completo. Com as lojas do comércio fechadas, há alguns dias, a dona de casa ainda não sabe como vai fazer para finalizar as compras.

“Eu estou desesperada, porque fiquei esperando passar o carnaval pra começar a comprar as coisinhas dela e aí, logo em seguida, tudo fechou. Não comprei nem a metade do enxoval e nem sei como vou fazer. Estou esperando meu marido entrar de férias pra comprarmos o resto das coisas e acho que o jeito vai ser pela internet”, comentou Stephani, que está saindo de casa apenas para ir ao médico e fazer exames. “Sei que ficar em casa é importante, nesse momento, mas isso atrapalhou muitas coisas”, acrescentou.

Assim como muitas gestantes, Stephani havia programado um ensaio fotográfico em família, da reta final da sua gestação, no entanto, foi preciso mudar os planos para manter os cuidados recomendados pelas autoridades da área de saúde.
“A gente queria fazer na praia ou em algum lugar aberto bonito, mas, infelizmente, não vai ser possível e vamos ter que fazer aqui em casa mesmo. É preciso ter todo cuidado possível, porque além da gravidez, tenho meu filho pequeno e o meu marido que trabalha e precisa sair todos os dias. Eu morro de medo por ele e também por nós”, disse.

Medo de sair de casa

A advogada Silvia Santos de Oliveira, de 40 anos, que está com 30 semanas de gestação, é outra que também viu a rotina mudar, nos últimos dias, em função da insegurança diante dessa pandemia. De acordo com ela, que está no grupo de risco por ter problemas respiratórios, sair de casa se tornou um grande desafio e, por isso, ela tem evitado ao máximo.

“Me dá pânico só de pensar que tenho que sair para fazer alguma coisa importante como, por exemplo, ir ao médico. É uma sensação ruim e isso tem me deixado muito mal porque sei que o pico da doença ainda está por vir e, pode ser, que aconteça justamente quando for ganhar a minha filha. Tenho tentando me manter calma, mas diante de tantas notícias ruins acaba que fico muito preocupada”, desabafou a advogada.

Assim como outras gestantes, ela também não finalizou a compra do enxoval porque, conforme conta, havia combinado com o marido de irem a São Paulo, onde também comprou as coisas da filha mais velha, de nove anos.
“Não tenho quase nada de enxoval porque íamos comprar tudo lá, onde é mais barato. Agora estou tendo que comprar várias coisas na internet e, mesmo fazendo muitas pesquisas, tudo é mais caro. Meu desejo é que isso tudo passe logo e que, quando minha filha nascer, o cenário seja outro, sem esse insegurança e esse medo que têm nos limitado a fazer tantas coisas. Está sendo um momento difícil, mas é preciso acreditar que dias melhores virão”, finalizou.

Com as gestantes podem se prevenir

No dia 4 de março, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) publicou um comunicado oficial intitulado “Infecção pelo Coronavírus SARS-CoV-2 em obstetrícia. Enfrentando o desconhecido!”. Ele é um compilado de diretrizes do que fazer em caso de gestantes serem diagnosticadas com o coronavírus, mas também como preveni-las da doença.
Já no início do documento, a FEBRASGO explica que as instruções são baseadas nas orientações que surgiram a partir de outras doenças respiratórias semelhantes ao coronavírus, como CoV-SARS, CoV-MERS e, principalmente, o H1N1, pois é um vírus que se alastrou por diferentes regiões do mundo e demandou uma vasta pesquisa para combatê-lo.

Para as mulheres que não correm o risco de contaminação, principalmente por não terem tido nenhum contato com pessoas diagnosticadas com coronavírus ou que têm a suspeita da doença, os cuidados necessários são básicos.
A primeira medida a ser tomada deve ser evitar o contato com pessoas que apresentam algum tipo de infecção respiratória aguda. Entretanto, caso aconteça a proximidade, é importante que as mãos sejam lavadas por, pelo menos, 20 segundos. A medida de higiene também é indicada sempre que houver a saída para o meio público e antes de se alimentar. Não tem água e sabão? Use álcool em gel!

Também é preciso estar atenta ao ato de limpar as mãos após tossir ou espirrar, usar lenço descartável para higiene nasal e não esquecer da etiqueta respiratória, ato de usar a dobra do braço para cobrir as vias nasais ao tossir ou espirrar em vez das mãos. Inclusive, para evitar contato com qualquer secreção, não esqueça de não compartilhar itens de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas.


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