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Psicopedagoga orienta sobre ensino à distância em período de isolamento

Matéria publicada em 20 de abril de 2020, 12:35 horas

 


Uma das dicas é estabelecer um horário, de preferência o da escola, para que as crianças e adolescentes realizem as atividades da escola

Crianças estudam em casa durante quarentena (crédito Redes Sociais)

Barra Mansa- A suspensão das aulas nas redes pública e privada devido à pandemia de Covid-19 obrigou pais e alunos a mudarem suas rotinas. A EaD (Educação à Distância) virou um grande desafio para várias famílias. A psicopedagoga Cândida Mara Bruno de Paiva listou algumas dicas importantes para essas atividades, que acabam possibilitando maior interação entre pais e alunos.
De acordo com ela, o importante para os pais no aprendizado dos filhos, na modalidade à distância, com aulas on-line ou o chamado Home scooling, é primeiramente estruturar a agenda da criança conforme a escola exige, com as disciplinas e seus dias, com dias e horários para entrega dos trabalhos e com organização dos conteúdos, para que não se perca nenhum.
– Neste caso até uma tabela feita pela própria criança, para ser afixada na parede, ajuda muito. Outra coisa muito importante é os pais estabelecerem um horário, de preferência o da escola, para realizar as atividades escolares – destacou a psicopedagoga, ao acrescentar que para total respeito ao aluno, enquanto estiver estudando, deve-se evitar barulhos, sons de música, TV, entre outras distrações.
Outra dica importante, segundo a psicopedagoga, é que os pais ou qualquer outro membro que ajudem a criança devem somente auxiliá-la, sem que façam as atividades por elas.
– Qualquer membro da família que vá ajudar um aluno deve se posicionar apenas com postura de colaborador. Isso vale para que a criança crie uma autonomia – acrescentou a psicopedagoga, ao acrescentar necessidade do aluno ter um local adequado com uma mesinha, limpo e organizado, para que isso facilite sua concentração durante as tarefas.

Avaliando o conteúdo

Ainda de acordo com a psicopedagoga, neste processo de aprendizado em casa também é válido ressaltar que os pais devem verificar se o material enviado pela escola está adequado, de modo que possam ensinar sem a necessidade de um professor. Isso porque, de acordo com ela, pode acontecer de algumas escolas enviarem materiais em excesso ou que haja a necessidade de um conhecimento que os pais possam não ter.
– Os pais, ou a família, avós e tios, estão tendo uma tarefa a mais para cumprir com essa demanda. O que seria papel da escola está a cargo da família e esta, por sua vez, em muitos dos casos não têm o preparo ou orientação para desempenhar esse papel, o que em muitos casos têm feito que o estresse tome conta da rotina diária, causado alguns conflitos ainda sem solução aparente. Por isso se faz urgente algumas mudanças e adaptações na dinâmica da rotina das famílias, principalmente as que possuem filhos em idade escolar – concluiu a profissional.
Pais falam sobre o desafio de ensinar os filhos
Com a responsabilidade de orientar seus filhos nas atividades que são enviadas pelas escolas, seja por meio de vídeo aulas, plataformas, entre outros meios tecnológicos, os pais dos alunos destacam os principais desafios nessa nova rotina. A comerciante Daniela Oliveira, de 36 anos, é mãe do estudante Cauã Oliveira da Silva, de nove anos, e afirma que tem encontrado dificuldades de acompanhar e ajudá-lo com o conteúdo enviado pela escola.
– A escola está mandando um volume muita grande de exercícios e, mesmo com as aulas em vídeo, explicando, às vezes eu tenho muita dificuldade de entender para em seguida explicar pro meu filho. Algumas coisas ele mesmo tira de letra e faz sozinho, mas, em algumas disciplinas, como matemática, por exemplo, a coisa fica mais difícil. É uma realidade nova, que exige muita dedicação não só das crianças, mas também dos pais, e que teremos que nos adaptar, já que infelizmente não sabermos quando essa pandemia vai passar para tudo voltar ao normal – destaca a comerciante.
De acordo com ela, outra dificuldade em ajudar o filho está sendo com a rotina de horários, uma vez que não consegue fazer os exercícios somente no horário da tarde, que é o turno no qual ele estuda. Como tem atendido alguns clientes no sistema delivery, as tarefas da escola são feitas, quando necessitam da sua ajuda, sempre que ela tem o tempo disponível.
– Não dá para manter a recomendação da escola de estudar no horário das aulas normais, porque embora estejamos em quarentena, eu, por exemplo, tenho outras coisas para fazer. Tem dias que a gente consegue estudar no período da tarde, mas na maioria fazemos os exercícios pela manhã ou á noite – conta Daniela.
A contadora Angélica Costa de Carvalho, de 43 anos, tem duas filhas, uma de oito anos na Educação Básica e outra de 14 anos no Ensino Fundamental e também ainda não se adaptou a nova rotina de ter que acompanhar as filhas nas atividades escolares que, segundo ela, não podem ser comparadas como apenas “estar ajudando as crianças com as tarefas de casa”.
– Quando ajudávamos as crianças com o dever de casa, como era antes dessa pandemia, era mais fácil porque elas já vinham com uma base sobre aquele assunto, aplicado pela professora durante o dia. Agora, na verdade, nós estamos exercendo a função das professoras e, para alguns, pais, como é o meu caso, isso realmente está sendo bem complicado – comentou a contadora.
De acordo com ela, a escola das duas filhas disponibilizou uma plataforma com exercícios e, como as meninas estudam em horários diferentes, ela consegue dividir a atenção para ajudá-las no que é preciso. Para a menor ela imprime todos os exercícios e já a mais velha faz os exercícios nos livros que foram liberados pela escola.
– Tem dias que os exercícios fluem muito bem, mas têm dias é cansativo porque vem muita coisa para as duas e isso acaba tomando muito do meu tempo, que ainda tenho que fazer almoço e cuidar da casa e das coisas do meu trabalho. Ainda estamos em fase de adaptação, sabemos que nesse momento são necessários, mas nossa torcida é para que tudo volte ao normal o quanto antes – finalizou Angélica.


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