Secretaria de Estado de Saúde alerta para alto índice de casos de sífilis

by Diário do Vale

A maioria das pessoas infectadas tem entre 20 e 29 anos- Foto: Arquivo

Rio- O número de casos de sífilis no estado do Rio está preocupando os especialistas. Segundo o último balanço da Secretaria de Estado de Saúde, de janeiro a abril, houve 3.069 registros da doença no estado. Em todo o ano de 2019, a Sífilis Adquirida foram 16.206 casos. Provocada por uma bactéria transmitida na relação sexual, a doença pode ser evitada com cuidados simples – o principal deles, o uso de preservativo.

De acordo com o levantamento da secretaria, a maioria das pessoas infectadas tinha entre 20 e 29 anos, mais da metade era do sexo masculino e a maior proporção era de pessoas com o Ensino Médio completo. A sífilis também pode ser passada da mãe infectada para o bebê pela placenta ou durante o parto natural se a mãe apresentar alguma lesão.

Segundo a gerente do setor de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) da Secretaria de Saúde, Denise Pires, a manifestação inicial da sífilis pode acontecer em forma de uma ferida indolor nos órgãos genitais, de dez a 90 dias após relações com uma pessoa contaminada. A doença tem cura e deve ser tratada o quanto antes.

– A sífilis pode ser prevenida com o uso de preservativos, mas estudos apontam que o tempo de relacionamento do casal interfere nesse uso, ou seja, em relações mais duradouras o uso do preservativo não é constante. Além disso, na população jovem a gente observa grande recusa ao preservativo. Isso ainda é uma barreira que enfrentamos – lembra a gerente Denise.

A responsável pelo setor de Infecções Sexualmente Transmissíveis alerta que é importante dizer também que o diagnóstico precoce é fundamental, pois a sífilis tem cura, as unidades de saúde têm testes rápidos e o tratamento é garantido pelo SUS.

Denise Pires explica ainda que as equipes do setor de ISTs da secretaria realizam trabalhos em maternidades, além de ações em parceria com os municípios.

– Visitamos todas as maternidades estaduais para observar a utilização adequada dos protocolos de tratamento. A gente faz também a investigação dos óbitos de sífilis congênita. Infelizmente, o Rio de Janeiro é um dos principais estados com mortes de crianças. É uma situação muito triste. Também atuamos junto à atenção primária dos municípios, focando no fortalecimento e melhoria do pré-natal. Isso porque o diagnóstico de sífilis na gestante deve ser feito no pré-natal e ela deve receber o tratamento adequado o quanto antes – enfatiza.

Sífilis nas gestantes e Sífilis congênita

Em grávidas, há o risco de a sífilis não tratada ou tratada de forma inadequada ser transmitida para o feto causando a sífilis congênita, podendo ocorrer em qualquer fase da gestação ou na hora do parto por lesões genitais maternas. A sífilis na gestante pode provocar aborto, prematuridade, baixo peso ao nascer e até mesmo óbito neonatal. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno e adequado das mulheres e seus parceiros no pré-natal são fundamentais na redução de sequelas e da mortalidade associada à sífilis congênita. Nas crianças, a doença, que pode ocorrer nos dois primeiros anos de vida, pode gerar retardo mental, cegueira, surdez, lesões de pele e deformidades dentárias e ósseas.

– Um grande desafio para a redução da sífilis congênita é o sistema de saúde desenvolver formas de conseguir captar o parceiro dessas gestantes. Às vezes a mulher faz o tratamento, mas o parceiro, por vários motivos, não frequenta o serviço de saúde, então a mulher sofre uma nova infecção – alerta a Denise Pires.

Segundo ela, o preconceito em torno das doenças sexualmente transmissíveis é um fator que afasta as pessoas do tratamento precoce.

– É fundamental a discussão sobre saúde sexual e saúde reprodutiva para que as mulheres e os homens tenham esclarecimento sobre prevenção dessas infecções sexualmente transmissíveis. Existe ainda muito preconceito em relação à sífilis e isso precisa ser considerado um agravo. É importante as pessoas saberem que há tratamento no serviço público. Inclusive, há testagem não só para a sífilis, mas também para HIV e hepatites B e C – reforça.

Por Raquel Faillace*

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