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Autônomos sentem inflação no gás, energia e combustível

Matéria publicada em 10 de setembro de 2021, 17:03 horas

 


Quem trabalha com entregas, culinária e salão de beleza têm buscado formas de economizar e não repassar os custos para os clientes

Fábio Oliveira afirma que preço da energia está pesando no custo de seu trabalho
Foto: Divulgação

Barra Mansa –  A sequência de alta nos preços que vem atingindo itens básicos como o combustível, gás de cozinha e eletricidade está afetando diretamente profissionais autônomos que trabalham, por exemplo, com entregas,  culinária ou em salões de beleza. Para não repassar o custo desses serviços para seus clientes, a  saída para muitos vem sendo buscar formas de economizar, principalmente cortando algumas despesas, como é o caso da proprietária de um salão de beleza. Maria Aparecida Oliveira da Cruz, que impôs algumas medidas no estabelecimento.

– O número de clientes caiu bastante com a pandemia e as despesas do salão só estão aumentando. A minha conta de luz subiu muito nos últimos dois meses e, para economizar, agora eu explico a situação para as clientes e uso água fria no lavatório. Infelizmente com as escovas e a chapinha não há o que se fazer, mas tenho cortado o consumo de energia de outras formas também. Antes as funcionárias podiam fazer escovas, uma na outra, hoje já não libero mais. Também não deixo os carregadores pendurados nas tomadas, como antes ficaram o dia todo – pontuou Maria Aparecida.

Também proprietário de um salão de beleza, o cabeleireiro e maquiador, Fábio Oliveira, tem optado por abrir o local de trabalho menos vezes na semana e centralizando seus atendimentos. Isso porque a sua conta de luz teve um aumento de cerca de 20% e ele teme que a situação fique ainda pior nos próximos meses.

– Pelo cenário, o que a gente observa é que a energia vai continuar subindo ainda mais. Para tentar driblar esse aumento eu tenho marcado as clientes para dias específicos da semana, evitando abrir todos os dias, e também não estou usando água quente no lavatório. Assim eu economizo em alguma coisa, já que preciso gastar muita energia elétrica  com as escovas e as chapinhas – explicou Oliveira.

 

Atrás do combustível mais barato

 

O autônomo Antônio Carlos da Silva Júnior, de 35 anos, trabalha fazendo entregas para um site de compras em toda Região Sul Fluminense e também em outras cidades do estado. De acordo com ele, se o veículo no qual trabalha não tivesse o kit GNV e ele dependesse da gasolina seria impossível trabalhar com as entregas.

‘ Todos os combustíveis estão muito caros, mas trabalhar rodando várias cidades com a gasolina, no preço que está hoje, não valeria a pena. Eu estou todos os dias em uma cidade diferente e aproveito para pesquisar e buscar o lugar mais barato e confiável para abastecer. Um exemplo é quando vou a Resende, onde o gás está cerca de R$3,90, sendo que em Barra Mansa eu pago, em média R$4,60 – comparou o entregador.

Mesmo utilizando um veículo pequeno, o motoboy Jhonatan Henrique de Mello, de 28 anos, também tem procurado os postos de combustível onde possa abastecer sua moto com a gasolina mais em conta. Ele, que durante o dia presta serviços para lojas e restaurantes e à noite trabalha com entregas de lanches, diz que se o preço do combustível continuar a subir ele também terá que repassar o aumento para os clientes.

– Eu rodo muito, o dia inteiro, praticamente, e sempre que vejo a gasolina no preço melhor eu completo o tanque.  Hoje cobro em torno de R$2 reais a R$5 reais a taxa de entrega, dependendo do local, mas esse valor já quase não está compensando, porque a gasolina está muito cara. Se não parar de subir o jeito vai ser aumentar as taxas também  – adianta o motoboy.

 

Botijão de gás pesando no orçamento

 

A confeiteira Keila Camargo Nogueira faz uma média de 40 bolos por mês e por usar muito o forno, o consumo na sua casa é de dois botijões de gás, que ela compra pelo preço de R$95 reais.  De acordo com ela, mesmo a botija sofrendo altas constantes, foi preciso diminuir o próprio lucro para não afetar os clientes com o aumento do preço dos seus produtos.

–  Eu diminuí o meu lucro, mas o pior é que as pessoas não conseguem  entender que uma hora vai ser preciso reajustar o preço dos bolos. Não foi só gás que subiu, mas a luz, que eu também utilizo, assim como os produtos como o açúcar e até os ovos, que também estão mais caros. Se continuar assim, eu vou ter que alterar a precificação também – finalizou a confeiteira.

 

Combustíveis e energia afetam inflação

 

De acordo com informações da rede Brasil Atual, os combustíveis subiram 0,87% e somam 43,92% nos últimos 12 meses. Apenas a gasolina teve aumento médio de 0,69% e impacto de 0,04 ponto na inflação de junho. O IBGE apurou ainda aumentos no etanol (2,14%), no óleo diesel (1,10%) e no gás veicular (0,16%).

Já a energia elétrica subiu energia elétrica subiu 1,95% em junho, mas representou o maior impacto individual  do mês, com 0,09 ponto percentual.


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