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Cantada por Samuca como um dragão, dívida da prefeitura é no máximo uma lagartixa

Matéria publicada em 13 de agosto de 2020, 14:34 horas

 


 Conteúdo Patrocinado: Por Deley de Oliveira

Quando vai falar sobre a dívida de Volta Redonda, o prefeito Samuca Slva tem na cabeça dois valores diferentes, com uma diferença absurda de R$ 1 bilhão entre eles. Nas entrevistas para a imprensa, Samuca afirma que o total devido é de R$ 1,7 bilhão, mas em documentos oficiais, timbrados e assinados pelo próprio prefeito esse valor cai para R$ 676 milhões. Entre valores inexistentes e que não podem ser cobrados pois são alvo de disputa, há um abismo de mais de um bilhão de reais entre o que Samuca fala e o que ele escreve.

 

Mais que isso:  o prefeito tenta sempre passar a impressão de que sua gestão foi inviabilizada pela tal dívida, pois ela seria maior que o orçamento e tem de ser paga de imediato. A afirmação é duplamente falsa. Primeiro, como já dito, porque o valor é muito mais baixo do que o anunciado. Segundo, e tão importante quanto, é dizer que o montante real devido é para ser quitado de forma parcelada, com prazos longos, algumas vezes superando 30 anos.

 

A coisa funciona assim: ao falar da dívida para jornalistas, o prefeito age como um garoto contando uma história fantasiosa. Ao valor de R$ 676 milhões, vai somando contas que não são reconhecidas por órgãos oficiais de controle das contas do município, como o Tribunal de Contas do Estado e também o Tesouro Nacional. Com objetivo claro de tentar superdimensionar sua capacidade administrativa, Samuca transformou o que seria no máximo uma lagartixa em um dragão imaginário. 

O que ninguém pode duvidar é que por trás da fábula da Lagartixa e do Dragão há uma engenhosa armação política. Samuca criou duas situações possíveis para apresentar à população agora na reta final do mandato: se o governo der certo, é um herói que matou o dragão. Se der errado, quem pode culpa-lo de perder uma luta contra uma fera indomável.  

 

Para conseguir fazer um bichinho virar um monstro o prefeito teve de fazer um malabarismo imaginário e contábil. Na conta de R$ 1,7 bilhão, por exemplo, Samuca Silva acrescentou uma dívida de R$ 227 milhões com a CSN, que se arrasta desde 1989 em torno da cobrança de IPTU.  Ao colocar esse valor nos balancetes apresentados à imprensa, Samuca não leva em consideração (por esquecimento ou outra razão) os créditos tributários e ambientais que a prefeitura tem legalmente por receber a empresa.  Pronto! Samuca cita o que tem a pagar, mas não o que tem a receber. A lagartixa, assim, tinha acabado de ganhar asas.

 

Mas precisava de mais. Para meter medo de verdade, a lagartixa ainda precisava de garras e isso foi feito com uma alteração nos valores dos chamados “restos a pagar anteriores a 2017”. O prefeito diz nas entrevistas que esse valor é de R$ 78 milhões, mas a conta real é de R$ 26 milhões. E assim, criando penduricalhos, a lagartixa foi crescendo e ganhando ares de dragão. O problema: ela nunca soltaria fogo pela boca e um dia a verdade acabaria vindo à tona. E veio!

 

O dragão vira lagartixa em documentos oficiais

A trama ia bem, até que em 2019 o prefeito fez um pedido de liberação de recursos na Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro. Um dos requisitos para que o dinheiro fosse liberado é justamente mostrar que o município não tem uma dívida monstruosa. Para isso, a agência pede um documento oficial, assinado pelo prefeito e seu secretário de fazenda relatando a situação real das finanças municipais. 

Samuca só não poderia imaginar que o documento fosse tornado público, como agora está sendo. Nele está a realidade. Não tem os valores da dívida com a CSN e muito menos o volume de restos a pagar falado nas entrevistas. O dragão não existe e o prefeito, na verdade, fez uma administração capenga tendo que combater uma lagartixa. 

A situação é ainda pior, visto que o valor de R$ 1,7 bilhão foi usado por Samuca durante três anos e meio não só para super dimensionar sua capacidade, mas também para atacar seus adversários. A fábula, como se vê, não tinha nada de infantil. Pelo contrário, a história foi usada para iludir a população. Tal qual faziam os senhores da idade média com os aldeões, buscando o encastelamento no poder.

Resumindo: a dívida real da cidade é de R$ 676 milhões, tem sua maior parte oriunda dos anos 70 e 80 e pode ser parcelada em até 30 anos. Ou o gestor não entende de contas públicas ou tem o intuito de enganar alguém disposto a acreditar em dragões.

Vejam o quadro comparativo sobre a dívida e o documento assinado por Samuca Silva com valor real:

Por Deley de Oliveira

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