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Corpo de idosa com suspeita de Covid-19 é trocado no Hospital Regional

Matéria publicada em 14 de maio de 2020, 16:00 horas

 


Dona Maria da Glória da Silva entre as netas, a família autorizou a publicação da foto
(Foto: Arquivo pessoal)

Piraí e Volta Redonda- O corpo da idosa Maria da Glória da Silva, de 76 anos, foi trocado no Hospital Regional Zilda Arns, em Volta Redonda, na manhã desta quinta-feira, dia 14. A idosa estava internada no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) há 14 dias com suspeita da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, e morreu nesta madrugada. Ela estava em coma induzido, segundo a família.

A troca só foi percebida (ou notada) quando o corpo chegou à funerária municipal de Piraí. A família não reconheceu o corpo no caixão como sendo da idosa, dessa forma precisaram retornar ao Hospital Regional e para notificar a administração e destrocar o corpo.

Segundo Renata Pimenta da Silva, neta da vítima, o corpo da sua avó estava no necrotério do hospital e o outro corpo dado como de sua avó, era de uma outra senhora, que tinha o primeiro nome igual: Maria.

– Trocaram o corpo da minha avó por outra senhora chamada Maria das Dores, confundiram o primeiro nome dela. Não olharam direito, como isso pôde acontecer. A funerária não teve culpa, porque quando chegou para buscar o corpo da minha avó, a equipe do hospital mandou o corpo errado e eles trouxeram achando que era o certo. O hospital deveria ter checado todas as informações do paciente antes de liberar para a funerária – falou.

A família de Maria da Glória da Silva conseguiu destrocar os corpos e fez o sepultamento, entretanto até o momento, o resultado do exame que pode confirmar ou não, que a idosa tinha se infectado por coronavírus ainda não saiu, disse a neta da vítima.

Na certidão de óbito, o que consta, é que a causa da morte ocorreu por síndrome respiratória aguda, entre aspas “suspeita de Covid-19” e insuficiência renal aguda. Renata da Silva disse que mesmo não tendo o diagnóstico positivo, toda a família, tomou as medidas de proteção durante o reconhecimento do corpo e na cerimônia de sepultamento.

Renata da Silva que acompanhou todo o processo de internação da avó disse que a primeira vez que buscou atendimento foi no Hospital Municipal Flávio Leal com sintomas gripais. De acordo com Renata, neste dia, o médico solicitou um exame de sangue, raio x do tórax e da face, e que os resultados foram dentro dos parâmetros, sem nenhuma alteração de suspeita da Covid-19.

Mas após algumas semanas, o quadro de saúde da idosa apresentou piora e quando voltou ao Hospital Flávio Leal, os médicos a transferiram para o Hospital Regional, em Volta Redonda. Renata disse que a avó se queixava de falta de ar, febre, ardência ao urinar e dor lombar e que a idosa estaria com 50% dos pulmões comprometidos. Desde a internação, a família não teve mais contato com a idosa.

– Antes de internar minha vó eles (médicos) falaram do pulmão dela que estava comprometido – comentou Renata.

Renata citou à reportagem que houve descaso por parte do Hospital Regional no repasse de informações sobre o estado de saúde da sua avó à família, que ficou por dias sem ter notícias, nem acesso aos resultados de exames feitos durante a internação.

– Não tivemos acesso aos exames da minha avó, ela morreu hoje, e não sabemos se estava com coronavírus, sendo que no Hospital de Piraí, falaram para gente que o resultado iria sair em sete dias. Só tive notícias dela por telefone no Dia das Mães e hoje quando me ligaram para avisar que ela tinha morrido – disse Renata.

A idosa era moradora da Serra das Araras, em Piraí.

Nota do Governo do Estado 

O DIÁRIO DO VALE  entrou em contato com a assessoria de imprensa do Governo do Estado do Rio de Janeiro, responsável pela administração do Hospital Regional Zilda Arns. Em nota, a assessoria disse que: “A direção do Hospital do Médio Paraíba Zilda Arns esclarece que, no momento do velório de Maria da Glória da Silva, a família constatou que havia um equívoco no reconhecimento e entrega do corpo. Os familiares retornaram à unidade onde foram acolhidos e puderam solucionar a questão”, diz um trecho da nota, que segue: “A direção lamenta o ocorrido e solidariza com a família, e informa que abrirá sindicância para apurar o caso”, finaliza a nota.


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7 comentários

  1. Avatar

    Gastamos uma fortuna via Neto e Samuca para termos um hospital de qualidade, MAS, MAS, MAS entregaram para o Estado. Final: ficamos a mercê dos mercenários do Estado.

    Eu nunca tive dúvida que essa fortuna gasta nesta unidade fosse nos hospitais da cidade estaríamos bem melhor.

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      O povo não sabe votar. Se ver algum candidato adorado pelo povo, fuja dele para não se arrepender, e alerte os familiares.

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    A situação dos funcionários da saúde é tão complicada neste momento em que o excesso de trabalho e o contato com uma doença que pode também infectá-los, que um lapso dessa natureza é passivel de acontecer, e perfeitamente perdoável.

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    Infelizmente ou estão dando cloroquina e azitromicina para tratar os pacientes internados, o que pode levar a óbitos por infarto, ou está havendo falta de capacitação ao lidar com intubações. A questão é que está preocupante a forma como estão tratando os pacientes e os familiares nesse hospital. É revoltante!

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    Se trocam corpo. Imaginem a medição. E aí vai acontecer o quê com os responsáveis?

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