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Professor e psicóloga comentam sobre comportamento da geração Z

Matéria publicada em 18 de maio de 2019, 18:11 horas

 


Geração Z nunca viu o mundo sem internet

Integrantes da chamada ‘Geração Z’ ficam conectados em diversos dispositivos ao mesmo tempo
(Foto: Divulgação)

Volta Redonda – A chamada “geração Z” já nasceu em plena era tecnológica, com todas as ferramentas disponíveis, ao alcance das mãos, e corresponde aos nascidos entre 1995 e 2010. Os integrantes dessa geração, considerados nativos digitais, aprenderam desde cedo e muito rápido a manusear os mais diversos dispositivos: tablet, smartphone, notebook, smartwatch, entre outros. A geração Z nunca viu o mundo sem internet. Por isso, escolas e professores tiveram que se adaptar para interagir com esses jovens, que também são exigentes em relação ao tratamento pessoal, segundo relatou o professor doutor em língua portuguesa Alexandre Batista.

– O jovem atual, os nossos estudantes, são muito exigentes quanto à forma de tratamento. São sensíveis à grosseria e comando sem explicação. Fundamentalmente, tive de mudar a linguagem a fim de me aproximar deles e tornar as aulas mais agradáveis. Tive de implementar as novas tecnologias digitais no relacionamento. Tenho grupo de WhatsApp onde trocamos ideias sobre os conteúdos do bimestre e informações de organização das aulas – disse.

A psicóloga Janine Procópio Muniz comentou que a forma desses jovens de ser portarem no mundo implica numa acessibilidade e imediatismo reforçado por ferramentas tecnológicas.

– Até o tempo deles parece ser mais acelerado e, como tudo na vida, isso pode gerar benefícios e malefícios, caso não seja orientando por seus responsáveis. Hábitos e comportamentos independentes ou introspectivos. Aceitação das diferenças e dificuldades emocionais. A geração Z a meu ver caminha para extremos. É preciso orientação para realizar as melhores escolhas – disse, acrescentando que “a tecnologia hoje está em tudo, é a nova era que nos convoca a adaptar aos novos meios e maneiras de relacionar. A geração Z não conhece outra forma de interagir e até buscam em alguns movimentos retrô ou através da história pregressa, experimentar quando há oportunidade – afirmou a psicóloga.

Quando o tema é hierarquia, na opinião do professor, esses jovens não apresentam confronto, desde que o diálogo seja a base.

– Jovens normalmente não têm dificuldade com a hierarquia. Essa geração Z reage à ordem não explicada ou que não faz sentido para eles. Por exemplo, um comando sobre o comportamento na sala de aula precisa ser negociado sem autoritarismo, com diálogo. Isso não é insubordinação, mas uma exigência de um jovem informado, cônscio de seus direitos e exige respeito – comentou.

Para a psicóloga Janine, a geração Z tem dificuldade para lidar com hierarquia, pois esses jovens adquirem uma independência em suas escolhas de forma precoce, levando a uma sensação de poder, dificultando as relações.

– Os jovens dessa geração adquirem uma independência em suas escolhas de forma precoce. Isso causada pela aceleração do dia a dia, anto sem suas rotinas e de seus pais e também das informações que chegam quase que instantâneas num só clic. Daí uma sensação de poder que leva a uma dificuldade as hierárquicas, levando ao comportamento de não aceitação de regras – salientou.

Alexandre Batista acredita que a educação pode canalizar o potencial da geração Z em benefício próprio.

– Em muitas situações a escola é o lugar mais regrado que muitos jovens frequentam (razão primeira dos conflitos existentes). A escola pode desenvolver a reflexão e a organização das metas a serem atingidas. É um lugar privilegiado para se conviver com a diferença e disciplina. Então, a educação pode canalizar a todo o potencial dessa geração em prol dela mesma – disse, acrescentando que em relação ao mercado de trabalho, o medo do desemprego prevalece entre os jovens causando insegurança e despreocupação com o futuro.

– Essa geração está confusa quanto ao mercado de trabalho. O medo do desemprego gera a insegurança de que curso buscar e que profissão seguir. Daí a falta de perspectiva demonstrada, em alguns casos, pela despreocupação com o futuro. Essa geração precisa ser orientada quanto ao prazer de trabalhar naquilo que se gosta e de que o dinheiro vem desse prazer e não do sacrifício de se torturar fazendo algo que não ama – explicou.

O imediatismo também é uma característica da geração Z, segundo afirma o professor doutor Alexandre Batista.

– Eles são imediatistas demais. Não conseguem agir em função de uma meta de longo prazo. Normalmente agem inconsequentemente em função desse desespero mental ligado do aqui e agora – acrescentou.

Introspecção, a vilã da geração Z

“A introspecção pode ser a principal vilã do convívio social dessa geração, devido à relação de proximidade com a tecnologia”. É o que explicou a psicóloga.

– A introspecção é importante na busca do autoconhecimento. Porém se torna vilã, pois leva o sujeito a isolar-se e desenvolver uma dificuldade nas relações sociais. Reconhecimento de expressões humanas e suas emoções. O mundo virtual aceita todo tipo de informações nele inseridas, e as experiências partilhadas nem sempre são assim, na maioria das não expressam o real, e sim o imaginário e os desejos de perfeição e felicidade. Isso contradiz o nosso cotidiano onde as dificuldades e decepções são naturais e inerentes ao ser humano. Com isso, o sujeito se sente na obrigação de ser e se mostrar feliz e bem resolvido em questões que seriam naturais que ele tivesse limitações. Dado este fato, percebemos no jovem da geração Z, uma dificuldade maior de lidar com seus medos e tristezas e consequentemente acabam sofrendo com suas relações – finalizou.

Por Franciele Bueno

 


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5 comentários

  1. Avatar

    Enfatizou no “professor doutor” , isso Machado de Assis já recomendava na Teoria do Medalhão. Tem gente que cai neste discurso impostor. Péssimo artigo, façam algo menos pedante.

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    Mto show essa interpretação dos nossos estudantes,professor e doutor Alexandre Batista! Como sempre, vc foi simples,direto e objetivo! Amigo e compreensivo com eles! Parabéns pela excelente análise. Parabéns à psicóloga Janine pela excelente análise tbm.

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      Essa interpretação já se fazia há vinte anos atrás. Deixa de ser simplória , por isso que pessoas com discurso impostor e pretenso sobrevivem. Deixe de ser deslumbrada.

  3. Avatar

    Muito real! Quando da febre do início do facebook eu caminhando para o trabalho desejei bom dia e bons estudos a um amigo dos filhos com o celular na mão e os fios enfiados nos ouvidos tbm a caminho da escola (esse pelo menos não tinha o papai ou a mamãe de motorista particular). Sem resposta no momento, apesar de ter olhado para mim. No meio do dia pelo menos ele respondeu ao meu bom dia e se desculpou. kkkkkkkk

    A interação ao mundo real desses jovens é assustador. Eu fico pensando como será eles no trabalho, já que qualquer organização precisa do trabalho de equipe.

    Meses atrás o DV publicou eles na Vila Sta Cecília a procura virtual daquele bichinho eletrônico. Passavam por cima dos jardins, entre os carros e entravam e saiam das lojas de olho no celular atrás do bichinho, que não lembro o nome, talvez nem eles lembram mais. Uns verdadeiros jovens robôs ao comando diretamente dos E U A pela empresa promotora do bichinho eletrônico. Meus filhos não passaram essa vergonha pq foram alertados, e nem alguns sobrinhos. rsrsr

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