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Quando o repórter é o herói do filme

Matéria publicada em 15 de fevereiro de 2016, 09:46 horas

 


‘Spotlight’ segue a tradição dos filmes sobre jornalismo

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Passado: A redação da ‘Primeira Página’, bebida e muito cigarro
(Foto: Divulgação)

“Spotlight – Segredos Revelados”, em cartaz no Cine Gacemss, conta uma história real sobre o mundo do jornalismo. Um tema que rendeu uma porção de filmes muito interessantes, desde os primórdios de Hollywood. A maioria desses filmes antigos, sobre jornalismo, está disponível em DVD. Outros podem ser baixados da internet. Eles mostram não só como o jornalismo mudou, nos últimos cem anos, mas também como evoluiu a visão do cinema sobre o universo das redações.

“Spotlight – Segredos Revelados” é a história da equipe de reportagem do jornal americano The Boston Globe que descobriu os casos de pedofilia envolvendo padres da igreja católica americana, na década passada. O filme teve algumas cenas rodadas na redação real do Boston Globe, que é bem típica de um jornal moderno. Com computadores, teclados e divisões de vidro separando a sala do editor da sala do redator chefe. O ambiente é puro e com ar refrigerado, totalmente diferente dos jornais do século passado.

Os jornais e as redações mudaram muito nos últimos 50 anos. E se o leitor quiser dar uma olhada em como eram os jornais de antigamente assista “A Primeira Página”, filme do diretor Billy Wilder com os comediantes Jack Lemmon e Walter Matthaw. A produção é de 1974, mas a história se passa na redação de um tabloide, um jornal sensacionalista americano de Chicago, em 1929.

Lemmon é o melhor repórter do jornal e quer se casar e abandonar a profissão. O que soa meio estranho, afinal, jornalista que casa precisa mesmo é ficar no emprego. Um famoso assassino foge da cadeia na véspera da execução. E o editor do jornal, Matthaw, faz de tudo para adiar o casamento. Até que o seu repórter número um consiga uma entrevista exclusiva com o assassino fugitivo. Exageros a parte “A Primeira Página” mostra uma típica redação de jornal dos anos de 1930 e 1940. Cheia de barulhentas máquinas de escrever e tomada pela fumaça dos cigarros.

“A Primeira Página” é baseada em uma peça do escritor Bem Hecht, que foi filmada mais de seis vezes. A versão mais famosa é de 1940, que pode ser baixada da internet. Aqui, Cary Grant é o editor do jornal e o seu melhor repórter é uma mulher, Hildy Johnson, interpretada pela Rosalind Russell. Em 1940 a presença feminina nas redações dos jornais era quase inexistente e o filme antecipou a invasão feminina dos jornais que mudou a imprensa a partir da década de 1960. Foram as mulheres que acabaram com a fumaça dos cigarros nas redações. Elas detestavam chegar em casa com o cabelo fedendo a nicotina.

Hildy Johnson é claramente inspirada na jornalista mais famosa da ficção. Lois Lane, do Planeta Diário, que todo mundo conhece dos vários filmes do Superman. Aliás, os primeiros filmes a mostrarem o aspecto moderno das redações dos jornais foram os da série do Superman. O filme de 1979 foi parcialmente rodado na redação do jornal New York Daily News, na Rua 42 em Manhattan. A dupla Lois Lane e Clark Kent já passou por todos os altos e baixos da carreira de um jornalista. No episódio “Os bárbaros invadem o planeta” da série “Lois e Clark” o vilão Lex Luthor comprou o “Planeta Diário” e demitiu todo mundo como vingança. O fotógrafo Jimmy Olsen teve que arrumar emprego de porteiro de boate, Clark foi cuidar da fazenda dos pais e Lois arrumou emprego na televisão. Mas graças ao Superman tudo terminou bem.

Não é o que acontece na vida real.

O filme “O Mensageiro”, exibido nos cinemas em 2014, conta a história real do repórter Gary Webb. Ele descobriu que o serviço secreto americano, a CIA, estava vendendo drogas para financiar os guerrilheiros da Nicarágua. Foi perseguido, acusado de ter inventado a história e perdeu o emprego. Deprimido acabou se suicidando. Depois descobriram que tudo era mesmo verdade.

Histórias de jornalistas nem sempre tem final feliz.

Por Jorge Luiz Calife

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