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UFF-VR elabora ação em defesa da universidade pública

Matéria publicada em 5 de maio de 2019, 05:43 horas

 


UFF em Volta Redonda vai participar de atos que tentarão reverter anúncios de cortes (Divulgação)

Por Franciele Bueno

Volta Redonda – A Universidade Federal Fluminense (UFF) está elaborando um cronograma de ações para o dia 15 de maio (quarta-feira) em defesa da universidade pública gratuita. O ato terá atividades abertas ao público de conscientização e de divulgação dos projetos de ensino, pesquisa e extensão. A UFF informou, em nota, que irá anunciar em breve a agenda das atividades, que foi motivada pelo anúncio de cortes de até 30% nas verbas das universidades e institutos federais de ensino espalhados pelo país.

A organização dos atos adiantou, no entanto, que estão previstas ações sociais nas praças, estandes acadêmicos, laboratórios e bibliotecas. A universidade possui dois polos em Volta Redonda: um na Vila Santa Cecília e outro no Aterrado. A programação começou a ser feita após decisão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de cortar 30% de da verba de todas as universidades e instituições federais do país.

Segundo a assessoria de imprensa da UFF, caso o MEC leve a decisão adiante, a medida produzirá “um impacto negativo profundo e duradouro na sociedade brasileira, em razão da contribuição fundamental das universidades para o desenvolvimento do país”.

– A Universidade Federal Fluminense tem como preceitos básicos a excelência acadêmica, o impacto social, a inovação e a transferência de conhecimento para a sociedade. Nesse contexto, é imperativo não somente reverter agora os bloqueios anunciados dos investimentos nas universidades federais, mas ir além e consolidar políticas públicas que fomentem as universidades como força motora do desenvolvimento científico, tecnológico e social do Brasil. Em momentos de crise, a melhor saída para a recuperação econômica e fortalecimento da autonomia sustentável do país é investir em educação, ciência, tecnologia e inovação, assim como tem sido feito em países como a China e Coréia do Sul – diz em nota.

Alunos temem fechamento

O universitário do sexto período de direito, Rodrigo Souza Siqueira Júnior, em entrevista ao DIÁRIO DO VALE, afirmou que a UFF, campus Volta Redonda, já enfrenta dificuldades financeiras. Agora, com o anúncio do MEC, ele acredita que dificilmente a universidade sobreviva ao corte orçamentário.

– O que vai acarretar para a UFF é o fim das atividades, pelo menos em nível de interior. Nós já sofremos constrangimentos orçamentários grandes, desde a PEC do Teto de Gastos com o investimento congelado atrelado à inflação. O que a gente vem percebendo também é o aumento da demanda dos serviços com a entrada de novos alunos, não sendo acompanhado pelo aumento do investimento. Isso já vem impondo a UFF problemas universitários seríssimos – disse, acrescentando que a direção da UFF já fez reuniões expondo o grave endividamento que enfrenta aos alunos.

O universitário explicou que a partir do corte, bolsas de extensão, assistência e os serviços gerais ficam comprometidos, sem contar na produção acadêmica que gera uma perda para a universidade e a sociedade.

– A UFF está trabalhando com imposições orçamentárias que impõe trabalhar com 60% do orçamento normal, isso tudo sem mencionar o corte de 30% que anunciando pelo MEC, então isso impõe corte nas bolsas de extensão, de assistência, serviços gerais, paralisando a produção acadêmica – falou, acrescentando que além de estudante de direito, Rodrigo, pesquisa dentro da universidade a área de políticas públicas.

Eu que sou um estudante de direito e pesquiso na universidade área de politicas públicas, esse corte inviabiliza o planejamento da educação. O corte é um anúncio da redução da oferta do serviço. A UFF VR dificilmente sobreviverá – comentou.

Ao ficarem sabendo do corte, os alunos não imaginavam que perderiam o direito de estudar em uma universidade pública.

– Essa medida é um ataque ao direito superior foi mais uma imposição severa na UFF, que é uma universidade de alta qualidade do país, uma das mais bem colocadas – disse.

Rodrigo Souza Siqueira Júnior acredita que 90% das universidades do país serão comprometidas com essa decisão.

– A medida compromete 90% das universidades do Brasil com o corte, acredito que as demais universidades já sofrem e estão funcionando com um padrão semelhante ao da UFF-VR. O MEC coloca em risco o ensino superior público em todo o país – concluiu.

O estudante do 2º período de Direito Yuri Saviolo relatou que a manutenção de serviços básicos como capina do jardim, por exemplo, não está sendo feita no campus Aterrado e sobretudo há o atraso do pagamento das bolsas aos alunos. Yuri se diz preocupado com o que pode ocorrer com a universidade mediante a decisão do MEC.

– O campus está precisando de manutenção, o jardim já não recebe capina, por exemplo. Tenho amigos bolsistas que reclamam do atraso do pagamento das bolsas, há o atraso de salário de funcionários também. Minha preocupação é a universidade não ter condições de continuar com as portas abertas, sendo assim, não sei se conseguirei concluir o curso – relatou.

Segundo a assessoria da UFF, o corte do MEC irá impactar negativamente no desenvolvimento da produção científica, sendo que a universidade vem se consolidando na formulação e execução das políticas públicas para desenvolvimento do Brasil.

– Crescemos 84% desde 2008, ou seja, quase dobramos em 10 anos. São inúmeros os projetos de destaque e valor científico e tecnológico e que envolvem todos os segmentos da comunidade e da sociedade em geral. Por exemplo, a Escola de Engenharia foi selecionada para participar de uma competição da NASA que incentiva jovens de todo o mundo a criar, construir e testar tecnologias – comentou, citando outro projeto de grande impacto.

– O Projeto Reach, de Medicina, Computação, Engenharia e de Telecomunicações da UFF, criou próteses robóticas de baixo custo. Alunos e professores de Medicina e Engenharia da UFF, em parceria com as Forças Armadas Brasileiras, desenvolveram tecnologia de telemedicina para prestar apoio aos atendimentos clínicos à distância, beneficiando populações da região Norte do Brasil. Metodologia essa que pode ser chave frente à escassez de profissionais de saúde em locais de difícil acesso – concluiu.

Sobre a UFF

A UFF possui unidades de ensino em nove municípios do Rio de Janeiro, incluindo Volta Redonda, além do município de Oriximiná no Pará. A UFF movimenta mais de 43 mil alunos em 130 cursos de graduação, oito mil de pós-graduação, mais de 3300 docentes, dos quais 85% são doutores, e mais de 2600 servidores técnicos e administrativos.

 


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Um comentário

  1. Avatar

    Discursos carregados de alarmismo esquerdista. Não se poderia esperar outra coisa, vindo de onde vieram… Mas uma coisa é certa. A UFF/VR tem porte e histórico suficientes para se tornar universidade autônoma. A Escola de Engenharia Metalúrgica, inclusive, era a Universidade do Brasil, à época de sua fundação…

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