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WhatsApp limita mensagens na √ćndia ap√≥s not√≠cias falsas levarem a linchamentos

Matéria publicada em 21 de julho de 2018, 12:36 horas

 


O WhatsApp anunciou que vai limitar o n√ļmero de vezes em que mensagens trocadas por meio do aplicativo podem ser encaminhadas na √ćndia, como forma de coibir a dissemina√ß√£o de informa√ß√Ķes falsas em sua plataforma.

O an√ļncio foi feito depois que uma s√©rie de linchamentos de pessoas foi relacionada a mensagens que circularam em grupos do WhatsApp. Na quinta-feira, o governo reemitiu um alerta √† companhia de que poderia sofrer consequ√™ncias jur√≠dicas se continuasse sendo uma “espectadora muda” do que estava acontecendo.

Com mais de 200 milh√Ķes de usu√°rios, a √ćndia √© o maior mercado do aplicativo. O WhatsApp disse que seus usu√°rios indianos “encaminham mais mensagens, fotos e v√≠deos do que os de qualquer outro pa√≠s do mundo”. Grupos podem ter no m√°ximo 256 pessoas. Muitas das mensagens que acredita-se terem sido o gatilho para os atos de viol√™ncia foram encaminhadas para v√°rios grupos que tinham mais de 100 membros cada.

Restrição ao volume de mensagens

Em seu site, a empresa anunciou que estava “lan√ßando um teste para limitar o encaminhamento de mensagens que ser√° aplicado a todos que usam o WhatsApp”. Para usu√°rios indianos, no entanto, a op√ß√£o de encaminhamento ser√° limitada ainda mais. Um porta-voz da companhia disse √† BBC News que cada pessoa seria autorizada a encaminhar uma mensagem apenas cinco vezes.

No entanto, isso n√£o impede que outros membros de um grupo encaminhem a mensagem para mais cinco conversas por conta pr√≥pria. O WhatsApp acrescentou que esperava que a medida diminu√≠sse a freq√ľ√™ncia do repasse das mensagens. A empresa tamb√©m disse que removeria o “bot√£o de avan√ßar rapidamente” pr√≥ximo a mensagens contendo fotos ou v√≠deos.

Linchamento de inocentes

As mudan√ßas no aplicativo ocorrem ap√≥s uma s√©rie de linchamentos que resultaram em pelo menos 18 mortes em toda a √ćndia desde abril. Dados divulgados na m√≠dia, entretanto, apontam um n√ļmero de mortes ainda maior.

A violência tem sido atribuída a rumores de sequestros de crianças espalhados pelo WhatsApp, que levaram estranhos a serem atacados nas ruas. Segundo a polícia, está sendo difícil convencer a população de que as mensagens são falsas.

Em um dos casos que ajudaram a espalhar o p√Ęnico e contribu√≠ram para um final tr√°gico, um v√≠deo compartilhado por meio do aplicativo mostra, em plena luz do dia, uma crian√ßa sozinha na rua ser agarrada por um motociclista e, de repente, levada embora, para desespero dos vizinhos.

A cena na verdade, se tratava de mais um caso de notícia falsa Рou fake news, como o termo ficou popularmente conhecido.

O vídeo original tinha cunho informativo e havia sido gravado por autoridades do Paquistão para alertar sobre a segurança de crianças nas ruas de Karachi, a cidade paquistanesa mais populosa.

Na segunda parte do v√≠deo, o “sequestrador” pode ser visto devolvendo a crian√ßa e segurando um cartaz em que se l√™: “Basta apenas um momento para uma crian√ßa ser sequestrada nas ruas de Karachi”.

Segundo as autoridades indianas, essa parte foi retirada do filme compartilhado.

TVs locais tamb√©m contribu√≠ram para semear o p√Ęnico, ao alertar moradores de que 5 mil sequestradores de crian√ßas haviam entrado pelo sul da √ćndia.

“Depois de assistir a esses v√≠deos e √†s not√≠cias, ficamos preocupados com a seguran√ßa de nossas crian√ßas. N√£o queremos deix√°-las sozinhas nas ruas”, diz uma moradora.

O resultado do vídeo falso não poderia ser mais trágico.

Vítimas foram caçadas nas ruas

Um homem de 26 anos que estava em Bangalore procurando emprego foi apontado por alguns moradores como um dos sequestradores. Ele teve as m√£os e pernas amarradas, foi agredido, arrastado pelas ruas e morreu a caminho do hospital.

O caso foi registrado no final de junho. No mesmo período, uma mulher identificada como Shantadevi Nath também foi morta por uma multidão que acreditava que ela pretendia sequestrar crianças, nos arredores de Ahmedabad, no estado de Gujarat.

Em um outro linchamento recente, no estado de Tripura, no nordeste do país, a vítima foi um homem empregado pelo governo local justamente para ir a vilarejos dispersar rumores espalhados pelas redes sociais.

O governo da √ćndia j√° havia alertado ao WhatsApp – empresa de propriedade do Facebook – de que a companhia n√£o poderia se esquivar de sua responsabilidade pelo conte√ļdo que seus usu√°rios estavam compartilhando.

O WhatsApp respondeu que estava “horrorizado com esses atos de viol√™ncia terr√≠veis” e que a situa√ß√£o era um “desafio que requer que o governo, a sociedade civil e as empresas de tecnologia trabalhem juntas”.

O aplicativo de mensagens √© isoladamente o maior servi√ßo baseado na internet dispon√≠vel para a popula√ß√£o na √ćndia. Ele tem um alcance enorme, permitindo que as mensagens se espalhem com velocidade e que, a partir delas, multid√Ķes se re√ļnam rapidamente.

No início deste mês, a empresa destacou os passos que estava tomando para ajudar a resolver o problema, o que incluía permitir que os usuários saíssem de grupos e bloqueassem as pessoas com mais facilidade.

* As informa√ß√Ķes s√£o da BBC News.

Um coment√°rio

  1. Parabéns Whatsapp, isso é TUDO que a concorrência quer!!! Com essa política de censura em dois meses perderá seu posto para o TELEGRAM ou outro aplicativo similar.

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