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13 anos do “Meninos do Batuque”

Matéria publicada em 27 de janeiro de 2019, 09:00 horas

 


Grupo de percussão sustentável de Volta Redonda destaca o crescimento dos ‘meninos’ dentro e fora do projeto

Cerca de 390 integrantes foram formados pelo projeto que trabalha sustentabilidade, cidadania e música

“Eu sou menino do batuque, batedor de lata, levando a música no muque, tambor de sucata”. Esse é o grito que ecoa das vozes dos “Meninos do Batuque”, grupo de percussão sustentável, que comemora este ano 13 anos de fundação, celebrando o desenvolvimento social e profissional dos ‘meninos’. O projeto foi criado dentro de uma sala de aula, em 2006, no Ciep Toninho Marques no bairro Belmonte, em Volta Redonda.

Cerca de 390 integrantes foram formados pelo projeto que trabalha sustentabilidade, cidadania e música despertando o interesse dos meninos em aprimorar profissionalmente os ensinamentos que desenvolveram ao longo do processo, exemplo disso: Diego Coutinho, de 20 anos, atual coordenador do projeto, e Gustavo Pereira, de 20 anos, professor de percussão no projeto Curumim da Casa da Criança e do Adolescente.

Diego Santos Coutinho destacou que muitos jovens que iniciaram no “Meninos do Batuque” já trabalham profissionalmente com música e artes em geral. Atividades que foram empenhadas no projeto transformam latas de tinta, garrafa pet, tinas de plásticos, bombonas e outros materiais que seriam jogados ao lixo em música. É de uma lata, por exemplo, que sai vários ritmos como: jongo, ijexá, baião, côco, samba, maculelê e funk.

– Muitos que já passaram pelo projeto trabalham profissionalmente com música, e em outras habilidades tiveram sua fundação, seus ensinamentos dentro do projeto, que atualmente conta com 250 integrantes – disse, acrescentando que as aulas de percussão sustentável continuam no Ciep Toninho Marques, todas as quartas-feiras, no período letivo. Há também outros dois polos do projeto em Volta Redonda.

– Os outros dois polos são no projeto Curumim, no bairro 249 e Santo Agostinho, no qual o Gustavo é o professor e no bairro Monte Castelo, outro integrante do projeto que mora na comunidade é o responsável pelas aulas – disse Diego.

O atual coordenador, Diego, destacou que este ano os “Meninos do Batuque” irão aumentar as visitas e apresentações nas comunidades.

– Este ano vamos aumentar a saída para as comunidades e tentar fortalecer a relação escola/comunidade com projetos, além de fomentar a empregabilidade dos integrantes do grupo no mercado de trabalho, algo que já desenvolvemos ao longo desses 13 anos – comentou.

Diego está desde a fundação do projeto é baterista e instrutor musical. Ele mencionou que através da entrada nos “Meninos do Batuque” o transformou em um ser humano consciente, tudo o que aprendeu e conquistou veio através do projeto.

– Comecei em 2006, sou baterista, instrutor e atuo como coordenador do projeto. O que mudou na minha vida foi que eu pude aprender muito e me tornar um ser humano muito melhor. Hoje sou baterista graças ao projeto e trabalho com a música pelas portas que se abriram para mim, através do projeto. Hoje me tornei coordenador e continuo dando aulas nos “Meninos do Batuque”, tudo é muito melhor graças ao projeto e tudo há de melhorar ainda mais – frisou.

Diego fez questão me mencionar sua gratidão pela professa Clarete Patrocínio, antiga coordenadora do projeto, uma mulher que incentivou e plantou a semente do bem nos meninos, que hoje são homens e se perpetuam profissionalmente através da música.

– Tudo o que tenho e sou é por causa desse projeto, a professora Clarete é como uma mãe para nós, e sempre está nos ajudando muito – disse.

Outro fruto do projeto é o Gustavo Pereira, ele relatou que começou a ajudar os demais colegas na formação musical, em seguida iniciou a carreira de professor de percussão na fanfarra da Fundação Beatriz Gama, onde atuou por quatro anos. Atualmente trabalha no projeto Curumim da Casa da Criança e do Adolescente, desenvolvendo uma atividade semelhante aos “Meninos do Batuque” com materiais alternativos de percussão.

Ele destacou a importância do “Meninos do Batuque” na vida pessoal e profissional.

– O projeto foi fundamental na minha formação social e profissional, principalmente na questão da igualdade, que na época esse tema não era tão aprofundado na escola. Aprendi valores, fiz amigos e acabei de apaixonando pela percussão, meus pais são músicos, e isso me ajudou também. Comecei no projeto aos sete anos de idade, em 2014 comecei a evoluir e ajudar na formação dos colegas e depois profissionalizei a atividade trabalhando na área musical – disse, acrescentando que hoje vive de música, a partir do que foi ensinado a ele através do projeto.

O projeto “Meninos do Batuque” é formado também por mulheres, atualmente 150 meninas desenvolvem habilidades na música com as aulas. O grupo já se apresentou em diversos eventos na região.

 

Criação e história

O “Meninos do Batuque” surgiu através da parceria firmada entre três professoras, Clarete Patrocínio, Simone Bitencourt e Cláudia Regina, todas do Ciep Toninho Marques. Ao perceberem as dificuldades que os alunos das séries iniciais apresentavam quanto à leitura e na escrita, as professoras decidiram unir forças e fazerem a diferença, utilizando atividades que despertavam o interesse das crianças para desenvolverem suas habilidades e competência, além de estimularem a concentração, e trabalharem o desenvolvimento cognitivo.

Utilizando a criatividade, os educandos, com a orientação da professora Clarete, confeccionavam baquetas com cabo de vassoura, talabartes com câmara de ar de bicicleta, e instrumentos percussivos com materiais recicláveis, como latas de tinta, de leite, bombonas, e demais instrumentos, com materiais recicláveis.

Após o processo de construção dos instrumentos, a professora ensinava ritmos da cultura afro-brasileira, como Olodum, Funk e Samba. E o desenvolvimento das crianças era verificado durante as aulas, com as demais educadoras, através de gráficos elaborados pelos próprios alunos, nos quais eles podiam perceber e acompanhar sua evolução dentro do ambiente de ensino.

Ocorre que o projeto não parou por aí. As professoras perceberam que, além de melhorar a leitura e a escrita das crianças, através da sustentabilidade, esse projeto promovia a sociabilidade e a integração entre os alunos, melhorava a autoestima e formava cidadãos, além de observarem a eficácia da metodologia utilizada, que estimulava a capacidade do indivíduo de se desenvolver pela interação entre a hereditariedade e do ambiente em que vivem.

Com o passar do tempo, alguns integrantes do projeto se interessaram em buscar mais, aprenderam a tocar instrumentos industrializados e algumas bandas se formaram dentro do grupo “Meninos do Batuque”, como Swing e Malícia, Cultura Brasil, Batuque de Bamba e Batucada do Sertão.

As crianças cresceram, mas novas crianças e adolescentes chegam, todo ano, e reiniciam o processo que mantem seu foco na potencialização de habilidades e competência dos jovens e na formação de cidadãos conscientes e com valores positivos, a fim de promover a transformação através da música, pois, acredita-se que a arte é imprescindível no processo civilizatório e na formação da cidadania.

A ação dos “Meninos do Batuque” permanece através do projeto de percussão, sustentabilidade, cidadania e saber, que atua com o intuito de criar perspectivas de transformação social, por meio da sustentabilidade, às crianças e adolescentes, através da arte e da cultura, potencializando as habilidades e a competência dos mesmos, auxiliando no desenvolvimento cognitivo e na formação de cidadania. Bem como, busca resgatar a história e a ancestralidade do nosso povo, por meio de ritmos que manifestam a cultura afro-brasileira, no tocante à propagação da diversidade cultural de nosso povo.


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Um comentário

  1. Avatar
    alexandre alvarenga de almeida

    eu conheço o projeto……já assisti algumas apresentações do grupo……eles são realmente muito bons……
    os garotos são ótimos…….

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