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A aventura do submarino nuclear

Matéria publicada em 16 de maio de 2019, 09:00 horas

 


Russos retomam projeto do barco comercial atômico

“Nautilus, 90 graus norte”. Com essas palavras o capitão William Anderson, do submarino nuclear Nautilus, entrou para a história no dia 3 de agosto de 1958. Era a primeira vez que uma embarcação conseguia atingir o polo norte geográfico. E a façanha só se tornou possível graças ao sistema de propulsão nuclear, que tornava o Nautilus independente do ar que vinha da superfície. Os submarinos convencionais não podiam navegar sob a calota polar, porque suas baterias elétricas tinham uma duração limitada e os motores a diesel precisavam obter ar da superfície através de um tubo, o snorkel.
Depois da façanha do Nautilus, o passo seguinte era emergir no polo norte. O que foi feito por outro submarino nuclear, o Skate, no dia 17 de março de 1959, há pouco mais de 60 anos. Na época os engenheiros navais sonharam com uma aplicação pacífica da nova tecnologia militar. Uma embarcação que pudesse passar do oceano Pacífico para o Atlântico, através da rota mais curta sob o ártico apresentaria uma grande vantagem. Desenhos publicados na imprensa mostravam enormes submarinos petroleiros, navegando sob o gelo do ártico. Felizmente a ideia nunca se concretizou. Imagine as consequências de um desastre com um desses submarinos, derramando toneladas de óleo sob a calota polar.
Mas a ideia do submarino nuclear comercial não morreu completamente. Recentemente a Rússia divulgou um projeto de usar seus submarinos lança-mísseis da classe Tufão, os maiores do mundo, como transportes de carga. Para isso os submarinos teriam seus tubos de lançamento de mísseis removidos e substituídos por um porão de carga. O projeto do Escritório de Pesquisas Rubin faz parte do Sistema Global de Transporte Inteligente.
Projetados na época da guerra fria os submarinos da classe Tufão são os maiores já construídos. Eles ficaram famosos graças ao filme “Caçada ao outubro vermelho”, mas estão sendo desativados e substituídos por uma nova classe menor e mais moderna, a classe Borei.
Enquanto o projeto russo não sai do papel, os submarinos nucleares continuam a ser uma importante arma de guerra. Seu poder foi demonstrado durante a guerra das Malvinas, quando o submarino nuclear britânico Conqueror afundou o cruzador argentino General Belgrano. E manteve toda a armada daquele país no porto, incapaz de operar. O irmão gêmeo do Conqueror, o HMS Courageous, virou navio museu e é um dos quatro submarinos nucleares preservados depois de terminado seu tempo de serviço. Os outros três são o Nautilus americano, o Le Redoutable francês e o Chengzheng 1 da China. O Le Redoutable é o único submarino lança misseis transformado em navio museu e pode ser visitado na Cité de la Mer em Cherburgo na França.
O Brasil desenvolve um projeto de submarino nuclear de ataque que se arrasta há pelo menos três décadas. Os últimos desenhos, divulgados pela Marinha mostram que o projeto brasileiro lembra muito os submarinos americanos da classe Los Angeles. Como o Los Angeles, o submarino brasileiro vai ter tubos verticais para lançamento de mísseis na frente do casco de pressão. Os Los Angeles americanos são equipados com o míssil Tomahawke, o brasileiro vai usar o Exocet francês, Na frente dos tubos de mísseis fica a bolha do sonar envolta por uma proa cônica de plástico.
Pelo último cronograma o submarino nuclear brasileiro deveria ficar pronto em 2030, mas com a atual situação econômica do país o projeto deve sofrer novos adiamentos. A construção e operação de um submarino nuclear é muito cara o que tem impedido o desenvolvimento de versões comerciais destas naves do espaço interior. Mas isso pode mudar se o projeto russo de adaptar o Tufão tiver prosseguimento.


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Um comentário

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    Ótima crônica, leitura muito interessante! Esperando o lançamento de um livro com narrativas e textos de Calife… Se lançado por editora de alcance nacional, teria ótima vendagem, pois os assuntos abordados (à exceção da política) são de gosto tanto popular quanto erudito…

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