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A Lua em 2024

Matéria publicada em 15 de abril de 2019, 09:00 horas

 


Vice presidente dos Estados Unidos quer acelerar programa da NASA

Há exatamente duas semanas o vice-presidente norte-americano Mike Pence assombrou o mundo. Ele propôs o retorno dos americanos à Lua em 2024, daqui a cinco anos. Pelo cronograma de NASA a nova conquista da Lua só deveria acontecer em 2028. Há quem duvide de que o governo Trump possa implementar um programa, semelhante ao Apollo dos anos 60, em apenas cinco anos. Mas Pence diz que o projeto é possível, se o Congresso liberar o dinheiro necessário e se a indústria privada colaborar.

Quando começou a ser planejada, há uma década, a nova missão lunar americana dependia do foguete gigante SLS, que deveria ter entrado em operação em 2018, mas o programa do SLS sofreu atrasos e ele não deve voar antes de 2025. Sem o SLS, a NASA terá que usar o foguete Falcon Heavy, aquele que lançou no espaço o carro Tesla do empresário Elon Musk no ano passado.

O Falcon Heavy decolou com sucesso na semana passada, lançando o satélite de comunicações Arabsat -6ª, de seis toneladas de peso, e todos os três propulsores retornaram a Terra sem problemas. Com 5 milhões de libras de empuxo, o Falcon Heavy é o foguete mais poderoso do mundo, atualmente. Ele poderia levar a cápsula Orion, a sucessora da Apollo, com quatro astronautas em uma missão lunar. O problema é que a Orion ainda não foi testada com astronautas e a NASA teria somente cinco anos para fazer isso.

Outra pedra no caminho dos planos do vice-presidente é a questão da Estação Lunar Gateway. O novo projeto lunar americano é muito mais complexo do que o Apollo, do governo John Kennedy. Apollo consistia num foguete gigante, o Saturno 5, que era lançado da base de Cabo Canaveral e levava a espaçonave até a Lua. Agora é mais complicado, a nave vai levar os astronautas até uma miniestação espacial, a Deep Space Gateway, montada em órbita ao redor da Lua. Lá a equipe embarca num dos novos módulos lunares da Lockheed-Martin e desce na Lua. Problema, os módulos da estação ainda estão sendo projetados. E o mesmo acontece com os novos veículos de pouso lunar.

Qualquer especialista em astronáutica sabe que cinco anos é muito pouco tempo para realizar um projeto desse tipo. Quando Kennedy fez o seu famoso discurso, em 1961 conclamando a NASA a colocar homens na Lua e trazê-los de volta “antes do final da década”, os engenheiros tiveram oito anos para aprontar tudo. E mesmo assim cometeram erros que custaram à vida de três astronautas. Foi a pressa de atingir a meta do presidente, morto num atentado em Dallas, que levou a empresa North American a descuidar de aspectos fundamentais da segurança da primeira espaçonave Apollo, a Apollo 1.

Em fevereiro de 1967 a nave se incendiou durante um teste em Cabo Canaveral, os tripulantes morreram queimados porque a escotilha levava cinco minutos para ser aberta. Depois do incêndio as novas naves Apollo receberam uma escotilha de abertura rápida e isolamento feito com materiais não inflamáveis.

Na União Soviética os russos também sofreram problemas semelhantes. O governo queria colocar uma nave orbitando a Lua durante as comemorações dos 50 anos da Revolução de outubro de 1917. Como no caso da Apollo o desenvolvimento da nave Soyuz foi acelerado e o resultado foi outra tragédia. A primeira nave da série, a Soyuz 1 entrou em pane depois de orbitar a Terra no dia 23 de abril de 1967. O cosmonauta Vladimir Komarov tentou retornar, mas o paraquedas falhou e ele morreu quando a nave colidiu com o solo a uma velocidade de 300 quilômetros horários.

Talvez a meta de Mike Pence seja apenas outra daquelas bravatas típicas do governo Trump. E é bem provável que o programa sofra adiamentos, devido a problemas no desenvolvimento das naves. O que torna a data de 2028 bem mais viável.


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