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‘A Mentira’, de Nelson Rodrigues, de graça em Angra

Matéria publicada em 20 de outubro de 2018, 08:00 horas

 


O Teatro Municipal Dr. Câmara Torres recebe na próxima quinta-feira (25), às 20 horas, o espetáculo “A Mentira”, de Nelson Rodrigues, com entrada gratuita. Os ingressos são limitados e serão distribuídos uma hora antes da peça, por ordem de chegada. A classificação é de 14 anos.
A apresentação marca a estreia em teatro deste romance, ainda pouco conhecido. Uma tragédia causada por mentiras e segredos. A direção e adaptação é de Inez Viana, com realização da Cia OmondÉ.
Composto por duas atrizes e cinco atores, o elenco se reveza nos vários personagens da trama, formando assim um caleidoscópio de pontos de vista diferentes. Produzido com recursos próprios, “A Mentira” é o sétimo espetáculo da Cia OmondÉ, que em 2019 vai celebrar 10 anos de atividades.
No elenco há algumas caras conhecidas do público angrense. O ator Leonardo Brício já fez diversas novelas na Rede Globo e na Record. Outro destaque é Júnior Dantas, que já morou em Angra e se apresentou na cidade com vários espetáculos.

“A Mentira”
Em 1953, a pedido de Samuel Wainer, Nelson Rodrigues começou a publicar em episódios, no Jornal Última Hora, aquele que seria seu primeiro romance assinado, sem o pseudônimo Suzana Flag. Assim, dois anos antes da Lolita de Vladimir Nabokov, Nelson criou Lúcia. Na trama, desejos reprimidos dominam o cotidiano familiar e quando verdades inconfessáveis vêm à tona, a loucura contida pelos bons costumes eclode violentamente.
“A Mentira” contém todos os elementos posteriormente chamados de rodriguianos: Lúcia é a caçula de uma família de quatro mulheres e um pai repressor, que vive na Zona Norte do Rio de Janeiro. Aos 14 anos ela sente um súbito mal-estar, que leva a terrível descoberta da gravidez. A suspeita sobre quem seria o pai da criança será o motor de uma sequência de revelações, acontecimentos passados e desejos ocultos sob a aparente harmonia familiar.
A Mentira é uma obra atual, repleta de ótimos diálogos, característica bem ligada a famosa veia dramatúrgica do autor. O lado jornalístico do Nelson também se apresenta através do narrador em terceira pessoa, o que propicia uma encenação dinâmica, épica, num diálogo direto com a plateia, trazendo para os dias de hoje uma crítica sobre o machismo, a misoginia e o aborto, temas de uma época, refletida ainda nos dias de hoje. Questões são levantadas quando nos deparamos com a forma de Nelson Rodrigues tratar as mulheres: seria um pensamento de uma época retratado por ele, ou corroborava desse mesmo pensamento?


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