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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / A morte de uma estrela

A morte de uma estrela

Matéria publicada em 20 de julho de 2022, 17:06 horas

 


Telescópio James Webb observa a nebulosa do Anel do Sul

Núcleo: Duas estrelas no centro da nuvem de gás

A agência espacial americana, Nasa, divugou um novo conjunto de imagens feitas pelo telescópio espacial James Webb. Elas mostram cenas do nascimento e morte das estrelas. Em uma das fotos mais espetaculares o Webb revela as profundezas da Nebulosa Anel do Sul. Uma nuvem de gases coloridos emitidos por uma estrela agonizante. As imagens anteriores, feitas pelo antigo telescópio Hubble, mostravam apenas uma estrela no centro da nuvem. Com a imagem do James Webb é possível ver que se trata de uma estrela dupla. Uma anã branca, que implodiu emitindo a nuvem de gases coloridos e uma estrela vermelha, praticamente colada nela.

Além disso, a imagem nova mostra detalhes das camadas de gases emitidas pelo astro moribundo. O que estamos vendo , na imagem aí embaixo, é o futuro do nosso sistema solar. Daqui a um bilhão de anos o Sol que brilha no nosso céu vai entrar no mesmo processo de colapso. Lançando no espaço suas camadas externas e destruindo os planetas mais próximos, como Mercúrio, Vênus e a Terra. Será o fim do nosso mundo mas é pouco provável que ainda exista alguém por aqui para ver. E o resultado será uma nebulosa semelhante a esta da foto. A Nebulosa do Anel do Sul fica na constelação da Vela, a 2 mil anos-luz da Terra.

Outra imagem espetacular feita pelo James Webb foi do Quinteto de Stephan, um conjunto de cinco galáxias situadas a 250 milhões de anos-luz, na constelação do Pégaso. O quinteto foi o primeiro grupo de galáxias a ser descoberto, em 1877, pelo astrônomo Edouard Stepham, usando o telescópio do observatório de Marselha, na França. As primeiras imagens em preto e branco foram usadas na abertura do filme “A felicidade não se compra”, do diretor Frank Capra em 1946.

As imagens do James Webb revelaram um redemoinho de gases produzido por um buraco negro que se oculta na galáxia mais a direita da foto. Ela é a mais próxima de todas e fica a 39 milhões de anos-luz da Terra (Um ano-luz equivale a 9,4 trilhões de quilômetros). Os buracos negros são outro resultado da evolução e morte das estrelas. Mas o James Webb também fez imagens de um local de nascimento de estrelas novas. O berçário estelar que fica na nebulosa da Carina.

As estrelas se formam da condensação de nuvens de gás. Elas não passam de bolas de gás hidrogênio, compactadas pela força da gravidade. A estrela brilha porque as pressões no seu núcleo provocam uma fusão nuclear, transformando os átomos de hidrogênio em átomos de hélio. Ao longo de sua existência, que dura milhões de anos, a estrela vai queimando hidrogênio e produzindo elementos mais pesados, como o oxigênio. Quando o hidrogênio acaba, depois de centenas de milhões de anos, a estrela implode, lançando no espaço suas camadas externas. Se a estrela tiver uma massa semelhante a do nosso Sol ela se transforma em uma nebulosa igual a do Anel do Sul, aí em cima. No centro da nebulosa encontra-se o que restou do núcleo da estrela. Uma anã branca, tão compactada que uma colher de sua matéria pesaria milhares de toneladas aqui na Terra.

Já as estrelas grandes, como a famosa Betelgeuse, tem um destino mais bizarro. Quando elas explodem seus núcleos colapsam formando um buraco negro. Um objeto tão denso que nem a luz consegue escapar dele. Existem milhares de buracos negros no universo e um deles se oculta na brilhante galáxia do quinteto de Stephan.

Oculto: A galáxia da direita tem um buraco negro

 

Jorge Luiz Calife


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