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Alfa: A aventura do primeiro cachorro e seu jovem dono

Matéria publicada em 17 de setembro de 2018, 09:00 horas

 


Filme europeu recria em 3D o mundo selvagem da era glacial

 

 

Início: O caçador e seu parceiro.

Há muito tempo que os cientistas tentam descobrir como surgiu a parceria entre os homens e os cães. Sabemos que foi há uns vinte mil anos, no final da última era glacial, mas exatamente como aconteceu ainda é um mistério. Usando um bocado de imaginação e licença poética o diretor Albert Hughes tenta mostrar o início desta amizade milenar entre caçadores de duas espécies totalmente diferentes. O resultado é um filme belíssimo, rodado nos cenários espetaculares de Alberta, no Canadá, com um elenco de atores europeus e um cachorro lobo de uma raça originária da Checoeslováquia.

No filme, um jovem caçador pré-histórico, Keda (Kodi Smit McPhee) sofre um acidente durante uma caçada de búfalos e é dado como morto por sua tribo. Ferido, e tentando sobreviver na tundra ele salva um lobo, o Alfa do título, igualmente ferido, e consegue domesticar o animal. Os dois formam uma parceria e passam a caçar juntos, enquanto Keda tenta reencontrar sua tribo antes da chegada do inverno. O problema é se os outros caçadores vão aceitar a amizade do rapaz com um dos predadores dos humanos.

Na vida real não foi bem assim. É verdade que todos os cães atuais são descendentes de lobos ou chacais pré-históricos. Mas tudo começou quando os homens pré-históricos recolheram filhotes desses animais e começaram a cria-los em suas aldeias. Um lobo adulto, como o Alfa do filme, não aceitaria viver com um humano, seria contra todos os seus instintos. Mas o cinema é uma forma de arte e o artista tem a liberdade de fantasiar e criar uma realidade alternativa, contanto que encante a plateia com sua beleza. E não há dúvida de que o filme, exibido em 3D nos nossos cinemas, se sai muito bem nesse quesito.

O diretor até criou uma linguagem pré-histórica fictícia para os poucos diálogos entre os atores. O que elimina o artificialismo de ter homens pré-históricos falando inglês ou francês. Filmes sobre a vida em tempos pré-históricos não são uma novidade no cinema ocidental. Mais até a década de 1960 os cineastas teimavam em mostrar homens das cavernas convivendo com dinossauros, que já estavam extintos dezenas de milhões de anos antes que o primeiro hominídeo pisasse na superfície da Terra. Perto disso, os filmes modernos, que mostram os humanos em meio a uma fauna de mamutes e outros mamíferos do Pleistoceno são muito mais realistas, e uma ou outra licença poética é permitida.

Nesse ponto “Alfa” é um sucessor de “A guerra do fogo”. Aquele filme do francês Jean Jacques Annaud que provocou uma comoção em Pinheiral, na década passada, quando foi exibido para os alunos de uma escola do segundo grau. Curiosamente o diretor de Alfa, Albert Hughes, é conhecido por seus filmes proibidos para menores. “Alfa” é o seu primeiro filme censura livre e poderá ser exibidos nas escolas de Pinheiral, daqui a alguns anos, sem provocar demissões de professores ou comoção entre pais de alunos. Alfa e seu amigo Keda não fazem nada proibido para menores.

O filme só não pode exibir aquela clássica legenda que diz “nenhum animal foi ferido ou morto nesta produção”, Já que na cena em que a tribo aparece limpando a carcaça dos búfalos mortos foram sacrificados quatro bisões de verdade. Alfa custou 50 milhões de dólares e até agora só arrecadou 10 milhões. Não é nem nunca vai ser um campeão de bilheteria, afinal não tem super-heróis nem explosões espetaculares. É um filme bonito, diferente, de um tipo que raramente se faz hoje em dia.

O sistema 3D permite admirar melhor os cenários espetaculares da tundra e das montanhas do norte do Canadá. E curtir as cenas de caçadas e perseguições num mundo tão diferente do nosso que parece pertencer a outro planeta. E falando nisso o diretor não escapa da tentação de mostrar um paralelo entre o homem pré-histórico e o moderno. Keda admira as constelações e se orienta pelas estrelas. Demonstrando o princípio de uma atração que levaria seus descendentes ao espaço sideral.

Por: Jorge Luiz Calife
jorge.calife@diariodovale.com.br

 


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Um comentário

  1. Bela sinopse!… A temática é muito interessante, porém tão fantasiosa quanto a do filme 10.000 AC.

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