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Brasil é parceiro do ano internacional das Línguas Indígenas

Matéria publicada em 2 de fevereiro de 2019, 09:01 horas

 


Cerca de 180 línguas indígenas são faladas no Brasil, dado que coloca o País entre os dez mais multilíngues do planeta?

São mais de 900 referências sobre etnias e línguas indígenas coletadas entre os séculos XVI e XX catalogadas e que estão agora disponíveis no portal do Instituto
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (Unesco) lançou, oficialmente em Paris, o Ano Internacional das Línguas Indígenas. O Brasil, por meio do Instituto do Patrimônio do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cidadania, contribuiu diretamente com sugestões para a organização do ano internacional ao participar de conferência que aconteceu em setembro de 2018, na província de Hunan, República Popular da China.
A iniciativa teve início ainda em 2016, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução proclamando o ano de 2019 como o ano internacional das línguas indígenas, com base em uma recomendação feita pelo Fórum Permanente sobre questões indígenas. À época, o Fórum indicou que 40% das cerca de 6.700 línguas faladas no mundo corriam o risco de desaparecer e, com elas, sistemas de conhecimento que integram a diversidade cultural humana.
De acordo com a Unesco, proclamar um ano internacional das línguas indígenas é um importante mecanismo de cooperação concebido para ampliar a consciencialização sobre um tema de interesse global, bem como mobilizar diferentes partes interessadas para efetivação de cooperação multilateral.
O Diretor do Patrimônio Imaterial do Iphan, Hermano Queiroz, relatou a experiência brasileira no campo das Políticas Públicas de Patrimônio e sua interface com a Diversidade Linguística.
– No Brasil são faladas cerca de 180 línguas indígenas, dado que nos coloca entre os dez países mais multilíngues do planeta – destaca Hermano Queiroz.

Referência Cultural
No Brasil, onde a estimativa é que sejam faladas mais de 250 línguas entre indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e afro-brasileiras, além do português e de suas variedades, o Iphan coordena o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), que visa à identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas faladas pelos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. Esse trabalho já resultou no reconhecimento de sete línguas como Referência Cultural Brasileira, das quais seis são indígenas: Asurini; Guarani M’bya; Nahukuá; Matipu; Kuikuro e Kalapalo.
Para o técnico da Divisão de Diversidade Linguística do Instituto, Marcus Vinícius Garcia, a identificação e o reconhecimento de línguas em perigo é uma das estratégias para ampliar o conhecimento da sociedade sobre a diversidade linguística e promover os direitos linguísticos às comunidades.
Dentre as ações na área da diversidade linguística indígena apoiadas pelo Iphan está o projeto Diversidade Linguística na Terra Indígena Yanomami, um dos grupos étnicos mais relevantes para o patrimônio etnolinguístico no Brasil. Este projeto está sendo executado pelo Instituto Socioambiental, que em parceria com as comunidades realiza um grande diagnóstico sobre a vitalidade das línguas da família linguística Yanomami.
Também está disponível online o Mapa Etno-Histórico do Brasil e Regiões Adjacentes, de Curt Nimuendajú, uma das mais célebres obras cartográficas produzidas no Brasil, em 1943, e considerada um marco dos estudos sobre as línguas e culturas indígenas. São mais de 900 referências sobre etnias e línguas indígenas coletadas entre os séculos XVI e XX catalogadas e que estão agora disponíveis no portal do Instituto. Com isso, é possível, na versão digital, visualizar as informações em tamanho ainda maior que em sua versão física. Além da versão digital do mapa, está disponível ao público uma edição revisada e ampliada da obra – um mapa e um livro.
Já no âmbito da proteção federal aos bens registrados como Patrimônio Cultural do Brasil, sete são associados diretamente às sociedades indígenas: Os Saberes e Práticas Associados ao Modo de Fazer Bonecas Karajá; Rtixòkò: Expressão Artística e Cosmológica do Povo Karajá; o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro; o Ritual Yaokwa do Povo Indígena Enawene Nawe; a Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi; a Tava, Lugar de Referência para o Povo Guarani; a Cachoeira de Iauaretê – Lugar Sagrado dos Povos Indígenas dos Rios Uaupés e Papuri.


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