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Brechós infantis ganham espaço no Sul Fluminense

Matéria publicada em 24 de junho de 2018, 08:15 horas

 


Para fugir do preço alto do mercado de roupas e artigos infantis, pais têm recorrido a esse tipo de comércio como forma de economizar

Opção: Consumidor em busca de economia movimenta vendas em brechós – Foto: Paulo Dimas

Sul Fluminense – Seja virtual ou em lojas físicas, o fato é o que os brechós infantis estão ganhando cada vez mais espaço na região, onde têm se tornado para os pais de crianças pequenas a melhor opção e economizar e garantir roupas, calçados e acessórios de qualidade para os pequenos. Com tantas novidades no mercado para o público infantil, hoje a principal queixa de pais e mães é o preço alto dos artigos para crianças que, muitas das vezes, acabam sendo utilizados poucas vezes, como é caso das roupas e calçados. A comerciante Ana Carolina Campbell Meira gerencia um brechó infantil em Volta Redonda, que já tem 13 anos de funcionamento. Segundo ela, um dos fatores que vem contribuindo para que esse tipo de comércio se torne uma tendência é que hoje a prioridade do consumidor é o custo benefício, acompanhado de qualidade nos produtos.
– A maioria das pessoas que frequentam a loja comentam que perdem muito rápido as roupas de seus filhos e que, por isso, é muito mas viável comprar algo de segunda mão, que esteja com melhor preço e conservado. A loja cresce a cada dia e o que percebemos é o nosso público vai desde os mais humildes até a classe média alta, o que se deve ao fato de trabalharmos com o diferencial de serem roupas, calçados e acessórios semi novas e muitos deles de marcas infantis conhecidas. Buscamos sempre a qualidade do produto. Mas, por exemplo, as pessoas podem encontrar no nosso brechó peças à partir de R$ 5,90 a R$ 42,90, assim como temos carrinhos para bebês que variam de R$ 80 a R$ 200 reais”, ressaltou a comerciante.
De acordo com ela, hoje o brechó possui uma página na internet, com cerca de quatro mil seguidores, o que faz com que cada vez mais pessoas tenham conhecimento sobre os produtos e os preços mais acessíveis. Ana Carolina explica que as roupas não são compradas e que tudo que existe na nossa loja é em consignação, ou seja, o fornecedor deixa a mercadoria e, após a venda, cada um fica com 50%. Para que esse processo, ela conta que é feito um contrato com cláusulas, através do qual é gerado um código individual para cada um, que tem s suas peças devidamente etiquetadas.
“Temos muita captação de roupas e diariamente são abertos novos contratos de pessoas não só de Volta Redonda, mas que também vêm de Barra Mansa, Quatis, Barra do Piraí e Valença. Trabalhamos com marcas nacionais e importadas e o fato da loja ser ao lado do Hinja acaba que atrai muitas gestantes que vão fazer o pré-natal e aproveitam para fazer a compras. Como temos a nossa página na internet, temos o diferencial de vender através do cartão de crédito e entregar os produtos em Volta Redonda e Barra Mansa”, disse Ana Carolina, ao acrescentar que no brechó também podem ser encontrados acessórios como babá eletrônica, andadores, berços, mochilas e até fantasias infantis.

Vendas pela internet

A empreendedora Aline de Oliveira tem dois filhos, uma menina e um menino, e a ideia de montar um brechó virtual surgiu durante sua segunda gravidez, quando ela se deu conta de que não poderia reaproveitar, para o filho, o enxoval que havia guardado da filha. Com uma grande quantidade de roupas, calçados, mantas, jogos de berço, entre outros acessórios, em sua maioria nas cores rosa e lilás, ela então iniciou as vendas pelas internet. Segundo Aline, logo no primeiro dia em que fez os lotes das mercadorias ela se surpreendeu com os pedidos de reserva e de pessoas interessadas.
“Naquele momento eu percebi o quanto as pessoas estão mais conscientes e abrindo de mão de comprar coisas caras para recém-nascidos e crianças. Não sei isso esta sendo impulsionado pelo momento difícil que o país enfrenta, mas o fato é que os consumidores estão priorizando o preço e as condições dos produtos, independente de ser usado, ou não. No caso de roupas infantis, vale muito a pena comprar de segunda mão, porque as crianças usam muito pouco e, geralmente, são peças seminovas e muito conservadas. Eu vendi tudo o que havia guardado da filha, por um preço justo, e consegui fazer o enxoval do meu filho da mesma forma, comprando muita coisa boa e já usada”, disse Aline.
Depois de ver o resultado com a venda dos produtos da filha, ela resolveu continuar comercializando roupas e calçados infantis usados, pela internet, e contou com o apoio de pessoas da família e amigas que também tinham peças conservadas que pudessem ser vendidas e reaproveitadas. No processo de vendas, ela fica responsável por fotografar, etiquetar e colocar preços e fazer a divulgação dos produtos nas redes sociais.
“Além das minhas amigas e pessoas da família que têm filhos pequenos, muitas mães que já sabem que eu trabalho com esse tipo de venda também me procura e deixa as peças para que eu possa vender. No combinado, eu fico com 60% do valor e o restante repasso para pessoa. Como não temos um espaço físico, muitas das vezes sou eu quem entrego as mercadorias para as clientes, em local combinado”, explicou Aline.

Evitando gastos excessivos

A enfermeira Juliana Assunção da Silva, de 30 anos, tem uma filha de três anos e um bebê recém-nascido. Na primeira gestão ela conta que exagerou na hora de fazer o enxoval da filha e que, por esse motivo, muita das roupas que havia comprado a menina acabou não usando ou, então, apenas uma ou duas vezes. Na esperança de poder reaproveitar parte dos acessórios para o segundo filho, ela também foi pega de surpresa com a notícia de que teria um menino e que precisaria montar outro enxoval. Na época, ela doou parte das roupas da filha para uma pessoa da família que também estava grávida, só de menina, e prometeu a si mesma de que não iria exagerar o enxoval do filho. A saída encontrada, segundo ela, foi comprar muitas peças seminovas pela internet e em brechós.
“Cada vez mais as roupas infantis ficam mais caras e, as crianças acabam usando as peças muito pouco, pois estão em fase de crescimento. Eu encontrei muita coisa boa, de segunda mão, para o meu filho, inclusive de marcas importadas, e não me arrependo. Muitas coisas que comprei para ele usar, assim que nasceu, ele logo perdeu porque cresceu muito rápido. Se tivesse investido em peças novas, com certeza ficaria arrependida, assim como foi da minha filha. Hoje, com os dois pequenos, eu vivo em sites de roupas usadas para crianças e encontro coisas lindas, novas e que não apertam meu orçamento”, finalizou a enfermeira.


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