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Cabral admite uso generalizado de caixa 2 nas campanhas

Matéria publicada em 10 de julho de 2017, 19:04 horas

 


Cabral admite que sobras de campanha foram usadas para vantagens pessoais

Cabral admite que sobras de campanha foram usadas para vantagens pessoais


Rio –
Preso desde novembro do ano passado, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral afirmou hoje (10) que receber doação de campanha por meio de caixa 2 é uma prática disseminada em “todo o Brasil” e usada “por todos os partidos” nos períodos democráticos do país. Para Cabral, o Brasil “é um país de muito pouca tradição democrática”.

“Este é o modelo do Brasil, esta distorção”, destacou Cabral, reconhecendo que a prática de caixa 2 “é um erro”, embora se veja isso “o tempo todo” no país.

Cabral prestou depoimento perante o juiz da 7ª Vara Federal no Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, dentro do inquérito da Operação Mascate, um desdobramento da Operação Calicute.

Sobras de campanha

Antes de Cabral, o ex-assessor da Casa Civil do governo Ary Filho, preso em fevereiro na Operação Mascate, sob acusação de lavagem de dinheiro e organização criminosa, afirmou ter recebido ao todo entre R$ 9 e R$ 10 milhões em espécie, como bônus destinado por Cabral de sobras de campanha. Ele disse que coordenou todas as campanhas políticas de Sérgio Cabral desde 1998 até 2010, além das duas de Eduardo Paes à prefeitura do Rio, em 2008 e 2012, e a do atual governador Luiz Fernando Pezão, em 2014.

“O Sérgio Cabral pegava o dinheiro e mandava para mim, eu fui juntando. Tinha muita sobra de campanha, tinha empresários que ajudavam eles. Eu ficava afastado dessa parte, não me metia na arrecadação, não sabia a origem. Eram empresas privadas, de campanha mesmo. Ele [Cabral] pegava e me dava o dinheiro, não era tudo de uma vez. Ele falava: ‘Ary, sobrou isso pra você, você vai receber isso’. Eles não me deixavam participar das decisões, eu só ia buscar o dinheiro”, afirmou Ary Filho.

Ele disse que, por sugestão do empresário Adriano Martins, dono de concessionárias envolvidas no esquema e da Imbra Imobiliária, usou esses recursos para comprar imóveis. “Ele disse: ‘se você tem esse dinheiro, traz pra cá, compra esses imóveis e recebe aluguel, o dinheiro não fica parado’. Eu viajava com ele, ele frequentava minha casa. Eu dei o dinheiro pra ele comprar os imóveis. Inclusive comprei um dele, em Jacarepaguá. Ele disse: ‘é bom porque os imóveis ficam na minha empresa’. Ele disse que eu poderia ser assaltado, então era para usar para ter lucro. Não comprei no meu nome porque não tinha caixa. Não tinha a origem desse dinheiro.”

Ary Filho disse que Martins também intermediava o aluguel de carros para as campanhas, cerca de 150 veículos, além de 10 blindados, com acerto de lançar apenas 20% do valor na nota fiscal a ser apresentada na prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral. Os 80% restantes eram pagos em espécie. Ary Filho também contou também que intermediou reunião entre Carlos de Miranda, apontado pelo Ministério Público como operador financeiro da organização criminosa liderada por Cabral, com representantes da cervejaria Itaipava e do supermercado Prezunic. Na Itaipava e no Prezunic teriam sido arrecadados cerca de R$ 10 milhões, R$ 5 milhões em cada.

Cabral nega

No depoimento, Cabral admitiu que tinha entregado a Ary Filho algum recurso de sobra de campanha, mas ressaltou que o volume não chegou a 15% do que o ex-assessor afirmou. “Não reconheço esse valor. Eventualmente, após a campanha, alguma sobra pode ser, mas menos de 15% desse valor. Um milhão pode ser. Eu li no processo, mas eu não tenho nada a ver com esses imóveis, com essa compra e venda. Não é verdade isso, não reconheço esse valor de R$ 9 milhões.”

Segundo Cabral, é “comum na política” assessores próximos usarem o nome dos ocupantes de cargos eletivos para pedir contribuição. O ex-governador disse que ficou surpreso com o número de apartamentos, com os carros. “Eu não sabia. Agora, justificar o recurso [obtido] com essas empresas ou [como] sobra de campanha, não é o caso. Muitas vezes, os assessores próximos usam o nome do governador, do parlamentar, do juiz. Eu fui chefe de dois poderes, então sei como funciona.”

Sobre a Itaipava e o Prezunic, Cabral admitiu que as duas empresas fizeram doações para suas campanhas, mas disse que não se recorda se foram legais ou em caixa 2. O ex-governador também rechaçou a acusação de que havia um esquema de propina de 5% em contratos públicos para dividir entre os acusados.

“Isso eu posso afirmar ao Ministério Público Federal: nunca houve contrapartida. Nunca houve propina. O Ministério Pública colocou que os delatores falam de 5%. Nunca houve isso – eu vejo e fico atônito com isso. Que 5% é esse? Nunca houve isso. Reconheço, sim, que houve caixa 2. Mas esses valores para compra de apartamentos eu desconheço, nunca soube disso.”

Carlos de Miranda também foi convocado para depor hoje, mas, por orientação dos advogados, permaneceu em silêncio.

Para quarta e sexta-feira, estão marcados depoimentos relativos ao inquérito da Operação Eficiência.


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5 comentários

  1. Realista de bigode

    Os delatores falaram que o Cabral chegou a ter no exterior 120 milhões de dólares. Isso fora as joias e outros mimos. Quase meio BILHÃO de reais fruto de roubo. E o Pezão boca aberta que passava a metade do dia com o Cabral não sabe de nada, não viu nada, não ouviu nada, não cheirou nada. Pezão é um santo e merece um basílica para ser adorado.

  2. Ele não reconhece? Quem rouba um centavo, tbm rouba um milhão. A intenção é a mesma para as duas quantidades.

    O que tem a dizer os eleitores do PMDB que autorizaram esse bandido a roubar? Ah, eles não sabiam? Eu alertei a todos por aqui para não votarem no PMDB ou nos partidos ALIADOS.

    Se vc votou em algum partido ALIADO tbm deu voto para o maior saqueador que o Estado do Rio já conheceu. Esse superou até o outro Cabral de 1500.

  3. Eu acho muito irresponsabilidade do ex-presidente Lula ter feito propaganda para que o Sérgio Cabral fosse eleito governador do estado do Rio de Janeiro. Lula disse que Sérgio Cabral seria o melhor governador para o Estado do Rio de Janeiro, e, no entanto, Sérgio Cabral quebrou o Estado do Rio.
    Sérgio Cabral gastou tudo o que tinha no caixa, sem nenhuma responsabilidade fiscal, seguindo os conselhos de Lula-Dilma, que faziam a mesma coisa no nível federal, enquanto o governador do Espírito Santo economizava dinheiro e, hoje, o estado do Espírito Santo está razoavelmente arrumado, com os servidores públicos sendo pagos em dia…

    • Mas o ex prefeito Neto também fez campanha para o Lula, Dilma, Cabral e para o Pezão. O PMDB é o responsável pela crise nacional e estadual.

  4. Anarquista, Graças aos Políticos

    Caixa 2 é uma agressão à democracia, pois desequilibra as chances entre os partidos, devido ao massacre das propagandas eleitorais de quem tem mais dinheiro. Cadeia para todos os que receberam dinheiro indevido, e são do PMDB, PT, PSDB, DEM, PP e outros aliados que estão ou já estiveram no poder.

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