Calor no Sul Fluminense será cada vez mais frequente, alerta especialista

Climatologista de Barra do Piraí diz que prefeituras precisam se preparar para nova realidade; distritos serranos como Visconde de Mauá e Ipiabas registraram 36°C e 39°, respectivamente

by Agatha Amorim

Foto: Freepik

Sul Fluminense – O Sul Fluminense teve nove dias consecutivos de temperatura máxima extrema, entre 9 e 18 de novembro. Segundo o climatologista Ivan Linhares Ribeiro, de Barra do Piraí, dados das estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e de estações meteorológicas particulares (PWS) instaladas na região confirmam a afirmação. “Durante essa onda de calor histórica, as estações meteorológicas registraram temperaturas próximas ou acima de 40°C. Barra Mansa e Volta Redonda registraram 42°C no dia 14 de novembro e 41°C no dia 18, último dia da onda de calor. Até mesmo distritos serranos, acostumados com temperaturas mais amenas, não escaparam desse evento extremo, a região de Visconde de Mauá registrou 36°C e Ipiabas 39°C”, disse Ivan em entrevista ao DIÁRIO DO VALE neste domingo (19).

De acordo com ele, que é doutorando em Climatologia Geográfica pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o evento meteorológico extremo foi consequência do fenômeno El Niño, que aumenta a probabilidade das ondas de calor no estado do Rio de Janeiro, das mudanças climáticas (fenômeno de escala global gerado por ações humanas que aumenta a temperatura média do planeta) e da ilha de calor urbana (as cidades são mais quentes em relação ao entorno com mais vegetação). “As projeções de mudanças climáticas acenam que eventos como o que enfrentamos ao longo da última semana se tornarão cada vez mais frequentes e que precisamos adotar medidas que diminuam os impactos na população, principalmente aqueles que estão em situação de vulnerabilidade social e de saúde”, alerta o especialista.

Ivan destaca que um exemplo da falta da estrutura para o enfrentamento deste problema são as escolas públicas da região, que não são climatizadas. “Temperaturas próximas de 40°C foram registradas dentro das salas de aulas. Como é possível produzir intelectualmente nessas condições?”, questiona o especialista, acrescentando que as políticas públicas precisam estar alinhadas com esse novo cenário. “Priorizando a arborização das nossas cidades e criando espaços climatizados para enfrentarmos a nova realidade. Na Índia, por exemplo, existem projetos de financiamento para pintarem as lajes das casas de branco e assim amenizar a temperatura interna das residências em locais extremamente quentes”, afirma.

Mais do que ciente do mal que o calor extremo pode provocar, Ivan Linhares dá algumas orientações para enfrentar os próximos dias de calor, que certamente virão. “Se hidratem bastante, tenham cuidado máximo com a hidratação de idosos e crianças”, alerta. “Não passeiem com animais durante as horas quentes do dia; deem preferência para as primeiras horas da manhã ou depois das 20h. O animal respira próximo ao nível do solo, que está muito mais aquecido”, continua o climatologista. Ele também recomenda, se possível, deixar a casa aberta ao longo da noite e madrugada, fechando por volta das 7h ou 8h da manhã. “Assim, o ambiente interno ficará mais confortável ao logo do dia”, explica Ivan Ribeiro, lembrando que esta é a nossa nova realidade e que o calor é impiedoso: mata.

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